Brasil Energia

Fatores estruturais contribuem para queda de custos de eólicas, avalia Macroplan.

Por Livia Neves.
Custo de produção de energia solar está caindo de forma consistente e contínua no
mundo inteiro, avalia Claudio Porto

As fontes eólica e solar chegaram aos menores preços do histórico brasileiro nos leilões de energia nova
A-4 e A-6, ambos realizados em dezembro. Nesta rápida entrevista à Brasil Energia, o presidente da
consultoria Macroplan, Claudio Porto, comenta os fatores e estratégias que justicam as quedas de
custos das fontes. Para ele, avanços tecnológicos contribuem para a redução de custos eólicos, enquanto
que a solar vem apresentando diminuição consistente e contínua nas despesas de produção.
Muitos empreendedores têm atribuído a queda de custos da fonte eólica à competição na indústria,
que estava com linhas de produção ociosas. Há outros fatores, não conjunturais, que ajudam a explicar
a queda de preços da fonte?

Certamente. Entre os fatores estruturais destaco os avanços tecnológicos que estão acelerando e
também contribuem muito para a redução de custos da eólica. Além disso, no mundo inteiro há um forte
estímulo à expansão de energias renováveis (restrições ambientais). Os estímulos são fortemente
direcionados à energia eólica – fonte cujo aproveitamento tem um prazo de maturação muito menor do
que a geração hídrica. No Brasil, há ainda um fator não conjuntural, a meu ver, que é a crescente
dependência da região Nordeste em relação à energia eólica (em virtude da crescente indisponibilidade
de água do São Francisco para geração hídrica). Para melhor dimensionar essa dependência, em
20/7/2017 cerca de 65% da energia consumida no Nordeste veio de fonte eólica, segundo o ONS. Até
2009, a fonte amplamente dominante era hídrica. A perspectiva de demanda rme ajuda a manter alta
escala de produção e, com competição e melhorias tecnológicas, o custo tende a cair.
No caso da solar, a queda de preços também está ligada à queda de custos dos equipamentos? O que
mais entra nesta equação?

O custo de produção de energia solar está caindo de forma consistente e contínua no mundo inteiro. A
estimativa é que, até 2025, o custo por KW solar em residências cairá 2,5 vezes em comparação aos de
2012. Essa corrida pela redução de custos (efeitos escala e novas tecnologias) visa dar maior
competitividade à energia solar – uma fonte super limpa – em comparação com as demais. O Brasil, que
tem grande potencial para geração de energia solar, tem tudo para se beneciar com esse movimento. E
os grandes players internacionais já perceberam a atratividade do Brasil: nosso setor elétrico é bem
organizado e regulado, há um grande potencial para expansão da demanda. O poder nanceiro dos
grandes players estrangeiros pode acelerar a expansão da oferta de energia solar. É necessário, contudo,
que mantenhamos uma boa capacidade regulatória.
Alguns empreendedores também mencionam a possibilidade de adiantar a operação das usinas para
vender energia no mercado livre. Essa é uma estratégia viável para todos? A transmissão pode ser um
gargalo?

Em uma primeira análise, essa me parece ser uma boa estratégia de curto prazo, especialmente se a
economia continuar aquecendo. A transmissão pode ser um gargalo, além de restrições de
disponibilidade e na velocidade de expansão (há muitas obras atrasados ou simplesmente paralisadas),
boa parte da rede está “ficando velha”, logo suscetível a falhas e problemas mais frequentes. No médio e
longo prazos talvez não funcione pois as mudanças em curso no setor elétrico provocarão mudanças
crescentes na configuração do sistema com a multiplicação e diversicação da geração e consumo
distribuídos.

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