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Gestão Estadual

Poucos estados atingirão metas sociais nos próximos anos. Inovação na gestão será relevante para gerar resultados

Em DCI, Por Liliana Lavoratti

Mudanças radicais na gestão dos estados
Novos governadores terão de inovar para evitar o retrocesso nas áreas sociais e econômica nos próximos anos, diante da escassez de recursos

A nova safra de governadores terá de realizar mudanças radicais na forma de gerir os estados para evitar a estagnação e até o retrocesso nos campos econômico e social nos próximos anos. É o que prevê a consultoria Macroplan, com base em seu estudo Desafios da Gestão Estadual (DGE, www.desafiosdosestados.com) que, em sua quarta edição, avalia o desempenho das unidades da federação na última década e traz projeções para 2022. Foram analisados 32 indicadores de 10 áreas – educação, capital humano, saúde, segurança, infraestrutura, desenvolvimento econômico, juventude, desenvolvimento social, condições de vida e institucional.

População com baixa tolerância

O estudo destaca que os estados tiveram melhorias muito heterogêneas e até mesmo aqueles com as melhores posições ainda têm muito a avançar. O diretor da Macroplan e coordenador do estudo, Gustavo Morelli, destaca que nos próximos quatro anos haverá uma escassez estrutural de recursos à disposição dos governos estaduais e alerta que os novos governadores terão que lidar com uma população pouco tolerante com a má qualidade e o elevado custo dos serviços básicos, bem como os desvios éticos, a corrupção e má destinação dos recursos públicos.

Mortalidade infantil ainda elevada

Mantida a trajetória dos últimos cinco anos, apenas três estados atingirão, em 2022, a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), de 50% das crianças na creche. Seguindo a tendência da última década, nenhum estado alcançará as suas metas do IDEB do ensino médio em 2021. Apesar dos avanços na última década, as projeções para 2022 indicam que a maioria dos estados ainda terão índices de mortalidade infantil superiores ao considerado aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS), de 10 por mil nascidos vivos.

Diagnóstico preciso e foco na ação

Em 2022, o acesso a saneamento básico adequado tende a estar distante da universalização na maioria dos estados, enfatiza o estudo da Macroplan. Para a coordenadora técnica do estudo, Adriana Fontes, é preciso acelerar a velocidade dos avanços e as boas práticas de outros estados podem ajudar nesse processo. O estudo mapeou as iniciativas adotadas onde houve grandes avanços nos indicadores. As práticas apontam para a importância de diagnósticos precisos do problema, ações integradas e gestão com foco em resultados e uso intensivo de dados.

Continuidade de políticas

Para a Macroplan, os governadores terão que inovar e profissionalizar a gestão, cujos desafios serão cada vez maiores e, em alguns aspectos, diferentes dos enfrentados até alguns anos atrás. A consultoria recomenda, ainda, maior atenção à continuidade das políticas que apresentem bons resultados. “Se a cada quatro anos tivermos uma interrupção no conjunto de políticas, vamos continuar com dispersão de recursos e esforços sem conseguir produzir resultados relevantes”, alerta Gustavo Morelli. Infelizmente, isso dependerá de algo mais profundo, uma mudança de cultura.

Gestão Estadual

Crise econômica dos últimos anos impôs graves perdas aos Estados e processo de recuperação tende a ser lento

Em O Povo – por Irna Cavalcante

Em dez anos, Segurança teve maior retrocesso de gestão no Ceará

Estudo Desafios da Gestão Estadual (DGE), da Macroplan, mostra que, em igual período, houve ganhos expressivos em Educação, a terceira melhor do País

A conclusão é do estudo Desafios da Gestão Estadual (DGE), elaborado pela consultoria Macroplan, especializada em cenários futuros e gestão pública, que mostra que o Estado, dentre os governos, ocupa a 14ª posição no ranking das 27 unidades da federação.

Esta é a quarta edição do levantamento feito em parceria com o Movimento Brasil Competitivo. A primeira foi em 2014. Cruzando dados de 32 indicadores de dez áreas (Educação, Capital Humano, Saúde, Segurança, Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico, Juventude, Desenvolvimento Social, Condições de Vida e Institucional), o estudo chega ao Índice dos Desafios da Gestão Estadual (IDGE). O resultado varia de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de 1 melhor o desempenho.

De acordo com o relatório de 2018, que usa dados de 2017 como referência, o IDGE do Ceará é de 0,468. Em 2007, era de 0,358 e o Estado ocupava a 12ª melhor colocação. Ou seja, apesar da melhora no nível de serviços prestados na última década, em outros estados a transformação foi ainda mais rápida. Hoje a média brasileira é de 0,535. “Em geral, o Brasil inteiro avançou, e o Ceará também, mas alguns estados os avanços foram mais significativos”, explica o coordenador da Macroplan, Gustavo Morelli.

Rondônia, por exemplo, subiu doze posições no ranking em dez anos e hoje está em 12º. Já o Amapá foi ultrapassado por 11 estados e está na lanterna. Pelo estudo, o Distrito Federal (DF) é considerado a unidade federativa que melhor entrega serviços para a população.

No caso do Ceará, chama atenção o avanço nos indicadores educacionais, tanto no trabalho das creches, Ensino Fundamental I e II, quanto no Ensino Médio. O que fez com que o Estado pulasse da 8ª para 3ª colocação. O estudo destaca articulação as prefeituras; monitoramento e avaliação das escolas, com definição de metas no curto, médio e longo prazo; gestão intensiva das secretarias de educação e das escolas; e incentivo financeiro aos municípios por meio da vinculação do repasse do ICMS aos resultados da educação.

Já na área de Segurança, Morelli pondera que a piora acompanhou o que aconteceu no restante do País, embora estados como o Espírito Santo tenham sido ponto fora da curva.

Ele explica que crise econômica dos últimos anos impôs muitas perdas na arrecadação pública e para muitos estados também retrocessos nos campos econômico e social. E o processo de recuperação tende a ser lento. “A população está mais impaciente. Então, esta safra de gestores tem o desafio de entregar mais serviços, com resultados melhores, mas com menos recursos”.

Resultado 

Quando se trata de Capital Humano, o relatório indica que o Ceará ainda patina na 22ª posição, a mesma de dez anos atrás.

Cenário econômico, Gestão Estadual

A alocação do gasto precisa ocorrer de forma adequada

Em Correio Braziliense – por Hamilton Ferrari e Renato Souza

78 milhões de brasileiros não têm acesso a direitos básicos, aponta IBGE

Em 2017, quase 78 milhões de pessoas não tinham acesso a saneamento básico, 27 milhões viviam em domicílios com inadequação e 58 milhões sofriam restrição à educação

Com grau preocupante de desequilíbrio nas contas públicas e ineficiência de políticas para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros, o país terá grande desafio para reverter a alarmante precariedade dos serviços públicos. Estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que milhões de pessoas não têm acesso adequado a direitos básicos, como moradia, saneamento e educação. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, terá não só de alcançar o equilíbrio fiscal do país, mas também aumentar a produtividade do setor público, avaliam especialistas.

Após o pleito de outubro, os governadores eleitos se reuniram com o futuro chefe do Executivo nacional para tratar da ampliação do acesso aos recursos públicos. A equipe econômica do governo de transição disse que falta dinheiro para concretizar a vontade dos gestores, situação que vai permanecer enquanto mudanças estruturais não forem implementadas no Brasil.

De acordo com o IBGE, em 2017, 27 milhões de pessoas viviam em domicílios com inadequação, sendo que 12,2 milhões estavam em “adensamento excessivo” — quando a residência tem mais de três moradores por dormitório. Além disso, quase 78 milhões de pessoas não tinham acesso a serviço de esgoto. Especialistas defendem que as atuais políticas de saneamento não estão sendo suficientes para mudar a vida dessas pessoas.

Os dados educacionais também desanimam. Apesar da meta do Plano Nacional de Educação (PNE) de universalizar o acesso de crianças de 4 e 5 anos a escola ou a creche, uma obrigatoriedade prevista em lei, o percentual ficou em 91,7%. Pelo estudo, mais de 58 milhões de brasileiros tinham restrição de acesso à educação.
O professor Sérgio Praça, pesquisador da Escola de Ciências Sociais da FGV-RJ, destacou que os problemas são históricos e precisam de grande esforço político para serem resolvidos. “A partir da Constituição de 1988, se assumiu o compromisso de universalizar a saúde e a educação. No entanto, nesse período, ocorreram diversos erros. Muitos cometidos por conta de escolha política. Por exemplo, no governo Lula se investiu mais no ensino superior. É claro que é necessário, mas não pode deixar a educação básica descoberta”, disse.
Praça afirmou que as políticas públicas voltadas para serviços básicos devem ser aliadas com a melhoria dos indicadores econômicos. “Todos esses problemas refletem o baixo crescimento econômico, ou a retração da atividade econômica. Uma boa opção são programas de transferência de renda, como o Bolsa Família. Mas só isso não vai resolver todos os problemas”, ressaltou.
Dinâmica perversa

O economista Claudio Porto, presidente da MacroPlan, ressaltou que o Brasil chegou a tal ponto de desequilíbrio fiscal que não há mais espaço para conflitos distributivos. Na interpretação dele, o país precisa passar por uma série de reformas que interrompam privilégios de pessoas e setores. Também frisou ser necessária uma revisão de subsídios e veto a reajustes de servidores diante de um contexto fiscal preocupante.

“Atualmente, estamos vivendo uma dinâmica perversa em que a alocação do gasto não está ocorrendo de forma adequada”, disse Porto. “Além disso, nós temos níveis de produtividade na área pública que são escandalosos. Temos de criar ambiente para a modernização da máquina pública e reverter esse quadro que atinge a população”, emendou. Segundo o IBGE, as pessoas consideradas pretas ou pardas sem cônjuge e com filhos têm mais restrições a direitos e serviços. Elas continuam a predominar entre os mais pobres, de acordo com a pesquisa.

Gestão Estadual

Estados devem focar na qualidade da gestão e continuidade dos projetos

Em revista Exame – por Letícia Naísa e Natalia Flach
Apesar de tudo, todos os estados brasileiros avançaram nos últimos 10 anos
Um estudo mostra que as 27 unidades da federação conseguiram — entre altos e baixos — melhorar em dez anos. Agora, a maioria precisa reequilibrar as contas
Às 7h30, o pátio do colégio Tiradentes, da Polícia Militar, fica apinhado de estudantes. Depois de cantar o Hino Nacional, os alunos do pequeno distrito de Jaci-Paraná, pertencente a Porto Velho, em Rondônia, seguem rumo às salas da 6a série ao 3o ano do ensino médio para aprender lições que vão além do que está escrito nos livros didáticos. Aprendem que o estudo pode prover uma condição de vida melhor para eles e para a região, que teve sua realidade transformada desde 2009, com a construção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira. A comunidade de 4.000 ribeirinhos recebeu boa parte dos 25.000 operários que foram trabalhar nas obras e acabou se tornando vítima de criminalidade da noite para o dia.
Com o crescimento populacional, a única escola do distrito acabou não tendo vagas suficientes, e a saída foi erguer o Colégio Tiradentes, inaugurado em 2014. No primeiro dia letivo, às 6 horas da manhã, jovens de chinelo, camiseta branca e calça jeans se enfileiravam à espera da abertura dos portões. “Muitos deles eram analfabetos funcionais”, diz a capitã Erika Ossuci, a primeira diretora da escola. A solução para levantar o moral dos 842 estudantes e capacitá-los o mais rápido possível foi criar atividades extracurriculares, como aulas de reforço, esportes, música e ciência e tecnologia. O resultado apareceu logo: o Tiradentes foi o primeiro colocado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica do estado em 2017.
O avanço, no entanto, não se restringiu a esse colégio. De acordo com um levantamento da consultoria MacroPlan, e obtido com exclusividade por EXAME, Rondônia foi o estado que mais galgou posições na comparação com as demais unidades federativas no campo educacional. Nos últimos dez anos, Rondônia saiu da última colocação para o 12o lugar no ranking de desempenho em ensino dos 26 estados mais o Distrito Federal.
Entre os motivos está a implantação de uma política de correção de distorções relacionadas à idade do aluno e ao ano que ele cursa — um dos principais problemas identificados na rede. Também se deveu ao aumento do número de horas que os estudantes passam nas escolas e a um acompanhamento pedagógico mais detalhado feito pelo comitê gestor de políticas públicas, que se reúne bimestralmente para avaliar resultados e planejar ações. “Também investimos em escolas profissionalizantes, em parceria com o Instituto Oi Futuro, de modo a aprimorar a gestão escolar”, afirma Daniel Pereira, governador de Rondônia.
Graças à melhoria em educação e em outros indicadores, Rondônia foi a unidade que mais evoluiu na última década quando analisado o conjunto de categorias que compõem o Índice Geral de Desempenho dos Estados 2018, estudo que segue metodologia semelhante à do Índice de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Ao todo, foram analisadas dez categorias: saúde, educação, infraestrutura, segurança, desenvolvimento econômico, desenvolvimento social, condições de vida, juventude, capital humano e situação institucional.
No geral, o que se vê é que todos os estados avançaram na última década. Mas o abismo entre regiões se manteve: o Distrito Federal, primeiro colocado no levantamento, é seguido de perto por São Paulo e demais estados do Sudeste, Sul e Centro-Oeste nas 11 primeiras posições do ranking. Só então aparece Rondônia liderando os blocos do Norte e do Nordeste. “A crise econômica aumentou as desigualdades com efeitos perversos sobre as camadas mais pobres da população. Para piorar, os estados enfrentam atualmente uma crise fiscal com comprometimento de seu orçamento e endividamento elevado”, analisa Luiz Felipe Lópes-Calva, diretor regional para América Latina e Caribe do Pnud.
O aperto fiscal dos estados ocorre principalmente por três fatores: desequilíbrio no fluxo de receitas e despesas correntes, dívidas antigas e orçamento comprometido pela folha de pagamentos dos servidores. Ter as contas públicas equilibradas é uma condição para que os estados possam obter novos empréstimos com garantia da União, e isso só é permitido aos que têm notas A ou B no ranking elaborado pelo Tesouro Nacional.
No levantamento de 2018, com base nos dados de 2017, apenas o Espírito Santo tirou letra A. Isso se deveu ao controle continuado das contas adotado pelo governador Paulo Hartung (sem partido, e por três vezes ocupante do cargo) e seu sucessor, Renato Casagrande (PSB), recém-eleito para um segundo mandato. “Temos a cultura de gestão fiscal responsável. Entreguei o governo para o Hartung com letra A e ele está me devolvendo na mesma situação. É importante trabalhar com cautela, pois não sabemos como será o governo de Jair Bolsonaro. Então, não faço promessas vãs de reajustes para determinadas categorias, por exemplo”, afirma Casagrande.
O cenário de aperto fiscal e a descontinuidade de projetos fizeram com que 17 dos 27 unidades federativas piorassem no quesito segurança, com destaque para o crescimento da taxa de homicídios. Na área de desenvolvimento econômico, mais da metade deles registrou perdas em dez anos, o que acaba afetando, inclusive, as expectativas para a área da educação. De acordo com projeção da MacroPlan, nenhum dos 27 estados deverá alcançar até 2021 as metas de ensino médio estabelecidas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em linha com as definições da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Mas não é apenas a questão orçamentária que explica avanços ou retrocessos em determinadas áreas.
A resposta também passa pela qualidade da gestão e pela continuidade dos projetos, segundo Gustavo Morelli, sócio e diretor da MacroPlan. Em Mato Grosso do Sul, a continuidade das estratégias na área de saúde foi fundamental para o destaque no ranking. “Se houver uma quebra de linha de gestão a cada governo, nós não vamos avançar. A universalidade do Sistema Único de Saúde gera uma sobrecarga e, se não houver continuidade de ações, para reforçar e trazer maturidade ao sistema, estamos fadados ao insucesso”, diz Gyselle Tannous, secretária adjunta de Saúde de Mato Grosso do Sul, que subiu dez posições em dez anos no ranking geral. Em 2018, o estado investiu 1,1 bilhão de reais em saúde (cerca de 12% de sua arrecadação).
Duas ações de atendimento e vigilância ganharam destaque nos últimos anos em Mato Grosso do Sul. A primeira foi o projeto Caravana da Saúde, implantado em 2015 para levar atendimento a regiões remotas, passando por escolas e aldeias indígenas. A segunda foi em tecnologia. A Secretaria de Saúde desenvolveu um aplicativo para controle de dengue, zika e chikungunya, três doenças que proliferaram na última década.

O aplicativo recebeu o nome de eVisita Endemias e está sendo utilizado em 49 municípios do estado por agentes de saúde para estudar melhores estratégias de combate a doenças propagadas por mosquitos. Os agentes registram por meio do aplicativo se há riscos sanitários ou sociais nas regiões visitadas. As informações são enviadas a uma central, que elabora planos de ação. Segundo Tannous, foi assinado em novembro um acordo de cooperação técnica com Pernambuco para uso do aplicativo. Eis um bom caminho: estados aprenderem com experiências já testadas por outros.
Outro ponto importante para a evolução de Mato Grosso do Sul foi a descentralização, com mais atenção às redes de saúde básica. “Temos hoje as equipes de saúde da família atuando em todos os nossos municípios”, afirma Tannous. Tal tipo de atenção às redes municipais e estaduais é, atualmente, um dos maiores gargalos da saúde pública no país, de acordo com Gonzalo Vecina, professor assistente da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.

“Quando chega um paciente em estado grave, o médico de saúde da família tem de encaminhar para um especialista. O problema para fazer isso é que não existe integração entre as redes”, afirma Vecina. Para ele, parcerias entre instituições públicas e privadas (PPP) fazem com que a saúde avance mais. “A iniciativa privada tem uma capacidade de gestão que pode ajudar o SUS por meio de parcerias ou organizações sociais. Esse é um papel importante. Outro é atender via convênios com o SUS, porque 65% da rede hospitalar brasileira é privada. Além disso, as parcerias melhoram a eficiência da gestão, que, por sua vez, melhora o Estado”, diz Vecina.
O modelo de PPP foi fundamental para que Alagoas, um dos estados do pelotão dos piores, pudesse reduzir a taxa de mortalidade infantil e, assim, ganhar cinco posições no ranking geral. O governo local fez parceria com o Hospital do Coração de Alagoas, por meio da Fundação Cordial, para atendimento de crianças com problemas cardíacos. Iniciativas de atendimento pré-natal a gestantes e programas como o Primeira Infância, que promove desenvolvimento de saúde para mães e crianças, também foram peças-chave para a melhoria do índice no estado.

“Com a continuidade da implementação das políticas integradas, esperamos que a curva da mortalidade infantil continue em queda”, afirma Christian Teixeira, secretário de Saúde de Alagoas. Dez anos atrás, o estado registrava 21,5 mortes de crianças até 1 ano a cada 1.000 nascidas. Atualmente, o índice é de 14,3. A média brasileira é de 12,7. Ou seja, mesmo com a redução, Alagoas continua com uma taxa mais alta do que a do Brasil no geral, parecida com a de países como Síria e Panamá (ambos com 14 mortes por 1.000 nascimentos).

No caso da Paraíba, uma unidade hoje situada no meio da lista, houve uma melhoria notável na infraestrutura: de 2007 para cá, o estado subiu dez posições no ranking da área. Em oito anos, investiu 1,5 bilhão de reais na construção e na recuperação de 2.600 quilômetros de estradas. “Em 2011, a Paraíba tinha 54 cidades sem ligação por estrada asfaltada”, afirma Deusdete Queiroga, secretário de Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia da Paraíba.

Durante dois mandatos, de 2011 a 2018, foi colocada em prática uma promessa de campanha de Ricardo Coutinho (PSB) e hoje, segundo Queiroga, não há nenhum município na Paraíba sem ligação por asfalto. Outro problema que recebeu atenção nos últimos oito anos foi a seca. Parte dos recursos estaduais foi destinada aos programas Água Doce e Água para Todos. Ambos buscaram levar recursos hídricos para regiões mais afetadas pela seca. A expectativa é que tanto as iniciativas de abastecimento quanto de malha rodoviária continuem sendo prioridades, porque o governador eleito, João Azevêdo (PSB), foi o secretário antes de Queiroga, de 2011 a abril de 2018, quando saiu para concorrer nas eleições.

Uma posição apenas acima da Paraíba no ranking geral está o Ceará (14o). O estado perdeu duas colocações em dez anos devido ao mau desempenho relativo em áreas como segurança (área em que caiu seis posições). Mas conseguiu subir seis postos em desenvolvimento econômico — ocupa o 18o lugar nesse quesito. Na avaliação de especialistas, mesmo sendo uma posição considerada ainda baixa, o Ceará colheu frutos por ter feito uma lição de casa em termos de gestão. “É um estado que fez um esforço para resolver a parte fiscal, o que atrai empresários e investimentos”, diz Cláudio Frischtak, presidente da consultoria Inter.B.

Um exemplo é a Aeris Energy, empresa que produz 3.000 pás para aerogeradores ao ano e fatura mais de 200 milhões de dólares vendendo na região e exportando. Além do potencial dos ventos, o que atraiu empresários paulistas a fazer esse investimento foi a estrutura portuária, essencial para o comércio exterior. Para Alexandre Negrão, presidente e sócio da Aeris, o porto de Pecém, vizinho a Fortaleza, teve uma melhora significativa desde que a empresa se instalou lá em 2010. “O Ceará tem seus desafios. Não tem a mesma receita dos estados do Sudeste, mas é financeiramente saudável e vem se desenvolvendo”, diz Negrão.

O equilíbrio nas contas públicas é, sem dúvida, um dos pontos-chave para a continuidade da evolução. “O cenário de descontrole acaba tendo impacto sobre o custo de capital, o que explica por que os investidores de longo prazo continuam receosos em investir no Brasil”, afirma Ernesto Lozardo, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Uma das urgências é a reforma das previdências estaduais. Caso nada seja feito, a situação tende a piorar com o envelhecimento da população e com os pedidos de aposentadoria que sobrecarregam as contas. De acordo com um levantamento da Tendências Consultoria, 48% do orçamento de São Paulo está comprometido com o pagamento de pensão para servidores inativos.

Pior é a situação de Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, onde os salários estão atrasados há meses. “Existem dois problemas comuns a todos os estados: cerca de 85% da folha é composta de categorias especiais, como médicos, professores e policiais, que podem se aposentar mais cedo. Além disso, quando é aprovado um reajuste para servidores ativos, ele beneficia também os inativos. Daí a conta não fecha”, diz Fábio Klein, economista da Tendências. Logo, o desafio dos próximos governadores não será fácil: debater com a sociedade o fim de privilégios para abrir espaço a novos investimentos. Afinal, os estados brasileiros ainda têm muita defasagem nos quesitos que indicam seu estágio de desenvolvimento — e o do país.

A escolaridade média da população com 25 anos ou mais, que em 2017 só superou a marca dos dez anos de estudo — o equivalente à média do Chile — em três unidades federativas, ainda será um sonho em 19 estados em 2022. No mesmo ano, apenas Santa Catarina deverá alcançar a expectativa de vida ao nascer da média dos países ricos em 2017, de 80 anos. E pelo menos dez estados continuarão a ter menos da metade da população atendida por coleta de esgoto. Os estados podem ter avançado nos últimos dez anos, mas ainda há muito por fazer até que todos os brasileiros tenham melhores condições de vida.

 

Gestão Estadual

Os governantes estão desafiados a entregar mais e melhor com menos recursos

Por Exame.comEstados brasileiros avançam em dez anos – mas o abismo entre eles é grande
A conclusão é de um estudo realizado pela consultoria Macroplan e apresentado em evento do MBC em parceria com EXAME, nesta quarta-feira (5)

A jornada dos governadores eleitos a partir de 2019 será de tudo, menos monótona. Nos últimos dez anos, os 27 estados brasileiros conseguiram melhorar, mas a velocidade dos avanços ainda é baixa e a desigualdade entre as regiões, imensa.
A conclusão é do estudo “Desafios da Gestão Estadual”, realizado pela consultoria Macroplan, que serve como instrumento para os novos governadores. O estudo foi apresentado no evento “Governos Inteligentes para o Futuro”, realizado pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC) em parceria com EXAME, na tarde desta quarta-feira (5), em São Paulo.
Os estados precisam crescer de forma mais igualitária. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do Pará, por exemplo, é igual ao de Minas Gerais de dez anos atrás. Já a taxa de analfabetismo de Alagoas, por exemplo, é quatro vezes maior que a de São Paulo há dez anos.
“Os governantes estão desafiados a entregar mais e melhor com menos recursos. Este estudo quer estimular a gestão pública baseada em evidências, construção de estratégias de longo prazo e identificação de boas práticas para serem compartilhadas”, diz Gustavo Morelli, diretor da consultoria Macroplan e responsável pelo estudo.
Reequilíbrio das contas
A maioria dos estados precisa reequilibrar as contas para continuar evoluindo, porque as despesas crescem a passos largos. As despesas com pessoal, por exemplo, cresceram 31% nos últimos sete anos. O estudo sugere que os estados melhorem a produtividade dos gastos públicos e busquem novas fontes de receitas sem aumentar os impostos, por meio de gestão econômica de ativos, privatizações e reduções de subsídios, por exemplo.
A área de segurança foi a que mais piorou nos últimos dez anos: 17 estados andaram para trás. Mas o levantamento também trouxe notícias boas. Rondônia, Pernambuco e Alagoas foram as unidades federativas que mais galgaram posições.
O Distrito Federal foi o primeiro colocado no ranking. “Acompanhar os resultados nos permitiu ter conhecimento completo e profundo do governo e dos seus desafios. Tínhamos um rombo de 6 bilhões de reais e tivemos que enfrentar corporações, o que nos trouxe um custo político e pessoal elevado, mas fizemos o que precisava ser feito”, diz Rodrigo Rollemberg, governador do Distrito Federal.
O estudo completo é tema de uma reportagem na edição 1175 da revista EXAME, que chega às bancas, ao site e ao aplicativo EXAME nesta quinta-feira (6). O estudo também está disponível no site Desafios dos Estados.

Gestão Municipal

Análise da gestão por grupo de cidades semelhantes permite que iniciativas de algumas administrações sejam referência para municípios do mesmo porte

Da EXAME.COM , por Ana Paula Mahcado
As melhores cidades do país em 8 grupos
A Macroplan fez um estudo agrupando cidades semelhantes em grupos e Maringá foi a grande vencedora, com performance mais regular nos itens analisados

Maringá, no Paraná, ficou em primeiro lugar em um ranking de gestão municipal desenvolvido pela consultoria Macroplan.
Foram avaliados os serviços essenciais prestados nas 100 maiores cidades brasileiras, aquelas com mais de 273 mil habitantes.
Os 15 indicadores vêm de quatro áreas – saúde, educação, segurança e saneamento & sustentabilidade – e geram um indicador sintético: o IDGM – Índice Desafios da Gestão Municipal – cuja variação é de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, melhor o desempenho do município.
Por final, a consultoria agrupou as cidades em oito subgrupos (clusters) que extrapolam limitações geográficas e guardam características comuns, como a disponibilidade de receita per capita, densidade populacional e desigualdade de renda.
“Esse recorte é importante porque aproxima as cidades e faz com que iniciativas de algumas administrações sejam referência para municípios do mesmo porte”, disse Glaucio Neves, diretor da Macroplan e coordenador do estudo.
Para ele, as análises por cluster permitem às cidades se espelhar nos melhores exemplos. Além disso, as comparações entre os diferentes municípios ficam mais equilibradas.
“É uma forma de ganhar tempo e poupar recursos. Não precisa começar do zero. Além disso, o gestor público tem como observar quem é o seu benchmark”, ressaltou.
O ranking mostra que Maringá se destaca em inovação do Brasil. No ano passado, a prefeitura da cidade lançou um edital para atrair novas startups ao município.
A cidade quer firmar parceria com essas empresas para o desenvolvimento de soluções para as áreas do meio ambiente, assistência social, segurança pública, educação, inovação e desenvolvimento econômico.
Segundo a prefeitura, na área da Educação, o desafio é apresentar soluções para agilizar o atendimento, criar um sistema de atendimento não presencial, enviar informações e orientações aos cidadãos via eletrônica e esclarecer dúvidas.
Das 10 cidades mais bem avaliadas na pesquisa, oito são municípios do interior de São Paulo, destaca Neves. Segundo ele, os indicadores que têm mais peso na composição do índice é o de Educação.
“No grupo em que Maringá está inserida, as cidades de Piracicaba, Jundiaí e Joinvile estão melhor posicionadas nesse tema, mas como Maringá é mais regular em todos os quesitos, está em primeiro lugar”, explicou Neves.
Veja as 3 cidades no topo de cada cluster:
Cluster A (22 cidades)
1. Maringá (PR)
2. Piracicaba (SP)
3. São José do Rio Preto (SP)

Cluster B (13 cidades)
1. Sumaré (SP)
2. Ribeirão das Neves (MG)
3. Itaquaquecetuba (SP)

Cluster C (20 cidades)
1. Limeira (SP)
2. Franca (SP)
3. Cascavel (PR)

Cluster D (7 cidades)
1. Mauá (SP)
2. Taboão da Serra (SP)
3. Diadema (SP)

Cluster E (9 cidades)
1. Campinas (SP)
2. Santos (SP)
3. Curitiba (PR)

Cluster F (15 cidades)
1. Montes Claros (MG)
2. Campina Grande (PB)
3. Boa Vista (RR)

Cluster G (12 cidades)
1. Goiânia (GO)
2. Vila Velha (ES)
3. Fortaleza (CE)

Cluster H (2 cidades)
1. São Paulo (SP)
2. Rio de Janeiro (RJ)

Cenário econômico

Cenários: escolha de agendas determinará qual será o ritmo de crescimento

No pós-eleição consultorias adotam cautela para o PIB
Do Valor Econômico
Por Thais Carrança e Bruno Villas Boas
Passadas as eleições, as principais consultorias econômicas do paí ajustaram seus cenários para incorporar a vitória de Jair Bolsonaro (PSL) às projeções. Antes convencidas de que os eleitores dariam a vitória a um candidato reformista e com facilidade para aprovar mudanças, os economistas adotam, agora, um tom mais cauteloso, avaliando que o presidente eleito poderá enfrentar dificuldades para aprovar a pauta econômica. Com isso, a recuperação da atividade deve continuar, mas em ritmo moderado.
Na avaliação da Macroplan, o embate entre as agendas liberal e corporativista de Bolsonaro será determinante para o ritmo de crescimento econômico do país no próximo ano, assim como para a evolução dos investimentos privados e da inflação. O lado vitorioso deste duelo ficará mais claro ao longo dos próximos cinco meses, conforme medidas forem anunciadas e concessões feitas.
No cenário de prevalência da agenda liberal, com maior abertura da economia e menores barreiras ao capital estrangeiro, o investimento privado seria ampliado e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) seria de, no mínimo, 3% no próximo ano, segundo a consultoria. A inflação permaneceria controlada, com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) rodando próximo ao centro da meta do governo, fixado em 4,25% pelo Conselho Monetário Nacional.
No cenário em que a agenda corporativista prevalece, a reforma da Previdência será “branda”. Bolsonaro cederia reajustes salariais a servidores públicos e proteção a setores da economia. O enxugamento do Estado seria simbólico e as concessões de infraestrutura apenas moderadas. Privatizações ficariam restritas a “migalhas” – sem Petrobras, Banco do Brasil, Caixa e Eletrobrás. Com o investimento privado moderado, a economia cresceria no máximo 2% em 2019. A inflação superaria o teto.
Tendências Consultoria e MB Consultores, por exemplo, veem apenas 10% de chance de seus cenários mais otimistas se materializarem. Neste quadro, diz a Tendências, governabilidade e bom diagnóstico de probabilidades resultariam em queda na percepção de risco, valorização de ativos e melhora da confiança, permitindo ao governo avançar na agenda liberal. O Brasil conseguiria gerar superávit em 2021 e o crescimento médio do PIB iria a 3% de 2019 a 2022.
Sérgio Vale, da MB Associados, acredita, no entanto, ser mais provável um cenário em que a pauta econômica poderá ter maiores dificuldades para ser aprovada, mas pontos consensuais da agenda micro e macroeconômica podem avançar sem levar o país ao crescimento sustentado. Assim, o avanço do PIB em 2019 é estimado em 2,2%.
“Aqui, a maior dificuldade é em acertar a agenda e evitar que haja uma crise política que descambe para algo mais autoritário”, avalia Vale, descartando a hipótese de uma ditadura, mas citando como exemplos os casos da Polônia e da Hungria. O governo começaria com um presidente frágil, um Congresso marcado por parcela relevante de políticos inexperientes e oposição ativa.
Em seu novo cenário-base, com probabilidade avaliada em 60%, a LCA Consultores avalia que, após uma fase de “lua de mel “, os mercados domésticos se ajustem a uma perspectiva política em que as iniciativas de reequilíbrio das contas públicas pela gestão Bolsonaro enfrentarão resistências, mas avançarão de forma lenta e irregular.
Com isso, a cotação cambial se acomodaria em patamar mais depreciado do que previsto anteriormente, as perspectivas de cumprimento das metas da inflação ficariam mais apertadas e a política monetária pode vir a ser ajustada antes do que era esperado. Assim, a recuperação da atividade tenderia a ser um pouco mais lenta – a LCA também vê uma alta de 2,2% no PIB em 2019.
Na ponta mais otimista Rosenberg e GO Associados já veem sinais mais firmes de retomada da economia e projetam para o próximo ano crescimento do PIB e 2,8% e 3,3% respectivamente. No boletim Focus, a mediana das estimativas aponta para alta de 1,36% no PIB de 2018 e de 2,50% no de 2019.
“O desempenho da economia, no curto prazo, deve passar ao largo de questões mais complexas: com o câmbio voltando a se valorizar, recuam as pressões inflacionárias e posterga a necessidade de alta de juro”, avalia Rosenberg.
Eduardo Velho e Gesner Oliveira, da GO, destaca que Bolsonaro começará sua administração com a economia melhor do que a do início do governo Michel Temer, o que pode tornar menos complexa a implementação de reformas. “A expectativa é que um presidente eleito tenha mais condições que o atual governo de conseguir resultados favoráveis para a economia e política”.

Gestão Municipal, Notícias

Estudo ‘Desafios da Gestão Municipal’ apoia a definição de estratégias e a solução de problemas

DESAFIOS DA GESTÃO MUNICIPAL
Por Glaucio Neves, em Tribuna de Limeira

Estudiosos apontam o século XXI, como o século das cidades. Há boas razões para isso. São os municípios bem geridos e economicamente competitivos que permitem o desenvolvimento de um país. No Brasil, os últimos anos, contudo, não foram fáceis para as prefeituras. O cenário econômico inviabilizou investimentos em grande parte das cidades e a boa gestão passou a ser cada vez mais cobrada pela sociedade, que aumentou a pressão aos administradores municipais para que os limitados recursos possibilitassem entregas de serviços de qualidade.

Os gestores municipais orientados para as “cidades do futuro” terão que solucionar problemas de eficiência, adaptando-se as tendências dos”novos tempos”, decorrentes da expansão da economia digital, da hiperconectividade, da ascensão da economia compartilhada, dos novos hábitos de consumo e do aumento da longevidade da população.

Em síntese: É preciso entregar mais, com menos recursos, adaptando-se aos novos padrões tecnológicos e de comportamento.

O estudo Desafios da Gestão Municipal, desenvolvido pela Macroplan, é particularmente útil na definição de estratégias e na solução de problemas da gestão municipal. A pesquisa analisa uma cesta de dados públicos em quatro áreas estratégicas – saúde, educação, segurança e saneamento e sustentabilidade – nas 100 maiores cidades do Brasil. Ao promover a comparação entre elas, é possível entender aonde estão as maiores dificuldades e os principais avanços nas cidades. E os casos de sucesso podem servir de exemplos como inspiração – uma forma de ganhar tempo e poupar recursos.

Limeira é um dos municípios que poderá inspirar outras cidades. No estudo de 2018, é a 6ª melhor posicionada entre as 100 cidades analisadas. A área em que a cidade tem melhor posição é saneamento e sustentabilidade (4ª posição). As posições nas outras áreas são: 8º em segurança; 12º em educação e 22º em saúde.

Na comparação com 20 municípios similares em termos de complexidade de gestão e disponibilidade de recursos, Limeira está em primeira colocação. Embora não lidere em todos os indicadores, tem destaque na universalização do tratamento do esgoto e, na área de segurança, na baixa taxa de homicídios. Com uma taxa de homicídios de 6 por 100 mil habitantes, o município tem a menor taxa do seu grupo de comparação e a terceira menor entre os 100 maiores municípios.

Mas o município também deve buscar inspiração em outras cidades que apresentaram resultados superiores em educação e saúde, por exemplo. A cidade tinha o terceiro maior índice de qualidade do ensino fundamental II (IDEB) da rede pública em 2007, mas, apesar do avanço na década, foi ultrapassado por outras cidades, ficando 16ª entre os
100, em 2017. Na área de saúde, o município tem a sétima menor taxa de mortalidade infantil entre os 100, mas não tem boa colocação no indicador de mortalidade prematura por doenças crônicas (52ª posição).

Cada cidade precisa desenvolver sua própria estratégia bem como elencar as prioridades a serem enfrentadas, mas a cooperação com todas as partes da sociedade e também entre as esferas governamentais é
essencial para o sucesso da gestão.

Gestão Municipal

Estudo DGM: análise das cidades por clusters evita distorções e facilita leitura de dados

Franca é a 10ª melhor cidade do País em gestão municipal

Do Comércio da Franca, por Priscilla Sales

Franca é uma das dez melhores cidades do Brasil em gestão municipal. A constatação é do “Índice de Gestão Municipal”, que reúne os dados coletados em um estudo elaborado pela Macroplan, uma das mais reconhecidas empresas brasileiras de consultoria em cenários prospectivos, administração estratégica e gestão orientada para resultado.

O estudo analisou as 100 cidades com mais de 270 mil habitantes no Brasil. Foram levados em consideração para a elaboração do índice 15 indicadores em quatro áreas críticas para a gestão pública: educação, saúde, segurança e saneamento e sustentabilidade. No ranking geral, Franca ficou em décimo lugar. Segundo Glaucio Neves, diretor da Macroplan e coordenador do estudo, o bom desempenho de Franca se deveu principalmente aos resultados alcançados pela cidade em dois outros estudos: o Trata Brasil, que analisa as condições ambientais e de saneamento no município, e o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). “Com indicadores positivos na área de saneamento e o melhor resultado do Ideb 2017, Franca obteve uma alta pontuação, ficando entre as dez melhores cidades”.
Grupos
O estudo da Macroplan, além do ranking nacional, também separou os municípios em oito grupos de acordo com as afinidades entre as cidades. A ideia é evitar distorções e facilitar a leitura dos dados apresentados. “É possível avaliar a performance de cada cidade comparando municípios semelhantes em termos de complexidade de gestão e disponibilidade de recursos, além de identificar um potencial de melhoria dos indicadores mais factível com a realidade de cada local”, analisa Glaucio Neves.
Em seu grupo, Franca alcançou o segundo lugar. Perdeu apenas para Limeira. No grupo ainda estão: Uberlândia (MG), Uberaba (MG), Guarulhos (SP) e Porto Velho (RO), entre outras.
Cenário econômico

Reforma da Previdência é um dos desafios da economia para o próximo governo

Reforma sem detalhes

De Hamilton Ferrari, do Correio Braziliense

Duas propostas de reforma da Previdência estão postas à mesa. Ambas ainda precisam ser explicadas, segundo especialistas. Tanto o mercado quanto o setor produtivo cobram esclarecimentos sobre como serão implementadas. Com mais chances de ser eleito, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, defende um modelo de capitalização que se baseia na criação de poupanças individuais para cada contribuinte. Já Fernando Hadad (PT) defende que o déficit pode ser superado, via combate à sonegação, com crescimento da economia e a criação de empregos. Analistas defendem que ambas as propostas têm problemas e que será necessário um detalhamento maior para que o texto possa ser aprovado ainda em 2018.

O principal trabalho será convencer o Congresso Nacional. O tema é polêmico mas a discussão é essencial para equilibrar as contas públicas que estão deficitárias há quase cinco anos. Dos 23 deputados considerados “reformistas” na Comissão Especial criada em 2017 para realizar a reforma da Previdência, 16 não estarão mais na Câmara. A maior parte desses parlamentares, 11, não conseguiu se reeleger. Além disso, cinco não disputaram vaga na casa. Apenas sete se reelegeram.

Ainda é preciso avaliar se a nova composição do Congresso está disposta a aprovar reformas. Para Bolsonaro a tarefa é teoricamente mais fácil, por conta da entrada de apoiadores do candidato do PSL e a maior bancada do partido. Apesar disso, os benefícios previdenciários envolvem várias particularidades defendidas pelos parlamentares, o que dificulta o processo.

O modelo de capitalização defendido pelo assessor econômico de Bolsonaro, Paulo Guedes, é aplicado em alguns países. O Chile foi a primeira nação  a implementar esta regra e passa por problemas. Cerca de 91% dos aposentados recebem menos que um salário mínimo, segundo a Fundação Sol.

Além disso, analistas afirmam que o modelo prejudica os mais pobres, que são beneficiados hoje com a transferência de renda dos mais ricos, por meio dos benefícios previdenciários. No modelo brasileiro, porém, a conta não fecha mais. O déficit aumentará por conta do envelhecimento da população. O candidato do PT ainda não explicou como será a mudança nas regras. Hadad sofrerá pressão do próprio partido e de sindicalistas que são contrários à reforma.

De acordo com Claudio Porto, presidente da Macroplan, da forma como as propostas estão colocadas pelos dois candidatos, não há elementos suficientes para se fazer uma avaliação. ” São muito genéricas. É um tema que está amadurecido no Brasil e já passou por um amplo processo de discussão, pois já existe uma proposta em tramitação no Congresso”, disse.

Cenário econômico

Propostas para estatais não podem ser implantadas como estão sendo apresentadas por candidatos, alerta Claudio Porto

Projeto antagônico sobre o futuro das estatais

Por Simone Kafuri, do Correio Braziliense

O país fechou o ano passado com 144 empresas estatais federais, das quais 18 totalmente dependentes de recursos do Tesouro Nacional, e mais de 500 mil funcionários públicos. Além de sofrerem com ingerência política e servirem como cabide de empregos, companhias como Petrobras, Eletrobras, Correios, Caixa Econômica Federal e Valec, entre outras, já foram ou são alvo de escândalos de corrupção. Os programas de governo dos dois candidatos à Presidência da República — Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) — são antagônicos no que diz respeito ao futuro das estatais. Para especialistas, no entanto, as propostas de ambos são extremistas e não poderão ser implementadas da forma como foram apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Bolsonaro promete reduzir em 20% a dívida pública por meio de privatizações de estatais, além de concessões e venda de propriedades imobiliárias da União. No plano, não fica claro quais serão extintas, quais serão vendidas e quais são consideradas estratégicas e permanecerão sob o controle do Estado. Sobre a Petrobras, propõe a venda de “parcela substancial de sua capacidade de refino, varejo, transporte e outras atividades”. Sobre a política de preços de combustíveis, o plano diz que a paridade com o mercado internacional será mantida, com “suavização de flutuações de curto prazo”.

Haddad, ao contrário, promete revogar todas as privatizações em curso, inclusive as do setor elétrico. O PT considera a Petrobras uma empresa “estratégica para o desenvolvimento” e quer a companhia verticalizada, com atuação em exploração, produção, transporte, refino, distribuição e revenda de combustíveis. O programa propõe reverter o plano de desinvestimentos em curso, é contra a paridade de preços internacionais e a favor do regime de partilha no pré-sal.

Para Sérgio Lazzarini, professor de estratégia do Insper, o histórico de interferência política e cabide de empregos das estatais fez com que a “turma liberal queira acabar com tudo”. “O PT tem um discurso de que estatal tem objetivo social”, afirmou. No entanto, ressaltou Lazzarini, nenhum dos dois planos são exequíveis. “Há limites para o que se consegue privatizar. Não dá para vender a Embrapa, por exemplo. A Infraero, ao lidar com aeroportos menores, ficará sem receita própria e não vai despertar interesse”, estimou. Já a privatização do setor elétrico poderia ser mantida. Sobre a Petrobras, o especialista observou que a atividade de refino pode ser feita pelo setor privado, sem prejuízo para o setor considerado estratégico. “A questão é que nada disso pode ser feito a toque de caixa”, ressaltou. O programa de Bolsonaro prevê acabar com a dívida pública em um ano com as privatizações.

Na opinião do especialista em finanças públicas da Tendências Fabio Klein, os governos petistas criaram muitas estatais. “Bolsonaro tem uma agenda mais liberal e privatizante, ainda que não esteja claro quais serão vendidas. Ele fala em manter uma ‘golden share’ nos setores estratégicos”, assinalou. Klein destacou que há muitas empresas dependentes do Tesouro, que está em situação complicada. “Por outro lado, é por meio das estatais que ocorre a maior parte dos investimentos públicos”, ponderou.

O economista Bruno Lavieri, da 4E Consultoria, afirmou que os dois planos de governo não sinalizam nada de concreto. “Não são peças a serem levadas 100% a sério, mas há uma diferença muito grande entre os dois. O Paulo Guedes (criador do plano de Bolsonaro) quer privatizar a maior parte das estatais, mas isso depende do interesse do setor privado. O PT tem uma característica estatizante, mas o Haddad tem uma formação em economia mais esclarecida nessa área. Com a necessidade de formar alianças, os planos podem mudar”, alertou.

Relevância

A privatização ganhou relevância, segundo o ex-ministro de Infraestrutura do governo Collor João Eduardo Santana, porque o Estado está quebrado. “Todas as estatais pesam aos cofres públicos. Nas deficitárias, é dinheiro na veia. Mesmo as que geram receita precisam de injeção de capital”, lembrou. O especialista disse que o diagnóstico de Bolsonaro é mais claro, com venda, extinção e manutenção de estratégicas. “O PT fala em rever a posição sobre algumas estatais, mas também não diz quais”, pontuou.

O presidente da InterB, Claudio Frischtak, criticou a ideia de Bolsonaro de fazer as privatizações de forma rápida. “O processo de desestatização demora de cinco a 10 anos. São muitas estatais, cada uma com sua peculiaridade. Algumas sequer têm valor”, sublinhou. O especialista considerou “muito difícil Haddad embarcar num cronograma de desestatização”. “A verdade é que nenhuma das campanhas teve tempo para estruturar um programa com começo, meio e fim.

Dois extremos

Nem uma coisa nem outra. É a opinião de Claudio Porto, diretor da Macroplan Consultoria, sobre os projetos de governo dos dois candidatos à Presidência para as estatais. “Seguramente reestatizar é um retrocesso e não tem sentido econômico. O caminho adequado é o da privatização. Mas isso tem que ser feito com método e com tempo. É inadequado vender a toque de caixa, porque sinaliza pressa ao mercado e deprecia o preço dos ativos”, alertou. Além disso, segundo Porto, existe uma barreira operacional muito grande. ” Uma coisa é vender uma empresa privada, outra é privatizar dentro do marco legal brasileiro. A estratégia correta é desenvolver um programa plurianual de privatizações”, defendeu.

Gestão Estadual, IDGE

Considerado referência de gestão pública, IDGE contribui para o fact checking no País

O ranking do estudo Desafios da Gestão Estadual 2017, da Macroplan, considerado a principal referência de gestão pública do País, foi a fonte utilizada para o fact checking  pela imprensa  que acompanhou os debates para o governo de Santa Catarina.

Veja, abaixo, o trecho da reportagem do Diário Catarinense, com a  correção feita à declaração de candidato ao governo estadual

Gelson Merisio

“Nós temos um estado que é primeiro lugar em quase todos os indicadores de qualidade de vida”.

Santa Catarina ocupa o primeiro lugar em apenas 3 das 9 áreas do IDGE – Índice dos Desafios da Gestão Estadual, divulgado em 2017. Nas demais, varia entre o 2º e o 12º lugar, chegando a ocupar posição distante da primeira colocação em áreas relevantes como Segurança e Condições de Vida. Na classificação geral, o estado também não ocupa a primeira colocação, embora tenha alcançado a segunda, ao obter índice 0,827, na variação de 0 a 1, sendo melhor o desempenho quanto mais próximo for de 1.

As nove áreas de resultados reúnem 28 indicadores consolidados por órgãos oficiais, como IBGE, DataSus, INEP/MEC, analisados pelo Macroplan Consultoria. O ranking é considerado a principal referência na área de gestão pública.

Confira abaixo o resultado completo:

SAÚDE: 1º lugar
DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO: 1º lugar
DESENVOLVIMENTO SOCIAL: 1º lugar
JUVENTUDE: 2º lugar
EDUCAÇÃO: 3º lugar
INFRAESTRUTURA: 5º lugar
SEGURANÇA: 8º lugar
CONDIÇÕES DE VIDA: 8º lugar
INSTITUCIONAL: 12º lugar