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2022 | Propostas para um Brasil melhor

14 de dezembro de 2010
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Prefácio

Existe claro consenso entre os analistas de que o Brasil viveu duas décadas de avanço. A bem-sucedida abertura da economia do país e a estabilização da superinflação caracterizaram a primeira década (nos anos 1990). Para mim, a mudança do regime cambial, em 1999, implantada sem o retorno da inflação elevada, e a introdução do regime de metas da inflação completaram, junto com a Lei de Responsabilidade Fiscal, a estabilização básica de nossa economia e abriram as portas para o maior crescimento econômico (entre o quarto trimestre de 1999 e o quarto trimestre de 2000, o crescimento acumulado da economia brasileira foi de 4,3%). Este, entretanto, foi contido pela restrição de energia elétrica em 2001, pela crise argentina no mesmo ano e pelas incertezas associadas à eleição do presidente Lula em 2002, duramente ultrapassadas pelo primeiro grande teste do novo tripé que passou a orientar a política econômica.

Mais crescimento, ainda que com fortes flutuações entre os anos, e um grande processo de formalização e incorporação de contingentes importantes da população aos mercados de consumo (resultado da contínua melhora nos indicadores de distribuição de renda, iniciados com a estabilização da inflação), aliados a uma expressiva redução nos índices de pobreza absoluta, marcaram a segunda década, que se encerra em uma situação de aquecimento insustentável da economia.

De fato, nenhuma dessas obras está completa: o país está maior, mas a inflação voltou a ameaçar, o crescimento da demanda terá de ser contido, o câmbio está excessivamente valorizado, o regime fiscal está piorando de qualidade e o mundo desenvolvido vive uma situação de inusitada dificuldade.

Em suma, ainda não atingimos uma situação de crescimento rápido e nem mes- mo sustentado. Na verdade, não é completamente seguro de que lá chegaremos. E esta é a pergunta que este livro tenta responder: como será o Brasil do bicentenário? O trabalho, tão fascinante como difícil, foi enfrentado de forma competente pelos editores Fabio Giambiagi e Claudio Porto neste 2022, que também conta com contribuições de um grupo de economistas de primeira linha.

O conjunto de trabalhos trata de cenários de crescimento até 2022 (O Brasil em transição — panorama atual e tendências futuras, de Claudio Porto, Fabio Giambiagi e Andréa Belfort-Santos; A economia mundial e o Brasil em 2022, de Monica B. de Bolle, e Crescimento econômico brasileiro: desafios e perspectivas, de Fernando Veloso), dos aspectos mais relevantes das políticas fiscal (Qual deve ser a meta fiscal de longo prazo?, de Fabio Giambiagi e Fernando H. Barbosa, e Previdência: em nome dos filhos, de José Cechin e Fabio Giambiagi), monetária (Metas para o regime de metas: com- pletando a transição, de Ilan Goldfajn e Marcelo K. Muinhos) e de comércio exterior (Comércio exterior e crescimento: diagnóstico e uma agenda para 2022, de Maurício M. Moreira e José Tavares de Araújo Jr.).

Incluem-se avaliações das novas questões energéticas e ambientais (Os desafios do pré-sal, de Helder Queiroz Pinto Jr.; Os desafios do setor de energia elétrica, de Rafael Kelman e Jerson Kelman, e 2002: Brasil, emergente de baixo carbono e ambientalmente responsável?, de Elimar Pinheiro do Nascimento e Alexandre Mattos de Andrade). As questões ligadas à infraestrutura são analisadas por Bernardo Tavares e Helcio Tokeshi em Os gargalos de infraestrutura e a criação de um sistema moderno de serviços públicos.

O desenvolvimento regional brasileiro (Reconfiguração do território brasileiro e desenvolvimento regional, de Sérgio C. Buarque e Ariel Pares) e questões ligadas à gestão das cidades (Cidades brasileiras: integração dos esforços públicos e privados para a melhoria do ambiente urbano, de André Urani, Glaucio Neves e Michel Gutnik) e do setor público em geral também são analisadas (Caminhos para aperfeiçoar a gestão pública brasileira: lições recentes e uma agenda futura, de Fernando L. Abrucio, Gustavo Morelli e Tadeu D. Guimarães).

Metas de educação para a próxima década (Fernando de Holanda Barbosa Filho e Samuel de Abreu Pessoa) e uma análise sobre a expansão dos gastos sociais no país (Rumo a uma política social flexível, de Paulo Tafner e Márcia Marques de Carvalho) compõem o quadro de reflexões acerca do Brasil em 2022.

Finalmente, uma interessantíssima exposição dos resultados de uma pesquisa sobre o que o brasileiro pensa (A cabeça do brasileiro em 2022, de Alberto Carlos de Almeida) sugere que, à medida que a escolarização for aumentando, a nossa visão de mundo quanto à interferência do governo na economia se tornará cada vez mais liberal.

Assim, o novo governo terá, pois, de fazer escolhas. Se errar a embocadura, a distância até 2022 será curta demais para uma grande mudança de rota e a obtenção de bons resultados.

Os trabalhos mostram que os cenários possíveis são pelo menos três: 1) realizam- se mudanças tais que o patamar de crescimento aumenta e se sustenta; 2) a economia continua acelerada sem mudanças mais substantivas e, eventualmente, enfrenta al- gum tipo de parada, como ocorreu no início dos anos 1980; e 3) há uma acomodação na economia, sem grandes ajustes, levando a um crescimento modesto, provavel- mente do tipo stop and go.

Na verdade, as escolhas básicas estão no tamanho e no papel do Estado, no avanço ou recuo de nosso relacionamento com o resto do mundo, na busca mais efetiva de elevação da produtividade total e da mão de obra na economia brasileira e, finalmente, na capacidade de gerar políticas sociais e ambientais compatíveis com o crescimento econômico mais rápido e sustentável. Por exemplo, o ajuste fiscal só será consistentemente realizado se houver a convicção de que o Estado não é o provedor universal nem, necessariamente, o mais eficiente empresário. Da mesma forma, continua sendo verdade que a educação ainda não é consistentemente percebida como o mais fundamental agente de mudança na aventura do crescimento econômico.

O livro 2022 é uma leitura que recomendo com muito entusiasmo.

José Roberto Mendonça de Barros

São Paulo, 14 de dezembro de 2010

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