Gestão estratégica

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Gestão estratégica, Gestão Municipal

Estudo da Macroplan revela quais cidades entregam mais Saúde, Educação, Segurança e Saneamento

Ranking revela impacto da crise no desempenho da gestão nas 100 maiores cidades brasileiras.

A quarta edição do estudo Desafios da Gestão Municipal (DGM), que está sendo lançada pela Macroplan neste ano eleitoral, mostra quais cidades entregaram mais serviços em quatro áreas essenciais – saúde, educação, segurança e saneamento & sustentabilidade. O ranking avalia os 100 maiores municípios do país em termos de população (mais de 273 mil habitantes), que respondem por cerca de metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Na experiência internacional, as cidades que lideram as listas dos melhores lugares para se viver, em geral, são as que conseguem conciliar geração de oportunidades com qualidade de vida, e a gestão municipal tem papel crucial nesta função.

Os municípios, por exemplo, são responsáveis pelos anos iniciais do ciclo escolar que são determinantes para a igualdade de oportunidades. Nas famílias com renda domiciliar per capita de até um salário mínimo, 90,7% das crianças de 6 a 14 anos frequentam escola pública (Pnad, 2018). A maior parte delas na rede municipal que abriga 68,5% das matrículas do ensino fundamental da rede pública (Censo Escolar , 2018). Quanto pior a qualidade do serviço público, maior tende a ser o abismo entre os que dele dependem e os que podem recorrer a iniciativa privada.

O desempenho global da gestão de cada cidade é avaliado por um índice sintético, composto por uma cesta de 15 indicadores de todas as áreas analisadas, o IDGM – Índice Desafios da Gestão Municipal. O IDGM varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, melhor o desempenho do município.  

O estudo da Macroplan não avalia a gestão de prefeituras específicas, mas o legado de várias administrações das cidades, aferindo a evolução dos indicadores na última década, assim como no último ano.

Na última década, a evolução do IDGM revela que houve avanços positivos em praticamente todos os 100 municípios, menos em Ananindeua (PA).  Exceção é a área de segurança que registrou retração em 34 municípios.

Já na análise do último ano, é possível verificar uma maior retração no IDGM nas cidades do estudo. Quase metade delas teve piora no desempenho: cinco municípios no Norte, seis no Nordeste, vinte e seis no Sudeste, dez no Sul e dois no Centro-Oeste tiveram desempenhos negativos no índice agregado, sendo mais frequentes na saúde (83 municípios) e segurança (46 municípios).

No estudo da Macroplan, é possível verificar as grandes diferenças regionais na capacidade de entregar resultados em serviços essenciais à população. Entre as dez primeiras colocadas no ranking geral do DGM 2020, destacam-se oito cidades do interior de São Paulo e duas do Paraná.  

Piracicaba (SP) é a primeira colocada no ranking geral da pesquisa, com um IDGM de 0,757. Há também cidades que alcançam posição idêntica, como é o caso de São José do Rio Preto (SP) e Maringá (PR), ambas com IDGM 0,739, ocupando a segunda posição do ranking geral. São José dos Campos (SP) ocupa, assim, a 4ª colocação, com IDGM de 0,738, e Jundiaí (SP) a 5ª, na aferição das melhores entregas de serviços à população, com IDGM de 0,730. O Estado do Rio tem cinco cidades entre as dez piores do ranking e Ananindeua (PA) está na lanterna entre as cidades analisadas, com IDGM 0,404.

Rankings por área

Além do ranking geral, a pesquisa da Macroplan aponta as cidades com a melhor oferta de serviços essenciais por área.

Educação 

As cidades com a melhor aferição no IDGM Educação (que reúne indicadores de matrículas em creche; matrículas em pré-escola, IDEB Ensino Fundamental I e IDEB Ensino Fundamental II, ambos da rede pública) são do interior de São Paulo.

Saúde

O IDGM Saúde reúne os indicadores de mortalidade infantil, acesso à assistência pré-natal, atenção básica à saúde e mortalidade prematura por doenças crônicas. Os municípios mais bem posicionados são das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Segurança

O IDGM Segurança avalia a taxa de homicídios e mortalidade por acidente de trânsito. As cidades do Estado de São Paulo obtiveram os melhores resultados.

Saneamento

O IDGM Saneamento e Sustentabilidade reúne os indicadores de acesso à esgoto, água e lixo. Cidades de São Paulo e Paraná ocupam as melhores posições.

Para uma das coordenadoras do estudo, a economista sênior da Macroplan, Adriana Fontes, as cidades precisam inovar para lidar com a falta de recursos e a pressão da sociedade por mais e melhores resultados. “Enquanto alguns municípios focam na agenda de curto prazo, outros conseguem superar as adversidades do atual cenário com planejamento, foco e cooperação. Gerir com base em evidências, buscar as boas práticas de outras cidades e dar continuidade a políticas públicas exitosas são fundamentais para evitar desperdícios de recursos”, afirma.

Portal

A nova edição conta com uma plataforma inédita para acesso ao estudo e visualização de dados e indicadores que compõem o IDGM. Segundo o consultor sênior Éber Gonçalves, um dos coordenadores do estudo e responsável técnico pela plataforma, a ferramenta permitirá o monitoramento de posições e resultados alcançados para a definição de estratégias com economia de tempo e recursos. “Com os dados estruturados de forma evolutiva e comparativa busca-se facilitar a interpretação e disseminação das informações junto à sociedade, contribuindo para qualidade do debate político” destaca Éber. Link para o site: http://www.desafiosdosmunicipios.com/

Destaque na revista Exame

Confira a matéria na íntegra através do link:

https://exame.abril.com.br/revista-exame/depois-do-essencial-o-digital/

Gestão estratégica, Inovação na gestão pública, Planejamento estratégico, Visão de futuro

Para atender à demanda, as escolas técnicas precisam se atualizar e entregar ao mercado profissionais com as habilidades desejadas.

Ensino técnico: não é para pobre coitado

Depois de décadas de desdém, o Brasil finalmente parece dar sinais de que vai investir no crescimento do ensino técnico — e isso deve ser comemorado

No Brasil, o ensino técnico profissionalizante — aquele voltado para estudantes de nível médio e que capacita os jovens em uma profissão — sempre foi visto com certo desdém. Por muito tempo, vigorou a ideia de que era algo destinado às classes menos favorecidas. Nos tempos do Império, escolas técnicas eram vistas como uma “benesse” para órfãos de famílias pobres ou crianças com alguma deficiência física. Durante o governo de Getúlio Vargas, a Reforma Capanema, liderada pelo ministro da Educação, Gustavo Capanema, fundou as bases do ensino industrial com a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e corroborou a ideia de que o ensino técnico era “destinado às classes menos favorecidas”. Felizmente, essa visão, aos poucos, vai sendo superada — e o Brasil só tem a ganhar com isso.

Um estudo da consultoria Macroplan compilou dados sobre o ensino técnico brasileiro e traz uma boa notícia: o número de matrículas cresceu 90% nos últimos dez anos, de 942.000 para quase 1,8 milhão de alunos. A alta foi puxada pelo crescimento da oferta nas instituições públicas, que avançou 111%, ante 65% nas escolas privadas. O destaque é o avanço do ensino técnico nas escolas federais e estaduais. No período, o número de matrículas em instituições federais aumentou 175%, enquanto nas estaduais cresceu 102%.

Dos anos 50 em diante, a legislação brasileira alternou incentivos e desestímulos ao ensino técnico. Em 2004, o Decreto no 5.154 possibilitou o desenvolvimento da educação profissional integrada ao ensino técnico. Isso abriu espaço para que o governo federal implantasse uma série de políticas de incentivo à abertura de cursos e vagas, como o Programa Brasil Profissionalizado, de 2007, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e a Rede e-Tec Brasil, ambos de 2011. O Plano Nacional de Educação, de 2014, incluiu uma meta ambiciosa para o ensino técnico: chegar a 5,2 milhões de matrículas em 2024, quase três vezes o número atual. Para atingir essa meta — e sobretudo garantir um ensino de qualidade —, será preciso pôr em prática algumas estratégias previstas no PNE. Uma delas é criar um sistema de avaliação dos cursos. Outra é oferecer estágios aos alunos. “Em muitas escolas, os estágios são substituídos por visitas técnicas, que não propiciam ao aluno contato com a realidade profissional”, diz Karla Régnier, consultora sênior da Macroplan e uma das responsáveis pelo estudo.

Num país pobre e com alta taxa de desemprego, os cursos técnicos atraem jovens que precisam obter renda rapidamente — até para bancar o ensino superior. Um estudo do Senai mostra que um profissional que tenha feito curso técnico ganha 18% mais do que alguém com o mesmo perfil socioeconômico que tenha feito o ensino médio regular. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a remuneração média de um técnico é de 2.669 reais, ante 2.058 do conjunto de trabalhadores.

A oferta de ensino técnico no Brasil ainda é baixa. Um estudo recentemente divulgado pela OCDE, o clube dos países ricos, mostra que apenas 8% dos estudantes brasileiros completam o ensino médio com alguma formação técnica. É o segundo pior índice no grupo de 46 países avaliados — e muito abaixo da média de 40% dos países-membros da OCDE. Outra comparação em que o Brasil sai perdendo é o investimento por estudante: o gasto por aluno aqui é de 4.100 dólares, ante 10.000 na média da OCDE. Se mantiver o ritmo de crescimento da última década, o Brasil precisará de 30 anos para alcançar Portugal, onde 46% dos alunos estão matriculados em cursos técnicos.

O crescimento dos cursos de nível técnico ocorre num contexto em que o mercado exige cada vez mais profissionais que sejam especializados em suas funções e preparados para lidar com as novas tecnologias digitais, como robótica, internet das coisas e inteligência artificial. Hoje faltam profissionais capacitados para esse mundo 4.0. Segundo o estudo Mapa do Trabalho Industrial 2019-2023, do Senai, profissões ligadas à tecnologia estarão entre as de maior crescimento nos próximos anos. O número de vagas para condutores de processos robotizados, por exemplo, deverá crescer quase 23% nos próximos quatro anos.

Para atender à demanda, as escolas técnicas precisam se atualizar e entregar ao mercado profissionais com as habilidades desejadas. Nem sempre é o que acontece. “Muitas empresas não conseguem contratar porque não acham profissionais com o perfil adequado”, diz Adriana Fontes, economista sênior da Macroplan. Um exemplo é a empresa de serviços digitais Locaweb. A quantidade e a qualidade dos alunos formados são cada vez menores, segundo Higor Franco, diretor-geral de varejo da Locaweb. “Precisamos treinar os jovens que chegam e, como a demanda por esses profissionais é grande, corremos o risco de perdê-los para outras empresas”, diz Franco.

Em alguns setores, a baixa oferta de trabalhadores de nível técnico é um obstáculo ao crescimento. A Saint-Gobain Abrasivos, fabricante de lixas, discos de corte e outras ferramentas, busca profissionais que aliem conhecimentos de nível técnico “raiz”, como mecânica e elétrica, com outros mais recentes, como programação. “Não é simples encontrar esse profissional no mercado”, diz Alexandre Gama, diretor industrial da Saint-Gobain Abrasivos. A estratégia tem sido encontrar e formar jovens aprendizes. “De cada 80 estudantes selecionados, conseguimos achar dois com potencial para ser bons profissionais.” A equipe de Gama tem seis profissionais focados em programação. “O ideal seria termos 12.”

Cenário setorial Energia, Gestão estratégica, Visão de futuro

País deve empregar recursos para prevenção e remediação de desastres ambientais

Brasil não destina royalties para prevenir desastres como o atual

Mesmo com o aumento da receita do petróleo e diante da projeção de crescimento das exportações, o Brasil não tem previsão de destinação obrigatória dos royalties para prevenção e remediação de desastres como o que atinge as praias do Nordeste desde o fim de agosto.

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, o crescimento da produção do pré-sal e, consequentemente, das exportações de petróleo do país cria a necessidade de estabelecer fontes de recursos e uma estrutura de resposta a emergências.

Na crise atual, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) vem usando recursos de outras fontes para cobrir os custos. Responsável pela operação nas praias, a Petrobras está gastando dinheiro do próprio caixa sob a promessa de reembolso, já que não é responsável pelo vazamento.

Procurado para comentar o assunto, o Ministério do Meio Ambiente não respondeu a pedido de entrevista.

Ainda não há estimativas sobre o custo total com a remediação das praias atingidas, mas a coordenadora-geral de Emergências Ambientais do Ibama, Fernanda Pirillo, fala em milhões de reais. “O ideal seria ter um fundo para casos de emergência, que possa ser usado de forma mais rápida”, diz ela.

Entre os custos estão o de deslocamento de técnicos para coordenar os trabalhos, contratação de mão de obra para retirar o óleo, equipamentos de segurança, transporte do óleo recolhido e uso de aeronaves e embarcações durante a emergência.

Na quinta (24), Ministério Público do TCU (Tribunal de Contas da União) pediu abertura de fiscalização para apurar a conduta do governo federal. O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado solicitou o acompanhamento de recursos que eventualmente sejam pagos pelos responsáveis pelo desastre ambiental.

O Plano Nacional de Contingência prevê que um coordenador operacional seja responsável pela contabilização dos gastos para cobrança de eventuais poluidores. Caso a origem permaneça desconhecida, o Ministério Publico entende que a conta é da União.

Até 2012, a lei que rege a distribuição dos royalties do petróleo previa que parte dos recursos destinados aos ministérios do Meio Ambiente e de Ciência e Tecnologia fossem investidos em prevenção e resposta a poluição e danos causados ao meio ambiente pela indústria do petróleo.

Especialista em petróleo do escritório Trench, Rossi e Watanabe, a advogada Gabriela Bezerra Fischer lembra que a lei que alterou as regras, criando o Fundo Social e destinando parte da receita para educação e saúde, eliminou essa obrigação.

O texto aprovado no governo Dilma Rousseff cita o meio ambiente apenas na obrigação de investimentos em programas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

Em 2013, ano seguinte à mudança, a receita com royalties e participações especiais sobre a produção de petróleo no Brasil foi de R$ 42,9 bilhões, em valores corrigidos pela inflação até dezembro de 2018. No ano passado, atingiram o recorde de R$ 53 bilhões.

Em 2018, o Ministério do Meio Ambiente ficou com R$ 551 milhões e o Ministério de Ciência e Tecnologia, com R$ 1,2 bilhão.

“Já passou da hora de destinarmos parte das receitas dos royalties para estruturar um sistema sério, que envolva todos os estados, de resposta a esse tipo de acidente”, diz o economista Cláudio Porto, da consultoria Macroplan, que é especializado em royalties do petróleo.

O consultor Adriano Pires, do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), lembra que o Brasil se tornará exportador de petróleo, com inevitável aumento no tráfego de petroleiros. Em uma década, segundo a Empresa de Pesquisa Energética, a produção nacional deve subir dos atuais 3 milhões para 5,5 milhões de barris por dia.

“O Brasil vai produzir cada vez mais óleo e os navios venezuelanos vão continuar passando em frente ao Nordeste, então temos que criar uma política responsável para responder a acidentes”, afirma Pires. “Esse caso mostra claramente que não estamos preparados.”

Embora tenha criado uma estrutura de resposta a desastres com petróleo, o Plano Nacional de Contingência não especificou as origens dos recursos. Um dos órgãos responsáveis pelo tema, o comitê de suporte, foi extinto pelo governo Bolsonaro em abril.

A obrigação de investimento de royalties em prevenção tem surgido em debates no Congresso sobre nova distribuição dos recursos do petróleo. 

“A receita dos royalties tem entrado em contas totalmente distintas de suas finalidades”, diz o deputado federal Christino Áureo (PP-RJ), que planeja um projeto sobre o tema.

Mesmo quando tinham destinação obrigatória, dizem os entrevistados, os recursos geralmente eram contingenciados pelo governo. Agora, acabam sendo usados para custear despesas correntes ou aposentadorias, como é o caso do Rio, principal beneficiário.

A preocupação maior se dá com relação a desastres de navios, já que a legislação prevê estrutura de combate a vazamentos em plataformas de produção. Cada projeto de produção deve ter uma embarcação de contenção disponível de forma permanente.

Especialista em emergências com experiência de 35 anos na Petrobras e professor da Coppe/UFRJ, Marcus Lisboa questiona a necessidade de manter tantas embarcações próximas a plataformas enquanto não há estrutura para atender emergências em regiões não produtoras.

Segundo ele, são cerca de 50 barcos de apoio dedicados a emergências em operação atualmente no litoral do Sudeste. No Golfo do México, onde se concentra a produção marítima nos Estados Unidos, diz, são seis. “E ficam atracadas à espera de emergências.”

Ele diz ainda que o Brasil é um dos poucos países costeiros não signatários de convenção internacional que funciona como uma espécie de seguro para poluição causada por vazamentos em navios, conhecida como CLC 92.

Financiada por países importadores, a convenção antecipa recursos para a contenção e remediação de desastres para depois cobrar ressarcimento dos responsáveis pela poluição. “O país não precisaria ficar procurando culpados, já teria sido ressarcido”, diz.

Gestão estratégica

Policy Papers
Série Gestão Estratégica de Governos

Como os novos governos podem entregar melhores resultados para a população? A série de Policy Papers da Macroplan abordará cinco temas estratégicos para aprimorar a gestão pública.

5º Policy Paper

Por que o setor público precisa inovar? |  SETEMBRO, 2019

Inovar é gerar valor! Ser criativo e ter grandes ideias não é suficiente para garantir a implantação de transformações sustentáveis. É necessário um processo sistemático de ideação, execução e geração de resultados, com impacto na governança, nas pessoas e na forma de trabalho. No setor público, significa compreender as expectativas e a evolução da sociedade e, a partir daí, modelar e entregar serviços públicos de maior qualidade, que melhorem a vida das pessoas. O 5º policy paper aborda o tema da inovação no setor público e foi escrito pela WeGov, parceira da Macroplan em projetos para o setor público. Clique para fazer o download: DOWNLOAD

4º Policy Paper

Do Escritório de Projetos à Central de Resultados |  JUNHO, 2019

Garantir insumos, executar projetos e fazer com que as entregas ocorram nos prazos sem estourar o orçamento pode não ser suficiente para gerar os impactos necessários. O desafio é utilizar dados e modelos preditivos para antecipar situações futuras e saber se os resultados esperados serão alcançado a tempo de ajustar a rota. O 4º Policy Paper aborda a evolução do escritório de projetos tradicional para uma capacidade instalada que conecta resultados e entregas, chamada de Central de Resultados. Clique para fazer o download: DOWNLOAD

3º Policy Paper

Gestão de investimento público: questões centrais e proposta de um modelo |  ABRIL, 2019

Há um enorme espaço para melhorar a eficiência do investimento público no Brasil. O Policy Paper descreve a importância e os benefícios da gestão do investimento público (GIP) no atual contexto brasileiro e propõe um modelo de GIP com o objetivo de melhorar a eficiência dos recursos investidos e a qualidade dos produtos e serviços entregues à sociedade. Clique para fazer o download: DOWNLOAD

2º Policy Paper

Gestão para resultados: quais os principais desafios?  |  MARÇO, 2019

A superação dos desafios ao desenvolvimento demanda uma gestão pública mais ágil, mais eficiente e mais efetiva. O Policy Paper descreve os principais desafios para a implantação de um modelo inovador de gestão estratégica orientado para resultados, destacando seus benefícios e fatores-chave. Clique para fazer o download: DOWNLOAD

1º Policy Paper

Novas formas de concertação estado-município para acelerar a produção de resultados  |  FEVEREIRO, 2019

O Policy Paper discute a demanda por novos padrões na relação estado – municípios, aponta as oportunidades de inovação na governança e gestão e os benefícios de uma atuação articulada em prol da melhoria da competitividade e da qualidade de vida. Clique para fazer o download: DOWNLOAD

Gestão estratégica

Consórcios são importantes instrumentos para aceleração do desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida

Surgiu em 2015 o primeiro consórcio interestadual de desenvolvimento do país. Um ineditismo a época, que a Macroplan tem orgulho de ter apoiado. Outras iniciativas similares começam a ser desenhadas, no Nordeste, no Norte, no Sul e Sudeste do Brasil. Ideia que também pode atrair grupos de municípios e não se limitar as compras conjuntas para barateamento de produtos. Os consórcios podem  levar a importantes inovações nas formas de planejamento e execução de diferentes projetos da administração pública.

As experiências práticas da Macroplan demonstram que a articulação entre os estados e municípios e entre os próprios municípios é um poderoso instrumento para aceleração do desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida.

Assista trecho do programa Jornal da Dez, da Globo News, de 9/8/2019:

Em busca de economia, governos estaduais recorrem a compras coletivas.

Cenário econômico, Gestão estratégica

Cenários: desempenho da economia é pior do que o esperado.

Do Correio Braziliense – Hamilton Ferrari

Crise política é apontada como um dos fatores para PIB enfraquecido

Ritmo fraco da economia decepciona e aumenta dificuldades do governo Bolsonaro. Dados setoriais reforçam indicações de queda da produção no primeiro trimestre, o que não acontece desde o fim de 2016, quando o país vivia forte recessão.

Além da crise política na relação com o Congresso, e até por causa dela, o governo de Jair Bolsonaro enfrenta, na economia, um de seus maiores desafios. A atividade econômica está em franca desaceleração, o que deve manter — ou mesmo agravar — a difícil situação financeira das famílias. Analistas do mercado financeiro estão reduzindo as estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, que deve ficar em 1%, ou abaixo disso. Com a falta de fôlego da economia, o consumo e os investimentos devem permanecer baixos, e a oferta de empregos continuará fraca.

A estagnação da economia é um entrave que reduz a força política da atual gestão. No começo do ano, economistas projetavam crescimento de 2,5% do PIB em 2019. Passados menos de cinco meses do novo governo, analistas avaliam que não há mais chance de isso se concretizar. O presidente da Macroplan, Claudio Porto, diz que tem conversado com agentes do mercado e empresários com capacidade de investimento. Para ele, o sentimento geral é de “grande frustração”.
“Talvez houvesse um otimismo excessivo após as eleições e, certamente, um entusiasmo de parte dos investidores com a agenda liberal do ministro da Economia, Paulo Guedes. A agenda está evoluindo, mas numa velocidade muitíssimo aquém das expectativas dos agentes e das possibilidades reais, por conta de problemas que foram criados dentro do próprio governo”, destaca Porto.

De janeiro a março, a indústria tombou 2,2% em relação ao 4º trimestre de 2018. No mesmo período de comparação, o setor de serviços recuou 1,7% e o comércio avançou apenas 0,3%. O fraco desempenho dos índices setoriais antecipa uma provável retração da economia no primeiro trimestre. A taxa oficial do PIB será divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no fim de maio, mas analistas já trabalham com um cenário de retração, que vem sendo apontado por outros indicadores.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, recuou 0,68% nos três primeiros meses do ano. Nos cálculos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), o PIB teve queda de 0,1% no primeiro trimestre. Confirmado o declínio, será a primeira vez, desde o quarto trimestre de 2016, que a economia do país terá registrado índice negativo.

A paralisia econômica já se refletiu nos índices de confiança dos consumidores e dos empresários (confira o gráfico ao lado). Os indicadores voltaram a níveis semelhantes aos do período pré-eleitoral, quando havia grande incerteza diante da polarização política vivida pelo país.

O governo definiu a reforma da Previdência como item prioritário da agenda, porque ela poderá permitir o ajuste das contas públicas, considerado essencial para a retomada da economia. O país registra rombo orçamentário desde 2014, o que tem provocado o aumento da dívida pública. Em consequência do longo período no vermelho, o governo perdeu a capacidade de realizar investimentos que poderiam estimular a atividade econômica. No entanto, a reforma tramita com dificuldade. Com a falta de previsibilidade, os empresários se mantêm cautelosos e não tiram da gaveta projetos de ampliação da produção.

Claudio Porto afirma que, por ser um governo de “descontinuidade” em relação às políticas econômicas adotadas no passado, a atual gestão prometia grandes mudanças. No entanto, avalia, a “dona realidade” se impôs e estabeleceu um ritmo de recuperação menos acelerado do que se anunciava.

O economista Alex Agostini, analista da Austin Rating, explica que, além da baixa velocidade nas mudanças na economia, o Brasil tem sofrido com o cenário internacional adverso e com o aumento da inflação. “O contexto global está mais desafiador e o governo demonstrou, infelizmente, ausência ou baixo nível na articulação com o Congresso. Isso atrapalhou muito o cronograma da reforma da Previdência e tudo isso vai, naturalmente, adiando as expectativas”, destaca. “E os índices de preços também subiram, pressionado por alimentos e combustíveis, o que limitou o consumo”, completa.

De acordo com o especialista, dificilmente o país vai conseguir reverter o crescimento fraco em 2019, já que o ano está se aproximando da metade e ainda não há um consenso para a aprovação da reforma do sistema previdenciário. Em 2018, o PIB avançou apenas 1,1%, assim como no ano anterior. Agostini acredita que, em 2019, a economia brasileira crescerá 1%. “Mas, com o dólar em alta, e os preços dos combustíveis em elevação, há o risco de nova greve dos caminhoneiros, o que prejudicaria ainda mais a atividade e derrubaria de vez o PIB”, ressalta.

Luana Miranda, pesquisadora da área de Economia Aplicada da FGV, afirma que, apesar de prever um PIB maior do que em 2018, há muitos riscos que podem diminuir a atividade econômica neste ano. “Não conseguimos visualizar que 2019 será mais fraco que em 2018 no cenário-base, mas os riscos futuros impõem um viés de baixa. Se esses riscos se concretizarem, teremos um desempenho pior do que o esperado”, frisa.

Gestão estratégica, Inovação na gestão pública

Nova governança estratégica aponta maior desenvolvimento ao Sul da Bahia

Do Jornal Bahia On line

Lideranças regionais avaliam modelo de Agência de Desenvolvimento Regional

Uma agência de desenvolvimento capaz unir forças e competências de representantes da sociedade para a execução de projetos que visam o desenvolvimento da Costa do Cacau. Este é o objetivo da proposta de modelo de uma Agência Regional apresentada às lideranças regionais na última quarta-feira, 20 de fevereiro, no auditório do hotel Tarik Fontes, em Itabuna pela empresa Macroplan, em parceria com o Sebrae e o Instituto Arapyaú.

A iniciativa é fruto do programa Líder do Sebrae que, ao longo de oito módulos, foi construído um Plano de Desenvolvimento Regional voltado aos eixos temáticos de Educação, Infraestrutura, Paisagem e Meio Ambiente e Economia.

O projeto contempla a participação da sociedade civil, autoridades do Poder Público Municipal e Legislativo, instituições e entidades dos municípios de Ilhéus, Itabuna, Itacaré, Uruçuca, Canavieiras e Una.

O diretor da empresa Macroplan, Gustavo Morelli, destacou que o modelo de Agência Regional foi constituído a partir de uma longa pesquisa realizada em todo o Brasil para se chegar a um formato mais adequado para a região.

“Estaremos discutindo e validando esse modelo para que, definido e validado, selecionado a estrutura, o desenho da agência de desenvolvimento da Costa do Cacau possa passar para a próxima fase, que é a formalização e implantação da Agência de Desenvolvimento da Costa do Cacau”, afirmou.

Com a possibilidade de articular competência e recursos que viabilizem a execução de projetos, a gerente regional do Sebrae Ilhéus, Claudiana Figueiredo, acredita que “a partir desse momento, com a agência em fase de implantação, nós vamos poder ancorar diversos projetos de desenvolvimento do Sul da Bahia e tocar, de forma mais rápida, o desenvolvimento de maneira orgânica, sustentável e inclusiva com a participação da sociedade civil organizada”, destacou, enfatizando as ações que serão trabalhadas para o desenvolvimento dos pequenos negócios.

Responsável por aportar a consultoria específica para a criação da Agência, o Instituto Arapyaú é parte integrante do Sul da Bahia Global e esteve representado pelo gerente de programas, Ricardo Gomes. A expectativa, segundo ele, é validar o modelo e ganhar a adesão por parte do segmento empresarial.

“Não dá para não ter o tripé de uma sociedade envolvida, que é o Poder Público, a sociedade civil e o movimento empresarial. Todos eles unidos em favor de um projeto que venha contribuir para o desenvolvimento empresarial, com certeza a gente tem mais chance de ter êxito”, avaliou.

Representações

O encontro reuniu ainda representantes do segmento empresarial, a exemplo do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas – CDL de Itabuna, Carlos Leahy, que estará participando dos projetos da Agência.

“É uma oportunidade de ficar sabendo de todos os projetos e tendências, o que pode ser feito para melhorar a nossa região. Itabuna centraliza uma grande quantidade de municípios que consomem do comércio e serviço. Então, temos que pensar enquanto região”, enfatizou.

Também presente no evento, o coordenador executivo da Associação dos Municípios do Sul, Extremo Sul e Sudoeste da Bahia – Amurc, Luciano Veiga, apontou sobre a necessidade de pensar a região como um todo. “Pensar desenvolvimento de uma forma global”, acrescentou.

Segundo ele, não dá para desenvolver uma cidade em detrimento de outra localidade, tendo em vista a capacidade logística, de produção, do turismo e outras áreas. “Nesse contexto, entra o espírito de associação, consorciamento, do envolvimento da participação dos municípios, que cada um faça a contribuição dos seus potenciais para que a gente, de fato, consiga desenvolver”, completou.

Gestão estratégica, Gestão Municipal

Planejamento é uma das principais ferramentas de gestão para municipios avançarem

Rio Preto é a terceira melhor cidade do Brasil
Do  Diário da Região – São José do Rio Preto (SP) – Por  Francela Pinheiro

Pelo segundo ano, Índice Desafios da Gestão Municipal, da consultoria Macroplan, coloca Rio Preto como a terceira melhor cidade entre as cem maiores do País

Rio Preto é a terceira melhor cidade para se viver no Brasil. A informação pode parecer repetida aos leitores do Diário, mas é notícia nova. A cidade dos Grandes Lagos, com 450.657 habitantes (51º no País), foi eleita mais uma vez pelo Índice Desafios da Gestão Municipal, edição de 2018, como uma das primeiras em qualidade de vida entre os cem maiores municípios brasileiros. O estudo levou em conta índices da educação, saúde, segurança, saneamento e sustentabilidade, relativos a 2016.

Pelo estudo desenvolvido pela Empresa de Consultoria e Estratégia Macroplan, Maringá, no Paraná, é a primeira colocada. De 0 a 1, a cidade alcançou uma pontuação de 0,748 pontos no geral. Piracicaba ficou em 2º lugar, com uma nota de 0,739. Em seguida está Rio Preto, com 0,738. Em 2006, a cidade ocupava o 12ª posição com uma nota de 0,612. No ano passado, quando também ficou em 3º no geral, a cidade fez 0,791 pontos.

Quando a classificação foi por área, Rio Preto ocupou o 2º lugar em educação. Com uma pontuação de 0,659 no setor, o estudo destacou que a cidade tem 100% das crianças matriculadas na pré-escola e 54,9% matriculadas na creche – nesse quesito, Piracicaba é primeira colocada, com índice de 59,3%.

A segunda área de Rio Preto mais bem avaliada foi a saúde, que deu um salto de 2006 para 2016 e saiu da 22ª para a 7ª posição. A taxa de mortalidade infantil foi destaque, com 6,7 morte de crianças por 100 mil habitantes, enquanto em Joinville, a melhor, o índice foi de 5,1.

O que mais chamou a atenção, porém, foi a cobertura do pré-natal que é de 84,3%. Em Jundiaí, referência no indicador, esse índice foi de 86,7%. Entre as famílias beneficiadas com o pré-natal da saúde pública está a de Juliana Bertoni da Costa, 34 anos. Mãe da pequena Morghana, ela não cansa de contar todos os dedos das mãos da bebê de cinco meses.

Segundo ela as recomendações de acompanhamento feitas pelo Ministério da Saúde foram seguidas à risca. Não faltou a nenhuma consulta. “Tive uma gravidez tranquila. E não é só o meu caso. Meu pai e meu irmão tratam de doenças cardíacas sem pagar nada no Hospital de Base de Rio Preto”, disse.

Nascida em Atibaia, a auxiliar de limpeza Luciana Aparecida Leite Santos, 38 anos, mora há dez em Rio Preto. Foi por aqui que ela teve três dos cinco filhos. Todos nasceram na rede pública da cidade. O filho caçula, Heitor, nasceu no último domingo na Santa Casa, após a mãe comparecer nas sete consultas do pré-natal realizadas na UBSF Jardim Simões/Renascer. “Só não fiz mais consultas porque só descobri que estava grávida muito tarde, na 12ª semana. Eu fui tratada com todo carinho pela equipe. Sempre me deram orientação”, diz.

Para o economista e sociólogo Ari Ramos os dados são resultados da estrutura que a cidade possui nos setores. “Uma tendência natural da própria cidade. Estrutura econômica centrada em serviços – fortemente nos setores de educação e saúde – isso é histórico. A estrutura é consolidada e vai aprimorando.”

Para o sociólogo, apesar da colocação no geral, Rio Preto precisa planejar e avançar. “Tem um espaço para melhora muito grande. Precisamos buscar lideranças para avançar, qualificar nossos alunos que vão ser os futuros profissionais. Temos ilhas de atendimento na saúde de ótima qualidade. Mas se olhar de uma forma geral tem muita reclamação”.

(Colaborou Marco Antonio dos Santos)

Gestão estratégica, Gestão Municipal, Inovação na gestão pública

Tirar o foco exclusivo no ajuste fiscal e inovar são saídas para prefeitos enfrentarem crescentes desafios nas cidades

Múltiplas pressões na escassez de verbas

Do DCI – Por Liliana Lavoratti

Líderes municipais – dos três Poderes, principalmente prefeitos – terão de trabalhar, cada vez mais, com pressões e cobranças múltiplas, em contexto de forte escassez de recursos e acentuadas restrições burocráticas e legais. Encontrar novas soluções para esses dilemas é o grande desafio que se coloca para os prefeitos, legisladores e gestores públicos municipais, atuais e futuros, indica a terceira edição do estudo Desafios da Gestão Municipal-DGM, da consultoria Macroplan, que avalia a evolução de 160 indicadores em saúde, educação, segurança e saneamento & sustentabilidade nos 100 maiores municípios do País (mais de 273 mil habitantes).

Diferença entre os municípios

O mapeamento revelou grandes diferenças na capacidade de entregar resultados em serviços essenciais à população. “Enquanto alguns municípios ficaram focados na agenda de curto prazo, outros conseguiram superar adversidades do atual cenário e se modernizaram, com planejamento, foco e cooperação. Cidades com estruturas similares entregaram resultados muito distintos. Mais do que reduzir custos, é preciso obter ganhos contínuos de produtividade e eficiência na gestão pública”, destaca o diretor da consultoria, Glaucio Neves, coordenador geral do estudo.

Tirar o foco do ajuste fiscal

Portanto, concentrar a agenda da gestão pública só no ajuste fiscal e em ações “de varejo” e de curto prazo é abrir mão de uma janela de oportunidade para inovar. “A escassez deve ser trabalhada não só como um problema, mas também como combustível para o novo, para a busca de formas alternativas de exercer uma boa gestão, mais eficiente e orientada para as efetivas necessidades dos cidadãos”, enfatiza o diretor da Macroplan. A pesquisa da Macroplan demonstra que, nos últimos anos, a escassez de recursos financeiros foi generalizada nas 100 cidades pesquisadas.

Generalizada queda nas receitas

Nesses municípios, a receita subiu 13,6%, de 2010 a 2016, mas o crescimento da despesa foi maior (16,8%), puxada pelos gastos com pessoal e custeio, restando cada vez menos espaço para investimentos, que teve queda de 16,4% nos últimos cinco anos. No último ano várias cidades retrocederam em pelo menos uma das quatro áreas analisadas no estudo: 17 cidades pioraram no IDGM -Educação, 40 no IDGM Saúde, 33 pioraram no IDGM – Saneamento & Sustentabilidade e mais da metade viu crescer a taxa de homicídios entre 2015 e 2016.

Paraná e Pará

Ainda assim, na década houve ganhos generalizados nos municípios estudados. As cidades que apostaram em novas soluções para enfrentar dilemas como déficit de saneamento, obstáculos à educação, índices elevados de violência, problemas na saúde, tiveram progressos relevantes. Entre as dez primeiras colocadas no DGM-2018, destacam-se nove cidades do interior de São Paulo. Maringá (PR) é a primeira, posição que já ocupava há uma década. O Estado do Rio tem quatro cidades entre as dez piores e Ananindeua (PA) está na lanterna entre as cidades analisadas.

 

Gestão estratégica, Inovação na gestão pública

Cidades: melhorar a produtividade do gasto possibilita entregar melhores serviços à população

O segredo de cidades que melhoram mesmo na crise

Estudo inédito da Macroplan mostra que situação fiscal dos municípios não é boa – mas isso não é justificativa para a piora dos serviços públicos

Para descobrir como está a qualidade de vida da população das cem maiores cidades brasileiras, que concentram 39% da população e 50% da riqueza produzida no país, a consultoria Macroplan criou um índice que leva em conta 15 indicadores de educação, saúde, segurança e saneamento básico. O estudo mostrou boas notícias. Entre 2006 e 2016, houve melhora em indicadores de saúde, educação e saneamento.

A má notícia é que o ritmo de melhora é lento. Por exemplo: mantendo a tendência dos últimos anos, universalizar o esgotamento sanitário vai levar cem anos. O estudo mostra que a situação fiscal dos municípios está longe de ser tranquila. Mas conclui que isso não é justificativa para impedir o avanço da qualidade dos serviços essenciais – como as melhores cidades mostram.

Entre 2010 e 2016, a receita do grupo dos 100 maiores municípios cresceu 13,6% (em termos reais, isto é, descontada a inflação do período), puxada pelas receitas tributárias, o que é uma boa notícia, dado que um dos problemas das cidades brasileiras é a dependência das transferências de recursos dos estados e governo federal. Mas as despesas avançaram num ritmo superior – crescimento real de 16,8%.

A alta dos custos foi puxada por gastos com pessoal. A despesa com funcionários da ativa subiu 24,4% e a com inativos e pensionistas, 56,5%. Como são despesas difíceis de serem cortadas, afinal não é possível demitir funcionários públicos nem reduzir os dispêndios com aposentados, só resta ao gestor apontar a tesoura para onde é mais fácil cortar – os investimentos, que caíram 16,4% no período.

A líder do ranking, pelo segundo ano consecutivo, é Maringá, cidade de 400 mil habitantes no interior do Paraná – e que também liderava em 2006. A receita tributária do município é 880 reais por habitante e o investimento per capita, 350 reais. São números menores do que os de Niterói, que tem o maior investimento por habitante, quase 780 reais e receita tributária per capita de quase 1.500 reais, mas ocupa a 38ª posição. Outro indicativo de que sair gastando não é sinônimo de sucesso: Campos dos Goitacazes (RJ) tem a maior despesa com prestação de serviços (5.400 reais), mas ocupa a 74ª posição no ranking.

A cidade paranaense não lidera nenhum das quatro áreas analisadas pela Macroplan e ganha pelo “conjunto da obra” – a melhor posição é o segundo lugar em saneamento e sustentabilidade, atrás de Santos (SP). Nesse item, a cidade tem como destaque ser uma das sete que universalizaram o acesso à rede de esgotos.

Maringá tem a terceira menor taxa de mortalidade por doenças crônicas não transmissíveis (224 por cem mil habitantes) e 17ª menor taxa de homicídios (10 mortes por cem mil habitantes). E em educação, os alunos da rede pública do Fundamental I tem a segunda melhor nota no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

O sucesso da cidade se deve ao trabalho em conjunto entre os setores público e privado. Maringá é uma das poucas cidades que nasceram planejadas e, ao contrário de outras, como Brasília, não cresceram de modo desordenado. A vocação para o trabalho em cooperativa também remonta à fundação da cidade. As áreas vendidas no entorno da cidade não tinham mais do que 10 alqueires, o que forçou os empresários e agricultores da cidade a se juntar. “Desde sua fundação Maringá sabe que, para se desenvolver, é preciso unir forças”, diz o prefeito da cidade Ulisses Maia.

O grande salto da cidade foi dado em 1996, com a fundação do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem), um braço da associação empresarial e comercial da cidade. Em períodos eleitorais, os candidatos a prefeito precisam adequar as propostas às diretrizes do Codem. “Os gestores públicos não podem criar políticas e projetos sem consultar o Codem”, diz o prefeito. “Tudo é discutido e cada ação é planejada e se insere num objetivo maior.” Em 2015, os integrantes do Codem contrataram, com recursos do próprio bolso, a consultoria PwC para um projeto ambicioso: o Masterplan 2047. “Nosso objetivo é tornar Maringá a melhor metrópole do interior do Brasil”, diz o presidente do Codem, José Roberto Mattos.

Um exemplo prático de como tudo funciona melhor quando o setor público senta para conversar com a iniciativa privada: para se recuperar de uma crise econômica no final da década de 90, com setores do agronegócio migrando para a região Centro-Oeste, o Codem viu uma oportunidade de desenvolvimento do setor de serviços qualificados, como saúde, educação e tecnologia da informação – um caminho diferente de muitas cidades, que sempre apostaram na atração de indústrias via incentivos tributários. Leia também: As cidades mais inteligentes do Brasil em 11 critérios 

Resultado: além de empregos e crescimento econômico, mais impostos para os caixas municipais. Segundo o sistema tributário brasileiro, o Imposto sobre Serviços (ISS) vai para os cofres municipais, ao contrário do (ICMS), que tem predominância estadual, ou outras contribuições, que vão para os cofres da União. Somente no primeiro semestre, o aumento da arrecadação via ISS no primeiro semestre foi de 21%, com previsão de R$ 180 milhões até o final do ano – 16% dos R$ 1,1 bilhão de receitas previstas.

Eficiência na cobrança

Obter receitas próprias, sem depender dos repasses dos estados e da União, é o principal desafio dos prefeitos das cidades brasileiras, segundo um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Em 2016, 3.714 cidades brasileiras, 82% do total, não geraram nem 20% das receitas. Só em 136, pelo menos 40% da arrecadação vem de tributos municipais, como o ISS, o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e o Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). O efeito disso é que, de acordo com o estudo, 86% dos municípios brasileiros estão em situação fiscal crítica. E, nesse quadro, o nível de investimentos atingiu o menor nível desde 2006 – 6,8% do orçamento das cidades destinados para esse fim.

“A melhor forma de aumentar as receitas próprias é melhorando a eficiência da cobrança dos impostos municipais”, diz Ana Dal Fabbro, gerente de projetos da Fundação Brava, uma ONG que tem como uma de suas atribuições melhorar a gestão fiscal dos municípios. Um dos projetos da Brava é o Otimiza, uma ferramenta online que permite comparar quando uma cidade arrecada de impostos na comparação com outras do mesmo nível de desenvolvimento.

“Se um município consegue arrecadar menos com IPTU do que outro com o mesmo perfil, é sinal de que algo está errado”, diz Dal Fabbro. Macapá (AP), que ocupa a 99ª posição no ranking da Macrolan, poderia arrecadar quase R$ 13 milhões a mais com IPTU – mais do que os quase R$ 9 milhões arrecadado em 2016.

Mudar o perfil de arrecadação de um município não é tarefa simples. “A situação fiscal é complexa e não será resolvida rapidamente”, diz Gláucio Neves, sócio da Macroplan. Nessa situação, é preciso melhorar a produtividade do gasto, ou seja, gastar melhor e entregar melhores serviços à população. A educação é uma das melhores áreas em que gastar mais não garante resultados. Segundo a Macroplan, Porto Alegre foi a cidade com maior gasto por aluno em 2015, 16.681 reais, mas entrega 77° maior nota no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) entre os cem municípios analisados (4,8). Do outro lado, está Joinville (SC), que gastou 4.798 reais por aluno e atingiu 6,9 no Ideb, a terceira melhor. Enquanto a capital gaúcha gastou 3.475 reais por ponto, a cidade catarinense despendeu 695 reais.

Segundo o secretário de Educação de Joinville, Roque Mattei, o bom desempenho no Ideb se deve a investimentos na construção de novas escolas e em tecnologia, como distribuição de tablets para os alunos, lousa digital e internet rápida nas escolas. “Mas o diferencial é o que se consegue fazer sem dinheiro”, diz. Mattei diz que as escolas da cidade podem escolher entre 56 projetos que ajudam a melhorar o desempenho escolar e não custam um centavo à prefeitura. Entre eles, educação financeira, curso de oratória, além de aulas de música e dança. “Contamos com muito trabalho voluntário e doações de empresários locais.”

O projeto mais recente tampouco dependeu de quantias vultosas. Trata-se do “Segredo de Singapura para o Sucesso de Matemática e Ciências.” Em março, a cidade recebeu dois professores de Singapura para treinar 40 professores na metodologia de ensino que fez da pequena ilha do sul da Ásia um destaque educacional global – e que foi fundamental para o salto no PIB per capita de 3400 dólares na década de 60 para 55 mil dólares no ano passado.

O objetivo é incentivar o gosto dos alunos por ciência e matemática deixando de lado as aulas focadas na memorização de conteúdo em favor de maior participação dos alunos. “Queremos desenvolver autonomia, curiosidade e criatividade dos alunos”, diz Mattei, que é vice-presidente nacional da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). Segundo ele, a escola da cidade mais pobre do país pode copiar a metodologia. “Basta ter professores treinados e materiais como caixas, copos plásticos e canudos para o desenvolvimento das atividades.”

Mesmo áreas que não são vistas como de responsabilidade das prefeituras, como segurança pública, se beneficiam quando os gestores municipais arregaçam as mangas. Como Diadema. O município da Grande São Paulo avançou 31 posições entre 2006 e 2016 no ranking da Macroplan para segurança e está na 14ª posição. Segundo Daniel Cerqueira, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e conselheiro do Fórum de Segurança Pública, Diadema foi um dos primeiros municípios a criar políticas na área de segurança pública. Em 2002, a Câmara de Vereadores aprovou a Lei de Fechamento de Bares, que obriga esses estabelecimentos a fechar as portas às 23 horas.

Os resultados apareceram: Em 1999, Diadema era conhecida como a cidade mais violenta do país, com taxa de 105 por cem mil habitantes. Em 2016, caiu para 8,29. “A lei foi criada a partir de um trabalho de inteligência que descobriu que boa parte dos crimes ocorria próximo a bares e depois das 23 horas”, diz Cerqueira.

A Lei Seca de Diadema só deu certo porque atacava um problema previamente identificado. Em outra cidade, ou em outro momento, o remédio poderia ser outro. Por isso, as políticas públicas precisam ser precedidas de estudo de caso, diagnóstico e planejamento. “Num cenário de restrição fiscal, o gestor público não pode contar com chance de erros ou achismos”, diz Neves, da Macroplan. Em Maringá, as políticas criadas pelo Codem e pelos gestores públicos são fiscalizadas pelo Observatório Social, formado por voluntários de diversas áreas. “Polícias que demandam gastos públicos precisam ser fiscalizadas e ter sua efetividade medida”, diz o prefeito. Com zelo pela coisa pública, a gestão melhora, os resultados aparecem – e a população agradece.

Os melhores e os piores exemplos para o país

Um estudo da consultoria Macroplan identificou os municípios que entregam os melhores serviços para a população. Veja os destaques

Os cinco melhores

Maringá (PR)
Piracicaba (SP)
São José do Rio Preto (SP)
Jundiaí (SP)
São José dos Campos (SP)

Os cinco piores

96° Porto Velho (RO)
97° Belém (PA)
98° Belford Roxo (RJ)
99° Macapá (AP)
100° Ananindeua (PA)

Os 5 melhores em educação

Matrículas em creche sobre o total de crianças de 0 a 3 anos

(em %)

Piracicaba 59
Santos 56,5
São José do Rio Preto 55
Jundiaí 43,5
Joinville 36
Média 100+ 29,5

Matrículas na pré-escola sobre o total de crianças de 4 e 5 anos

(em %)

Piracicaba 100
São José do Rio Preto 100
Jundiaí 100
Santos 100
Joinville 96
Média 100+ 84,5

Nota do Ideb Ensino Fundamental I

Joinville 6,9
Jundiaí 6,8
São José do Rio Preto 6,7
Piracicaba 6,6
Santos 6,1
Média 100+ 5,6

Os 5 melhores em saúde

Taxa de mortalidade infantil

(por mil nascidos vivos)

Joinville 5
Florianópolis 6
Blumenau 7
Maringá 8
Palmas 11
Média 100+ 12

Taxa de mortalidade prematura por doenças crônicas não transmissíveis

(por cem mil habitantes de 30 a 69 anos)

Palmas 179
Maringá 226
Blumenau 227
Florianópolis 247
Joinville 261
Média 100+ 319

Cobertura atenção básica

(em %)

Florianópolis 100
Blumenau 99
Maringá 86
Palmas 85
Joinville 62
Média 100+ 59

Os 5 melhores em segurança

Taxa de homicídios

(por cem mil habitantes)

São Bernardo do Campo 4,5
Santos 6
Mauá 7
Santo André 10
São Paulo 10
Média 100+ 32

Taxa mortes no trânsito

(por cem mil habitantes)

Mauá 5,5
Santos 8,5
São Paulo 9
Santo André 9,5
São Bernardo do Campo 9,5
Média 100+ 13

Os 5 melhores em saneamento e sustentabilidade

Índice de esgoto tratado

(em % à água consumida)

Limeira 100
Maringá 99
Franca 98
Santos 98
Cascavel 95
Média 100+ 53

Cobertura de coleta de lixo

(em % da população)

Santos 100
Cascavel 99
Franca 98
Maringá 98
Limeira 97
Média 100+ 98

Fonte: Macroplan “Desafios da Gestão Municipal 2018”

Gestão estratégica

Desafios da Gestão Municipal 2018 | DGM

O DGM apresenta uma análise da evolução recente das 100 maiores cidades brasileiras em termos populacionais (acima de 273.000 habitantes) que respondem por mais da metade de tudo que é produzido no Brasil.

​A evolução dos municípios na década é retratada no Índice dos Desafios da Gestão Municipal (IDGM) que reúne15 indicadores em quatro áreas críticas para a gestão pública: (1) Educação, (2) Saúde, (3) Segurança e (4) Saneamento e Sustentabilidade. Para cada área foram identificados os municípios de destaque, com as melhores posições e com as maiores evoluções.

O estudo fornece uma análise comparativa e temporal das cidades brasileiras que permite identificar os principais problemas e as soluções no âmbito da gestão municipal.

Confira o site do estudo:

https://www.desafiosdosmunicipios.com/