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O que será do Brasil em 2020 – 2ª Sondagem

11 de maio de 2020
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Síntese

Hoje, 11 de maio de 2020, o Brasil acumula mais de 11.500 mortes pela COVID-19 e a nossa curva de crescimento da epidemia continua exponencial. O pessimismo da sociedade brasileira em relação aos impactos econômicos e sociais do COVID-19 e ao padrão de resposta do país à crise aumenta em ritmo semelhante ao do seu crescimento, que agora se espalha pelas áreas urbanas mais pobres das grandes e médias cidades do país. A sobrecarga de informações – tanto as análises epidemiológicas com base científica como as fake news – acirra a polarização nas redes sociais e em manifestações nas ruas e janelas contra e a favor de governantes e lideranças políticas, e em especial do presidente Bolsonaro.

Na segunda quinzena de abril de 2020, a Macroplan realizou a 2ª sondagem de expectativas junto a uma amostra direcionada com pessoas de todo o país. O resultado – e sua comparação com a sondagem de março – revela uma forte acentuação do pessimismo: na data da conclusão, 18 de abril, 96% dos consultados esperavam que a intensidade dos impactos da crise global na economia brasileira será alta ou muito alta; e 73% acreditavam que sua duração será longa (mais de 6 meses). 

Nesta 2ª sondagem, a Macroplan acrescentou uma nova questão: “qual seria a reação do país à crise?” e ofereceu três macro cenários como alternativa. Os cenários negativos foram os mais prováveis: “a marcha da insensatez”, de acirramento de confrontos e polarizações, e “aos trancos e barrancos”, onde se destaca a falta de coordenação das ações públicas. Ambos somaram 81% dos votos dos respondentes. Apenas 19% elegeram o cenário “a reconquista da normalidade”, manifestando esperança em uma saída pela construção de um amplo pacto de coesão e entendimento.

Sondagem qualitativa posterior, efetuada pela Macroplan, constatou uma forte acentuação do binômio “desalento-apreensão” após a demissão de Sergio Moro, das crescentes ameaças de sabotagem à agenda do ministro Guedes e da escalada de turbulências políticas provocadas pelo Presidente da República com a complacência, cada vez menos sutil, do seu entorno militar.

Figura 1. Probabilidades dos cenários focalizados no COVID-19 e dos macro cenários de reação do Brasil.
Fonte: Macroplan. Sondagem de expectativas com 171 respondentes entre 10 e 18 de abril de 2020.