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Gestão estratégica

Planejamento é uma das principais ferramentas de gestão para municipios avançarem

Rio Preto é a terceira melhor cidade do Brasil
Do  Diário da Região – São José do Rio Preto (SP) – Por  Francela Pinheiro

Pelo segundo ano, Índice Desafios da Gestão Municipal, da consultoria Macroplan, coloca Rio Preto como a terceira melhor cidade entre as cem maiores do País

Rio Preto é a terceira melhor cidade para se viver no Brasil. A informação pode parecer repetida aos leitores do Diário, mas é notícia nova. A cidade dos Grandes Lagos, com 450.657 habitantes (51º no País), foi eleita mais uma vez pelo Índice Desafios da Gestão Municipal, edição de 2018, como uma das primeiras em qualidade de vida entre os cem maiores municípios brasileiros. O estudo levou em conta índices da educação, saúde, segurança, saneamento e sustentabilidade, relativos a 2016.

Pelo estudo desenvolvido pela Empresa de Consultoria e Estratégia Macroplan, Maringá, no Paraná, é a primeira colocada. De 0 a 1, a cidade alcançou uma pontuação de 0,748 pontos no geral. Piracicaba ficou em 2º lugar, com uma nota de 0,739. Em seguida está Rio Preto, com 0,738. Em 2006, a cidade ocupava o 12ª posição com uma nota de 0,612. No ano passado, quando também ficou em 3º no geral, a cidade fez 0,791 pontos.

Quando a classificação foi por área, Rio Preto ocupou o 2º lugar em educação. Com uma pontuação de 0,659 no setor, o estudo destacou que a cidade tem 100% das crianças matriculadas na pré-escola e 54,9% matriculadas na creche – nesse quesito, Piracicaba é primeira colocada, com índice de 59,3%.

A segunda área de Rio Preto mais bem avaliada foi a saúde, que deu um salto de 2006 para 2016 e saiu da 22ª para a 7ª posição. A taxa de mortalidade infantil foi destaque, com 6,7 morte de crianças por 100 mil habitantes, enquanto em Joinville, a melhor, o índice foi de 5,1.

O que mais chamou a atenção, porém, foi a cobertura do pré-natal que é de 84,3%. Em Jundiaí, referência no indicador, esse índice foi de 86,7%. Entre as famílias beneficiadas com o pré-natal da saúde pública está a de Juliana Bertoni da Costa, 34 anos. Mãe da pequena Morghana, ela não cansa de contar todos os dedos das mãos da bebê de cinco meses.

Segundo ela as recomendações de acompanhamento feitas pelo Ministério da Saúde foram seguidas à risca. Não faltou a nenhuma consulta. “Tive uma gravidez tranquila. E não é só o meu caso. Meu pai e meu irmão tratam de doenças cardíacas sem pagar nada no Hospital de Base de Rio Preto”, disse.

Nascida em Atibaia, a auxiliar de limpeza Luciana Aparecida Leite Santos, 38 anos, mora há dez em Rio Preto. Foi por aqui que ela teve três dos cinco filhos. Todos nasceram na rede pública da cidade. O filho caçula, Heitor, nasceu no último domingo na Santa Casa, após a mãe comparecer nas sete consultas do pré-natal realizadas na UBSF Jardim Simões/Renascer. “Só não fiz mais consultas porque só descobri que estava grávida muito tarde, na 12ª semana. Eu fui tratada com todo carinho pela equipe. Sempre me deram orientação”, diz.

Para o economista e sociólogo Ari Ramos os dados são resultados da estrutura que a cidade possui nos setores. “Uma tendência natural da própria cidade. Estrutura econômica centrada em serviços – fortemente nos setores de educação e saúde – isso é histórico. A estrutura é consolidada e vai aprimorando.”

Para o sociólogo, apesar da colocação no geral, Rio Preto precisa planejar e avançar. “Tem um espaço para melhora muito grande. Precisamos buscar lideranças para avançar, qualificar nossos alunos que vão ser os futuros profissionais. Temos ilhas de atendimento na saúde de ótima qualidade. Mas se olhar de uma forma geral tem muita reclamação”.

(Colaborou Marco Antonio dos Santos)

Gestão estratégica, Inovação na gestão pública

Tirar o foco exclusivo no ajuste fiscal e inovar são saídas para prefeitos enfrentarem crescentes desafios nas cidades

Múltiplas pressões na escassez de verbas

Do DCI – Por Liliana Lavoratti

Líderes municipais – dos três Poderes, principalmente prefeitos – terão de trabalhar, cada vez mais, com pressões e cobranças múltiplas, em contexto de forte escassez de recursos e acentuadas restrições burocráticas e legais. Encontrar novas soluções para esses dilemas é o grande desafio que se coloca para os prefeitos, legisladores e gestores públicos municipais, atuais e futuros, indica a terceira edição do estudo Desafios da Gestão Municipal-DGM, da consultoria Macroplan, que avalia a evolução de 160 indicadores em saúde, educação, segurança e saneamento & sustentabilidade nos 100 maiores municípios do País (mais de 273 mil habitantes).

Diferença entre os municípios

O mapeamento revelou grandes diferenças na capacidade de entregar resultados em serviços essenciais à população. “Enquanto alguns municípios ficaram focados na agenda de curto prazo, outros conseguiram superar adversidades do atual cenário e se modernizaram, com planejamento, foco e cooperação. Cidades com estruturas similares entregaram resultados muito distintos. Mais do que reduzir custos, é preciso obter ganhos contínuos de produtividade e eficiência na gestão pública”, destaca o diretor da consultoria, Glaucio Neves, coordenador geral do estudo.

Tirar o foco do ajuste fiscal

Portanto, concentrar a agenda da gestão pública só no ajuste fiscal e em ações “de varejo” e de curto prazo é abrir mão de uma janela de oportunidade para inovar. “A escassez deve ser trabalhada não só como um problema, mas também como combustível para o novo, para a busca de formas alternativas de exercer uma boa gestão, mais eficiente e orientada para as efetivas necessidades dos cidadãos”, enfatiza o diretor da Macroplan. A pesquisa da Macroplan demonstra que, nos últimos anos, a escassez de recursos financeiros foi generalizada nas 100 cidades pesquisadas.

Generalizada queda nas receitas

Nesses municípios, a receita subiu 13,6%, de 2010 a 2016, mas o crescimento da despesa foi maior (16,8%), puxada pelos gastos com pessoal e custeio, restando cada vez menos espaço para investimentos, que teve queda de 16,4% nos últimos cinco anos. No último ano várias cidades retrocederam em pelo menos uma das quatro áreas analisadas no estudo: 17 cidades pioraram no IDGM -Educação, 40 no IDGM Saúde, 33 pioraram no IDGM – Saneamento & Sustentabilidade e mais da metade viu crescer a taxa de homicídios entre 2015 e 2016.

Paraná e Pará

Ainda assim, na década houve ganhos generalizados nos municípios estudados. As cidades que apostaram em novas soluções para enfrentar dilemas como déficit de saneamento, obstáculos à educação, índices elevados de violência, problemas na saúde, tiveram progressos relevantes. Entre as dez primeiras colocadas no DGM-2018, destacam-se nove cidades do interior de São Paulo. Maringá (PR) é a primeira, posição que já ocupava há uma década. O Estado do Rio tem quatro cidades entre as dez piores e Ananindeua (PA) está na lanterna entre as cidades analisadas.

 

Gestão estratégica, Inovação na gestão pública

Cidades: melhorar a produtividade do gasto possibilita entregar melhores serviços à população

O segredo de cidades que melhoram mesmo na crise

Estudo inédito da Macroplan mostra que situação fiscal dos municípios não é boa – mas isso não é justificativa para a piora dos serviços públicos

Para descobrir como está a qualidade de vida da população das cem maiores cidades brasileiras, que concentram 39% da população e 50% da riqueza produzida no país, a consultoria Macroplan criou um índice que leva em conta 15 indicadores de educação, saúde, segurança e saneamento básico. O estudo mostrou boas notícias. Entre 2006 e 2016, houve melhora em indicadores de saúde, educação e saneamento.

A má notícia é que o ritmo de melhora é lento. Por exemplo: mantendo a tendência dos últimos anos, universalizar o esgotamento sanitário vai levar cem anos. O estudo mostra que a situação fiscal dos municípios está longe de ser tranquila. Mas conclui que isso não é justificativa para impedir o avanço da qualidade dos serviços essenciais – como as melhores cidades mostram.

Entre 2010 e 2016, a receita do grupo dos 100 maiores municípios cresceu 13,6% (em termos reais, isto é, descontada a inflação do período), puxada pelas receitas tributárias, o que é uma boa notícia, dado que um dos problemas das cidades brasileiras é a dependência das transferências de recursos dos estados e governo federal. Mas as despesas avançaram num ritmo superior – crescimento real de 16,8%.

A alta dos custos foi puxada por gastos com pessoal. A despesa com funcionários da ativa subiu 24,4% e a com inativos e pensionistas, 56,5%. Como são despesas difíceis de serem cortadas, afinal não é possível demitir funcionários públicos nem reduzir os dispêndios com aposentados, só resta ao gestor apontar a tesoura para onde é mais fácil cortar – os investimentos, que caíram 16,4% no período.

A líder do ranking, pelo segundo ano consecutivo, é Maringá, cidade de 400 mil habitantes no interior do Paraná – e que também liderava em 2006. A receita tributária do município é 880 reais por habitante e o investimento per capita, 350 reais. São números menores do que os de Niterói, que tem o maior investimento por habitante, quase 780 reais e receita tributária per capita de quase 1.500 reais, mas ocupa a 38ª posição. Outro indicativo de que sair gastando não é sinônimo de sucesso: Campos dos Goitacazes (RJ) tem a maior despesa com prestação de serviços (5.400 reais), mas ocupa a 74ª posição no ranking.

A cidade paranaense não lidera nenhum das quatro áreas analisadas pela Macroplan e ganha pelo “conjunto da obra” – a melhor posição é o segundo lugar em saneamento e sustentabilidade, atrás de Santos (SP). Nesse item, a cidade tem como destaque ser uma das sete que universalizaram o acesso à rede de esgotos.

Maringá tem a terceira menor taxa de mortalidade por doenças crônicas não transmissíveis (224 por cem mil habitantes) e 17ª menor taxa de homicídios (10 mortes por cem mil habitantes). E em educação, os alunos da rede pública do Fundamental I tem a segunda melhor nota no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

O sucesso da cidade se deve ao trabalho em conjunto entre os setores público e privado. Maringá é uma das poucas cidades que nasceram planejadas e, ao contrário de outras, como Brasília, não cresceram de modo desordenado. A vocação para o trabalho em cooperativa também remonta à fundação da cidade. As áreas vendidas no entorno da cidade não tinham mais do que 10 alqueires, o que forçou os empresários e agricultores da cidade a se juntar. “Desde sua fundação Maringá sabe que, para se desenvolver, é preciso unir forças”, diz o prefeito da cidade Ulisses Maia.

O grande salto da cidade foi dado em 1996, com a fundação do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem), um braço da associação empresarial e comercial da cidade. Em períodos eleitorais, os candidatos a prefeito precisam adequar as propostas às diretrizes do Codem. “Os gestores públicos não podem criar políticas e projetos sem consultar o Codem”, diz o prefeito. “Tudo é discutido e cada ação é planejada e se insere num objetivo maior.” Em 2015, os integrantes do Codem contrataram, com recursos do próprio bolso, a consultoria PwC para um projeto ambicioso: o Masterplan 2047. “Nosso objetivo é tornar Maringá a melhor metrópole do interior do Brasil”, diz o presidente do Codem, José Roberto Mattos.

Um exemplo prático de como tudo funciona melhor quando o setor público senta para conversar com a iniciativa privada: para se recuperar de uma crise econômica no final da década de 90, com setores do agronegócio migrando para a região Centro-Oeste, o Codem viu uma oportunidade de desenvolvimento do setor de serviços qualificados, como saúde, educação e tecnologia da informação – um caminho diferente de muitas cidades, que sempre apostaram na atração de indústrias via incentivos tributários. Leia também: As cidades mais inteligentes do Brasil em 11 critérios 

Resultado: além de empregos e crescimento econômico, mais impostos para os caixas municipais. Segundo o sistema tributário brasileiro, o Imposto sobre Serviços (ISS) vai para os cofres municipais, ao contrário do (ICMS), que tem predominância estadual, ou outras contribuições, que vão para os cofres da União. Somente no primeiro semestre, o aumento da arrecadação via ISS no primeiro semestre foi de 21%, com previsão de R$ 180 milhões até o final do ano – 16% dos R$ 1,1 bilhão de receitas previstas.

Eficiência na cobrança

Obter receitas próprias, sem depender dos repasses dos estados e da União, é o principal desafio dos prefeitos das cidades brasileiras, segundo um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Em 2016, 3.714 cidades brasileiras, 82% do total, não geraram nem 20% das receitas. Só em 136, pelo menos 40% da arrecadação vem de tributos municipais, como o ISS, o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e o Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). O efeito disso é que, de acordo com o estudo, 86% dos municípios brasileiros estão em situação fiscal crítica. E, nesse quadro, o nível de investimentos atingiu o menor nível desde 2006 – 6,8% do orçamento das cidades destinados para esse fim.

“A melhor forma de aumentar as receitas próprias é melhorando a eficiência da cobrança dos impostos municipais”, diz Ana Dal Fabbro, gerente de projetos da Fundação Brava, uma ONG que tem como uma de suas atribuições melhorar a gestão fiscal dos municípios. Um dos projetos da Brava é o Otimiza, uma ferramenta online que permite comparar quando uma cidade arrecada de impostos na comparação com outras do mesmo nível de desenvolvimento.

“Se um município consegue arrecadar menos com IPTU do que outro com o mesmo perfil, é sinal de que algo está errado”, diz Dal Fabbro. Macapá (AP), que ocupa a 99ª posição no ranking da Macrolan, poderia arrecadar quase R$ 13 milhões a mais com IPTU – mais do que os quase R$ 9 milhões arrecadado em 2016.

Mudar o perfil de arrecadação de um município não é tarefa simples. “A situação fiscal é complexa e não será resolvida rapidamente”, diz Gláucio Neves, sócio da Macroplan. Nessa situação, é preciso melhorar a produtividade do gasto, ou seja, gastar melhor e entregar melhores serviços à população. A educação é uma das melhores áreas em que gastar mais não garante resultados. Segundo a Macroplan, Porto Alegre foi a cidade com maior gasto por aluno em 2015, 16.681 reais, mas entrega 77° maior nota no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) entre os cem municípios analisados (4,8). Do outro lado, está Joinville (SC), que gastou 4.798 reais por aluno e atingiu 6,9 no Ideb, a terceira melhor. Enquanto a capital gaúcha gastou 3.475 reais por ponto, a cidade catarinense despendeu 695 reais.

Segundo o secretário de Educação de Joinville, Roque Mattei, o bom desempenho no Ideb se deve a investimentos na construção de novas escolas e em tecnologia, como distribuição de tablets para os alunos, lousa digital e internet rápida nas escolas. “Mas o diferencial é o que se consegue fazer sem dinheiro”, diz. Mattei diz que as escolas da cidade podem escolher entre 56 projetos que ajudam a melhorar o desempenho escolar e não custam um centavo à prefeitura. Entre eles, educação financeira, curso de oratória, além de aulas de música e dança. “Contamos com muito trabalho voluntário e doações de empresários locais.”

O projeto mais recente tampouco dependeu de quantias vultosas. Trata-se do “Segredo de Singapura para o Sucesso de Matemática e Ciências.” Em março, a cidade recebeu dois professores de Singapura para treinar 40 professores na metodologia de ensino que fez da pequena ilha do sul da Ásia um destaque educacional global – e que foi fundamental para o salto no PIB per capita de 3400 dólares na década de 60 para 55 mil dólares no ano passado.

O objetivo é incentivar o gosto dos alunos por ciência e matemática deixando de lado as aulas focadas na memorização de conteúdo em favor de maior participação dos alunos. “Queremos desenvolver autonomia, curiosidade e criatividade dos alunos”, diz Mattei, que é vice-presidente nacional da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). Segundo ele, a escola da cidade mais pobre do país pode copiar a metodologia. “Basta ter professores treinados e materiais como caixas, copos plásticos e canudos para o desenvolvimento das atividades.”

Mesmo áreas que não são vistas como de responsabilidade das prefeituras, como segurança pública, se beneficiam quando os gestores municipais arregaçam as mangas. Como Diadema. O município da Grande São Paulo avançou 31 posições entre 2006 e 2016 no ranking da Macroplan para segurança e está na 14ª posição. Segundo Daniel Cerqueira, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e conselheiro do Fórum de Segurança Pública, Diadema foi um dos primeiros municípios a criar políticas na área de segurança pública. Em 2002, a Câmara de Vereadores aprovou a Lei de Fechamento de Bares, que obriga esses estabelecimentos a fechar as portas às 23 horas.

Os resultados apareceram: Em 1999, Diadema era conhecida como a cidade mais violenta do país, com taxa de 105 por cem mil habitantes. Em 2016, caiu para 8,29. “A lei foi criada a partir de um trabalho de inteligência que descobriu que boa parte dos crimes ocorria próximo a bares e depois das 23 horas”, diz Cerqueira.

A Lei Seca de Diadema só deu certo porque atacava um problema previamente identificado. Em outra cidade, ou em outro momento, o remédio poderia ser outro. Por isso, as políticas públicas precisam ser precedidas de estudo de caso, diagnóstico e planejamento. “Num cenário de restrição fiscal, o gestor público não pode contar com chance de erros ou achismos”, diz Neves, da Macroplan. Em Maringá, as políticas criadas pelo Codem e pelos gestores públicos são fiscalizadas pelo Observatório Social, formado por voluntários de diversas áreas. “Polícias que demandam gastos públicos precisam ser fiscalizadas e ter sua efetividade medida”, diz o prefeito. Com zelo pela coisa pública, a gestão melhora, os resultados aparecem – e a população agradece.

Os melhores e os piores exemplos para o país

Um estudo da consultoria Macroplan identificou os municípios que entregam os melhores serviços para a população. Veja os destaques

Os cinco melhores

Maringá (PR)
Piracicaba (SP)
São José do Rio Preto (SP)
Jundiaí (SP)
São José dos Campos (SP)

Os cinco piores

96° Porto Velho (RO)
97° Belém (PA)
98° Belford Roxo (RJ)
99° Macapá (AP)
100° Ananindeua (PA)

Os 5 melhores em educação

Matrículas em creche sobre o total de crianças de 0 a 3 anos

(em %)

Piracicaba 59
Santos 56,5
São José do Rio Preto 55
Jundiaí 43,5
Joinville 36
Média 100+ 29,5

Matrículas na pré-escola sobre o total de crianças de 4 e 5 anos

(em %)

Piracicaba 100
São José do Rio Preto 100
Jundiaí 100
Santos 100
Joinville 96
Média 100+ 84,5

Nota do Ideb Ensino Fundamental I

Joinville 6,9
Jundiaí 6,8
São José do Rio Preto 6,7
Piracicaba 6,6
Santos 6,1
Média 100+ 5,6

Os 5 melhores em saúde

Taxa de mortalidade infantil

(por mil nascidos vivos)

Joinville 5
Florianópolis 6
Blumenau 7
Maringá 8
Palmas 11
Média 100+ 12

Taxa de mortalidade prematura por doenças crônicas não transmissíveis

(por cem mil habitantes de 30 a 69 anos)

Palmas 179
Maringá 226
Blumenau 227
Florianópolis 247
Joinville 261
Média 100+ 319

Cobertura atenção básica

(em %)

Florianópolis 100
Blumenau 99
Maringá 86
Palmas 85
Joinville 62
Média 100+ 59

Os 5 melhores em segurança

Taxa de homicídios

(por cem mil habitantes)

São Bernardo do Campo 4,5
Santos 6
Mauá 7
Santo André 10
São Paulo 10
Média 100+ 32

Taxa mortes no trânsito

(por cem mil habitantes)

Mauá 5,5
Santos 8,5
São Paulo 9
Santo André 9,5
São Bernardo do Campo 9,5
Média 100+ 13

Os 5 melhores em saneamento e sustentabilidade

Índice de esgoto tratado

(em % à água consumida)

Limeira 100
Maringá 99
Franca 98
Santos 98
Cascavel 95
Média 100+ 53

Cobertura de coleta de lixo

(em % da população)

Santos 100
Cascavel 99
Franca 98
Maringá 98
Limeira 97
Média 100+ 98

Fonte: Macroplan “Desafios da Gestão Municipal 2018”

Gestão estratégica

Desafios da Gestão Municipal 2018 | DGM

O DGM apresenta uma análise da evolução recente das 100 maiores cidades brasileiras em termos populacionais (acima de 273.000 habitantes) que respondem por mais da metade de tudo que é produzido no Brasil.

​A evolução dos municípios na década é retratada no Índice dos Desafios da Gestão Municipal (IDGM) que reúne15 indicadores em quatro áreas críticas para a gestão pública: (1) Educação, (2) Saúde, (3) Segurança e (4) Saneamento e Sustentabilidade. Para cada área foram identificados os municípios de destaque, com as melhores posições e com as maiores evoluções.

O estudo fornece uma análise comparativa e temporal das cidades brasileiras que permite identificar os principais problemas e as soluções no âmbito da gestão municipal.

Confira o site do estudo:

https://www.desafiosdosmunicipios.com/

Gestão Pública

A reforma e a reinvenção do Estado são essenciais para que que o Estado recupere sua capacidade de servir à população.

A máquina pública brasileira tem um custo excessivamente elevado e baixa produtividade.  O projeto de reforma e reinvenção do Estado é a solução recomendada pelo economista Claudio Porto, diretor fundador da Macroplan, para que o país possa voltar a crescer de forma sustentável e o Estado recupere sua capacidade de servir à sociedade.

Em palestra no Forum de Gestão Pública do Conselho Federal de Administração (CFA), ele destacou os compromissos que os novos governates eleitos devem assumir para o País alcançar o desenvolvimento e o bem-estar social. Para ele, é preciso, primeiramente, que a importância desta agenda de reformas seja reconhecida . Igualmente importante é a  coalizaçao de forças políticas e sociais que  patrocinem este projeto. Assista aqui  à palestra de Claudio Porto:

http://cfaplay.org.br/as-cobrancas-da-cidadania-paradigmas-para-um-novo-governo/A

Inovação na gestão pública

O desenvolvimento de longo prazo é obtido através de uma construção social e exige planejamento e execução disciplinada

Em entrevista à TV Ceará sobre o plano de desenvolvimento do Estado para os próximos 30 anos, o diretor da Macroplan, Glaucio Neves, e o pesquisador Rivadávia Neto, analisam inovações de gestão e inovações sociais que realmente possam gerar resultados positivos para a população. Glaucio Neves destaca a importâancia de se buscar inspiração em ‘benchmarks’ internacionais, mas que precisam ser “traduzidos” para o contexto brasileiro.
Assista aqui a entrevista completa do Programa ‘Tendências – Ceará 2050’

Gestão Pública

Instituições fortes, meritocracia e continuidade de políticas são essenciais para alcançar uma governança eficiente e sólida

Para que o País possa alcançar uma governança sólida e eficiente é preciso ter instituições fortes, meritocracia e dar continuidade a políticas e estratégias essenciais. A avaliação é do diretor e fundador da Macroplan, Claudio Porto, em entrevista ao programa Panorama da Gestão Pública, da TV Cultura, e que contou ainda com o diretor do Conselho Federal de Administração Pública, Mauro Kreuz.
Para Claudio Porto, é preciso regenerar a política e reinventar o Estado brasileiro, para que este volte a servir à sociedade. Veja aqui a íntegra da entrevista http://tvcultura.com.br/videos/65324_panorama-gestao-publica-05-06-2018.html

Cenário econômico

Reformas prioritárias e a reinvenção do Estado são necessidades imperiosas para o Brasil voltar a crescer

Em entrevista ao canal do Conselho Federal de Administração (CFA), o diretor fundador da Macroplan, o economista Claudio Porto, diz que o Brasil precisa fazer as reformas prioritárias e reinventar o Estado para trilhar novamente a rota do crescimento sustentável. Para Porto, “o Estado brasileiro está esgotado. Entrega pouco para o que custa, mantém privilégios inaceitáveis e está se tornando obsoleto”. O economista afirma que o Brasil desperdiçou oportunidades, sobretudo a partir de 2014, ao buscar políticas heterodoxas de desenvolvimento que resultaram em desastres econômicos”. Veja a íntegra da entrevista:

Planejamento estratégico

Fortalecer municípios é forma efetiva de tornar Estados mais competitivos

Do jornal A Crítica (MS)
Campo Grande (MS) – Tônica da atual gestão do Governo do Estado, o fortalecimento dos municípios para melhorar a qualidade de vida da população foi o tema da 20° edição do Fórum de Governadores do Brasil Central (BrC), realizado nesta sexta-feira (25/5) em Cuiabá, no qual a vice-governadora Rose Modesto representou o governador Reinaldo Azambuja.
“A gestão municipalista está presente desde o início do nosso Governo por acreditarmos que o fortalecimento dos municípios é uma forma efetiva de tornar os Estados mais competitivos”, destacou a vice-governadora. “Por meio dessa parceria do Estado com as prefeituras conseguimos avançar mais rápido na melhoria dos serviços oferecidos à população sul-mato-grossense, principalmente considerando o cenário de restrição de recursos que vivemos e que requer maior eficiência na execução e articulação das políticas públicas”, completou ela.
No evento, Rose Modesto lembrou dos investimentos feitos pelo Governo do Estado em áreas importantes apontadas pelo Consórcio como estratégicas para melhorar a vida da população. Na Saúde, além dos 37 mil procedimentos oftalmológicos e 25 mil cirurgias eletivas feitas pela Caravana da Saúde, o Estado tem implantado amplo projeto de regionalização criando polos de atendimento para acabar com o deslocamento e a superlotação.

Na educação, foram mais de R$ 68,8 milhões em melhorias na infraestrutura da rede de ensino já existente, melhorando o ambiente escolar e contribuindo para aumentar o rendimento dos alunos. E na segurança os municípios tiveram as forças policiais equipadas com veículos, equipamentos e armamentos com investimentos de R$ 120 milhões pelo MS Mais Seguro.
“Nós precisamos de aliança com os municípios para melhorar a qualidade de vida da população”, reforçou o anfitrião do evento, governador do Mato Grosso Pedro Taques. Ele destacou a importância do Consórcio Brasil Central para melhorar os indicadores educacionais, de saúde, diminuir os índices de criminalidade, proteger o meio ambiente e integrar a logística de modo a fazer os estados integrantes cada vez mais competitivos.
“Existem várias experiências positivas nos estados, mas nosso desafio é avançar nas três áreas centrais de saúde, educação e segurança nos 875 municípios que integram o consórcio”, explicou ver Gustavo Morelle, da consultoria Macroplan, que fez um mapeamento da situação nos sete estados que integram o Brasil Central.

Outras ações
No evento foram discutidas também questões relacionadas à Lei Kandir e acordado o envio ao Governo Federal de uma carta de Cuiabá assinada pelos estados integrantes do consórcio em relação à responsabilidade da União sobre a tributação da alíquota do Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do óleo diesel, tema da greve de caminhoneiros que assola o País.
O Governo do Estado encaminhou ainda pedido de apoio do Governo Federal para inclusão da Sudeco no projeto de lei 656/2015 aprovado pelo Senado Federal e em fase de aprovação pela Câmara dos Deputados, que prevê a prorrogação do imposto de renda em 75% para os empreendimentos feitos pelos estados. Pelo texto atual, está prevista prorrogação somente para a Sudene e Sudan, ficando os estados da região Centro-Oeste de fora do benefício. Para o Estado, a inclusão é necessária a fim de garantir a competitividade das empresas do Centro-Oeste em condições de igualdade com as outras regiões.

Estiveram também presentes no evento o governador José Eliton (GO), o vice-governador Carlos Brandão (MA), os secretários de Planejamento Renato Ribeiro (DF) e Pedro Pimentel (RO), e representantes dos ministérios da Educação, Roberval Furtado, e da Saúde, Jocelino Menezes. Participaram do fórum a equipe técnica do Governo do Estado de MS, formada pelo secretário-adjunto de Governo e Gestão Estratégia (Segov) e membro do Conselho Administrativo do Consórcio BrC, Jader Afonso; o superintendente de Gestão estratégica Thaner Nogueira; o secretário-adjunto de Educação, José Mario; a superintendente da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Vera Lúcia Kodjaoglanian; o coronel André Luiz Saab, representando a Secretaria de Justiça e Segurança Pública; o delegado Edilson dos Santos pela Polícia Civil; e a coordenadora de Políticas para o Ensino Fundamental da Secretaria de Estado de Educação (SED), Eleida Arce; e a assessora-executiva do Brasil Central em MS, Magda Corrêa.

Cenário econômico

Planejamento e modelagem do setor são essenciais para tornar transporte ferroviário brasileiro competitivo

Do CORREIO BRASILIENSE
Governo busca novo modelo para ferrovias para melhorar transporte de carga
Simone Kafuri
Prorrogação de cinco concessões e divulgação de editais para obras em outros trechos, prometidas para este ano, são apostas para dinamizar o setor e melhorar o transporte de carga no país. Potencial de investimentos é de R$ 45 bilhões em 30 anos

O transporte ferroviário foi relegado a segundo plano por tempo demais no Brasil e nunca decolou, apesar de ser o modal de cargas mais competitivo em um país que exporta, sobretudo, grãos e minério de ferro. Agora, o governo de Michel Temer promete aprovar a prorrogação de cinco concessões e publicar os editais das ferrovias Norte-Sul, Ferrogrão e Integração Leste-Oeste (Fiol). Para os especialistas, não será possível tirar décadas de atraso em um único ano — muito menos em 2018, com eleições —, mas dá para preparar o terreno e costurar uma modelagem mais viável para o setor. Um ambiente sem tantas amarras e regulação, apostam, estimularia a iniciativa privada a aportar os investimentos necessários, que são bilionários.

Para o presidente da Macroplan, Claudio Porto, o país acumulou erros nesta área desde a primeira privatização. “A malha ferroviária é muito peculiar, foi um aprendizado. Mas todas as tentativas seguintes de aumentar a competição falharam, por serem caras e ineficazes. Quando o setor público assumiu os projetos, como no caso da Norte-Sul, que está em obras há mais de 20 anos, conseguiu juntar incapacidade com corrupção e travas burocráticas”, afirma.

A prorrogação de cinco concessões, que devem gerar R$ 45 bilhões em investimentos em três décadas, sendo R$ 25 bilhões nos primeiros cinco anos, segundo a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), é uma fórmula eficaz para acelerar o crescimento do setor. “Isso, porém, não deve servir como modelo definitivo. Temos que reduzir os passivos, mas buscar alternativas. Estamos perdendo muito tempo”, diz Porto, que defende a desregulação do setor. “Quando se criam travas excessivas, estimula-se a judicialização, que é o pior dos mundos e se reduzem a qualidade do serviço e o interesse do setor privado. Além disso, abre-se margem para a corrupção.”
Salto
Uma modelagem estável e gestão eficiente da implantação dos projetos podem garantir o salto que o setor merece, na avaliação do presidente da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios (Inter.B), Cláudio Frischtak. “Apesar de o governo mostrar boa vontade, acho muito difícil conseguir resolver tudo neste ano eleitoral. A anuência dos órgãos técnicos e de controle é necessária”, explica. “O governo quer se certificar de que as empresas darão direito de passagem a outras companhias. Quanto mais abertos os trilhos, melhor, desde que a remuneração seja justa para se ter uma boa manutenção”, aponta.

“As prorrogações sairão este ano. Não vão ficar para o ano que vem”, assegura Tarcísio Gomes de Freitas, secretário de Coordenação de Projetos do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). “As consultas públicas serão realizadas em junho. Os projetos da Rumo Malha Paulista (mais avançados das cinco prorrogações em estudo) já estão em fase final de análise. O processo seguirá para o TCU (Tribunal de Contas da União)”, ressalta.

O diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Mário Rodrigues, diz que as prorrogações vão permitir corrigir distorções, como a existência de trechos não usados. “Outro passo fundamental são as novas concessões. O edital da Ferrovia Norte-Sul será lançado no segundo semestre. Estamos começando a priorizar a Ferrogrão para finalizar até o fim do ano”, afirma. “Temos a meta de incluir a Fiol em 2018”, arrisca o ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Valter Casimiro Silveira.

Júlio Fontana Neto, presidente da Rumo, está confiante em que o cronograma da ANTT para as concessionárias que querem prorrogação vai se cumprir. “O nosso projeto foi o primeiro. Tivemos que montar o processo, que é complexo, por isso demorou mais. Agora, a pinguela está aberta”, diz. O executivo revela que o projeto da Rumo pretende mudar o modelo de trem usado para atingir a expansão prometida. “Vamos sair de trens de 80 vagões para 120 vagões, então temos que investir em pátios, para tudo estar pronto em 2020. Serão R$ 8 bilhões para dobrar a capacidade”, conta.

Setor quer flexibilidade
Para o diretor-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Fernando Paes, após 21 anos de implantação do sistema de concessão de ferrovias à iniciativa privada, o processo deu certo, mas precisa avançar para que a qualidade e a eficiência dos serviços melhorem.

“Os números são favoráveis. A quantidade de carga aumentou mais de 100%. Os acidentes se reduziram em 85%. O caminho para desafogar a logística no Brasil passa pela ampliação das ferrovias. É preciso pensar num novo modelo, menos regulado”, defende Paes.

O executivo comenta que o exemplo dos Estados Unidos, que abriu o setor na década de 1980, aponta para ganho de eficiência e mais investimentos. “Lá, eles têm total liberdade tarifária e contratual. Isso está longe da nossa realidade. Mas, em alguns pontos, temos paralelo no Brasil”, afirma.
Pleitos
Quando os Estados Unidos flexibilizaram a regulação, as empresas podiam abandonar as linhas antieconômicas. “Isso fez surgir a indústria das pequenas ferrovias. Alguns trechos podem não ser viáveis para as grandes transportadoras, mas fazem sentido em outro modelo de negócio”, avalia. Por isso, um dos pleitos do setor, no Brasil, é que os trechos que sejam economicamente inviáveis possam ser devolvidos ao poder concedente, ou seja, à União.

“O governo tem de desenvolver um formato diferente de exploração, que não seja tão rígido como concessão, um modelo com custo operacional mais baixo”, argumenta Paes.
Estudos
Nos Estados Unidos, continua Paes, depois da flexibilização do modelo, surgiram aproximadamente 600 shortlines, pequenas linhas ferroviárias que carregam 40% da carga, enquanto seis grandes companhias puderam baratear as tarifas dos troncos ferroviários.

“No Brasil, podemos adaptar minimamente esse modelo. o sistema de concessões funcionou, e os números mostram isso, para os principais corredores. Os secundários foram deixados em segundo plano, porque o nosso arcabouço regulatório é muito pesado”, afirma.

O diretor da ANTF explica que as empresas estão realizando estudos para ajudar o governo a saber o que fazer com esses ramais. “Para isso funcionar, é preciso que o custo seja menor e que a regulamentação seja mais leve.Queremos contribuir e apontar o caminho”, acrescenta.

Planejamento estratégico

O que as organizações estão fazendo para antecipar as mudanças e atender as exigências crescentes de seus clientes?

No mundo de hoje, três capacidades estratégicas são essenciais para superar os desafios que são postos para nossas organizações, governos ou sociedades: visão de longo prazo, para fazer as melhores escolhas, inovar e liderar pela antecipação; agilidade e resiliência, para responder com velocidade e qualidade aos eventos inesperados que a realidade imediata nos impõe.

Compartilhamos, no vídeo a seguir, entregas recentes com as quais a Macroplan contribuiu, todas elas reúnem soluções que conjugam as três capacidades citadas, cada qual dentro dos seus contextos específicos.

A Macroplan tem orgulho de, há 30 anos, ajudar as organizações a enfrentar complexidade com soluções robustas para entregar resultados com visão de futuro.

Veja como a Macroplan pode ajudar as EMPRESAS, GOVERNOS e INSTITUIÇÕES.

Estratégia organizacional

Transição do portfólio de negócios das grandes empresas de petróleo exige estratégias coordenadas

DO VALOR ECONÔMICO – REVISTA SETORIAL ENERGIA
– PRESENÇA DOMINANTE POR MUITO TEMPO –

Potencial de exploração no Brasil favorece estratégia da Petrobras e não impacta oferta de produtos da empresa.
(Por Simone Goldberg)

Enquanto os combustíveis fósseis se encaixarem em uma equação econômica viável, eles continuarão a dominar a matriz energética mundial. Além disso, como observa o sócio-líder do Centro de Energia e Recursos Naturais da consultoria EY, Carlos Assis, há um ciclo de investimentos que está se iniciando com as recentes rodadas de licitação de área de exploração de petróleo no Brasil e as potencialidades das reservas do pré-sal, com novos leilões previstos.

O consultor estima que em menos de vinte anos dificilmente ocorrerá uma mudança de maior impacto na oferta de produtos da Petrobras, embora haja um consenso na indústria mundial e energia que aponta para o caminho das “revoluções das renováveis” – e essas fontes ganharão presença bem mais significativa que a atual na matriz energética.

“Mas não há consenso sobre em quanto tempo esse cenário vais ser atingido”, observa Assis. Essa “revolução” faria a participação dos combustíveis fósseis na matriz mundial cair de cerca de 80% para 56% enquanto as renováveis praticamente dobrariam sua participação, chegando a quase 30%. Estes dados reforçam a percepção de que a indústria do petróleo, nos moldes atuais, está em uma fase crepuscular, tendo um horizonte de amplo domínio na matriz energética mundial ainda de cerca de 40 anos.

É o que pensa o fundador da consultoria Macroplan, Claudio Porto. “A guinada para uma economia de baixo carbono é um movimento estratégico que as grandes economias e as empresas de energia estão fazendo para sintonizar-se competitivamente com as mudanças climáticas e as novas exigências dos consumidores”.

No entanto, acrescenta ele, essa transição dos portfólios de negócios das grandes empresas de petróleo tem que ser feita gradualmente e, mesmo em um cenário com mudanças aceleradas, “provavelmente o petróleo só deixará de ser dominante no protfólio da Petrobras na segunda metade deste século”.

Atualmente, a Petrobras investe em novas áreas e em aumento da produção de óleo e gás natural, seu foco principal. Mas, ao mesmo tempo, incorporou em seu plano de Negócio e Gestão (PNG) 2018-2022, em dezembro passado, a transição para uma economia de baixo carbono. Está reduzindo as emissões de seus processos produtivos, investindo em novas tecnologias para reduzir o impacto na mudança climática e desenvolvendo negócios de alto valor em energia renovável.

A empresa aderiu, em janeiro passado, durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, à Iniciativa Climática de Petróleo e Gás (OGIC, na sigla em inglês), lançada em 2014 e que já conta com dez petroleiras signatárias. O caminho para a transição rumo a uma economia de baixo carbono é o aumento da participação do gás natural no mix de produtos, segundo destacou o presidente da Petrobras, Pedro parente, em painel sobre energia no Fórum.

Para isso a estatal brasileira pode investir no exterior, já que no brasil os campos costumam ter volume muito maior de petróleo do que de gás, que vem associado. O PNG 2018-2022 sinaliza investimentos de US$74,5bilhões, no mesmo nível do plano anterior, dos quais 81% vão para exploração e produção, e 18% para refino e gás natural e o restante para as demais áreas.

De acordo com o planejamento, a produção total da petroleira, considerando óleo e gás e as operações no exterior, subirão de 2,7 milhões de barris em 2018 para 3,5 milhões de barris por dia em 2022. Só no Brasil, esse volume será de 3,4 milhões de barris de óleo equivalente (boe) em 2022. A maior parcela da produção é oriunda do pré-sal. “O gás natural é o elo de transição mais imediato para o baixo carbono. E tem que ser priorizado como combustível local e base da geração industrial de energia e calor”, analisa o consultor Jean Paul Prates.

Mas ele ressalta que, além dos investimentos da Petrobras no setor, é preciso regulação e política de preços que priorizem o desenvolvimento de um mercado doméstico acessível e longevo. Prates também vê, na experiência de operações marítimas da estatal, perspectiva para o desenvolvimento da próxima fase de nossa indústria eólica, que será o “offshore”.

A Petrobras busca diminuir emissões com o melhor aproveitamento do gás, reduzindo a queima em tocha, e da eficiência das termelétricas e acompanhando as emissões de fornecedores e produtos. A empresa quer usar sua experiência no mercado elétrico e de fontes renováveis de energia para desenvolver oportunidades que combinem tecnologia e modelos de negócios inovadores.

Dados do relatório de Sustentabilidade 2017 mostram que a Petrobras conta com uma capacidade instalada de geração elétrica de 6,4 mil megawatts (MW) médios, considerando usinas próprias e participações. Em 2017 suas termelétricas geraram 3.165 MW médios, com 2.982 MW a partir de gás natural e 183 MW com óleo combustível. Na participação com quatro empreendimentos eólicos, a estatal gerou 19 MW. Outro 1,9 MW foi gerado nas participações em duas centrais hidrelétricas, 0,9 MW na biomassa e 0,2 MW médio na planta fotovoltaica da empresa no Rio Grande do Norte, que tem capacidade para 1 MW.

A energia eólica é uma das fontes renováveis em que a Petrobrás vê sinergias com seus negócios atuais e com o sistema elétrico brasileiros. Está montando uma planta-piloto de geração eólica offshore, na baia potiguar, no Nordeste, visando entender o potencial dessa alternativa e obter informações para subsidiar decisões futuras de empreendimentos no setor. A previsão da empresa é ter a unidade instalada até meados de 2021.

Embora esteja vendendo ativos de biocombustíveis, a Petrobras continua desenvolvendo tecnologias para fabricação de produtos derivados de resíduos agrícolas e admite retornar ao segmento no futuro com outros modelos de negócios. Para a pesquisadora de energia da FGV, Fernanda Delgado, os biocombustíveis, por serem líquidos, poderiam se beneficiar da infraestrutura que a Petrobras já possui para lidar com os derivados de petróleo, mas não vê a empresa interessada nisso no curto prazo. “A Petrobras ainda está focada no petróleo e em poços mais produtivos. Os preços do barril subiram, o que é favorável à empresa e ao Brasil que exporta muito óleo”. Essa preocupação da estatal com uma economia de baixo carbono é, para a pesquisadora, “institucional” e serve como uma “licença para operar”, dando uma satisfação à sociedade.

Fernanda lembra que há uma movimentação mundial para atender aos compromissos do Acordo de paris – pelo qual os países signatários acertaram um esforço para limitar o aquecimento médio do planeta em 2 graus Celsius até o fim do século, em relação aos períodos pré-industrial – e cita os avanços da China, que é a maior provedora de equipamentos para energia eólica e solar.
Enquanto toca sua transição para a economia de baixo carbono, a Petrobras seguei no caminho de recuperar sua capacidade financeira, abalada com os escândalos de corrupção que a envolveram e aumentar a sua produção. Uma das aliadas nesta empreitada, além do programa de venda de ativos, têm sido as parceiras estratégicas com outras petroleiras estrangeiras, como a francesa Total, a chinesa CNPC, a norueguesa Statoil, a americana ExxonMobil e a britânica BP.

Com a Total, a Petrobrás assinou transações no valor de US$2,2 bilhões. Vendeu parcela nos campos da Lapa e Iara, no pré-sal da bacia de Santos, além de 50% da Termobahia, e fechou acordos de parcerias nos segmentos de exploração e produção e também abastecimento e distribuição e cooperação tecnológica, envolvendo áreas operacionais e de pesquisa.

Outros US$2,9 bilhões foram obtidos da Statoil, a partir da venda de uma participação de 25% no campo de Roncador, na bacia de Campos. Foram assinados acordos de cooperação técnica para aumentar o volume recuperável de petróleo e para compartilhamento de infraestrutura de exportação de gás. Já com a ExxonMobil, a estatal integra consórcio para a exploração de seis blocos offshore na bacia de Campos e assinou memorando de entendimento para cooperação em exploração e produção, gás e produtos químicos no Brasil e no exterior.

Com a BP, a parceria também se dá em consórcio, desta vez para exploração das áreas de Peroba e Alto de Cabo Frio Central, no pré-sal, além de uma carta de intenções para cooperação em diversas área da cadeia do petróleo. Já com a chinesa CNPC, há também parceira para explorar Peroba e um memorando de entendimento para cooperação em oportunidades no Brasil e fora do páis em todos os segmentos da cadeia, incluindo financiamento.

Para Claudio Porto, da Macroplan, essas parcerias são estratégias eficazes por trazerem complementações estruturais e sinérgicas, especialmente porque são firmadas com empresas capitalizadas, com potencial para acelerar investimentos. “E que têm interesse no grande mercado nacional e mesmo global, já que a indústria do petróleo é global por excelência”, diz
Já Assis, da EY, vê o cenário de alianças e parcerias como estrategicamente importantes não só para a Petrobras e demais petroleiras estrangeiras, mas também para a indústria de óleo e gás e a cadeia de fornecimento, que ganham com a diversificação de atores no mercado, pela perspectiva de ganhos de escala operacionais e pela cooperação tecnológica e de inovação.

A Petrobras também planeja colocar novas plataformas em produção e vem rompendo seu portfólio de áreas. Até 2022 serão 19 novos sistemas produtivos, sendo oito em 2018. Na 15ª Rodada de Licitações, realizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em março, pelo regime de concessões, a Petrobras adquiriu sete blocos marítimos, sendo uma sozinha e os outros seis em consórcios diversos com empresas como ExxonMobil, Shell, Statoil e QGI Brazil.

A 15ª Rodada bateu recorde de arrecadação em bônus de assinatura: mais de R$8 bilhões. O número poderia ter sido maior se os dois blocos mais atrativos não tivessem sido retirados do certame pelo Tribunal de Contas da União (TCU),, por estarem em área próxima ao pré-sal. A presença de treze empresas de onze países disputado a etapa marítima – sendo que doze delas arremataram blocos (duas nacionais e dez de origem estrangeira) – evidencia a atratividade do offshore nacional. Os investimentos na fase de exploração, segundo a ANP , deve gerar em trono de US$1,2 bilhão. Não houve oferta para os blocos terrestres.

Em junho ocorrerá o quarto leilão de áreas do pré-sal e o governo, no começo de abril, negociava com o TCU para incluir no certame os blocos retirados da 15ª Rodada. O Ministério das Minas e Energia (MME) também quer fazer, no segundo semestre, um megaleilão para ofertar excedentes da cessão onerosa.

Para o analista de petróleo da consultoria Tendências, Walter de Vitto, o próximo leilão de pré-sal deve manter em alta o interesse de investidores de fora, já que as reservas nacionais são bastante atraentes. A Petrobras, acredita, tende a repetir o comportamento do ano passado. “A expectativa é que ela atue de forma semelhante aos últimos leilões recentes, participando de forma seletiva e buscando parcerias”, observa.

Em 2017, a Petrobras adquiriu, em parceria com a ExxonMobil, seis blocos na bacia de Campos, vendidos na 14ª Rodada, realizada em setembro. Cada um tem 50% e a estatal será a operadora. Também levou um campo terrestre. Em outubro, nos leilões de pré-sal, a estatal levou os três blocos pelos quais havia declarado interesse: Entorno de Sapinhoá, onde ficou com 45%, a Shell, com 30% e a Repsol com 25%. Em Peroba a estatal brasileira ficou com 40%, a BP com 40% e a chinesa CNODC, subsidiária da CNPC, com 20%. Já em Alto de Cabo Frio, a Petrobras e a BP têm 50% cada uma
Entre as multinacionais, a Shell é uma das mais ativas. Está investindo, desde 2016, mais de US$2 bilhões por ano até 2020, sem contar as aquisições de 2017, as novas conquistas em março passado e as futuras aquisições de áreas. Produz atualmente uma média de 350mil barris de petróleo equivalente diários, 90% oriundos de ativos não operados na bacia de Santos. O restante vem dos campos de BC-10 e Bijupirá e Salema, localizados na bacia de Campos e operadas pela própria Shell.

Outro exemplo de interesse crescente no Brasil é a norueguesa Statoil, que já anunciou seu desejo de triplicar sua produção no país até 2030. Na 15ª Rodada, a empresa adquiriu quatro blocos com parceiros diversos.

A ExxonMobil, que no ano passado já havia comprado diversos blocos na 14ª rodada, alguns sozinha, outros em consórcios – seis deles em sociedade somente com a Petrobras na bacia de Campos – levou nesta última venda oito áreas em parcerias diversas.