DGM

Estudo DGM: análise das cidades por clusters evita distorções e facilita leitura de dados

Franca é a 10ª melhor cidade do País em gestão municipal

Do Comércio da Franca, por Priscilla Sales

Franca é uma das dez melhores cidades do Brasil em gestão municipal. A constatação é do “Índice de Gestão Municipal”, que reúne os dados coletados em um estudo elaborado pela Macroplan, uma das mais reconhecidas empresas brasileiras de consultoria em cenários prospectivos, administração estratégica e gestão orientada para resultado.

O estudo analisou as 100 cidades com mais de 270 mil habitantes no Brasil. Foram levados em consideração para a elaboração do índice 15 indicadores em quatro áreas críticas para a gestão pública: educação, saúde, segurança e saneamento e sustentabilidade. No ranking geral, Franca ficou em décimo lugar. Segundo Glaucio Neves, diretor da Macroplan e coordenador do estudo, o bom desempenho de Franca se deveu principalmente aos resultados alcançados pela cidade em dois outros estudos: o Trata Brasil, que analisa as condições ambientais e de saneamento no município, e o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). “Com indicadores positivos na área de saneamento e o melhor resultado do Ideb 2017, Franca obteve uma alta pontuação, ficando entre as dez melhores cidades”.
Grupos
O estudo da Macroplan, além do ranking nacional, também separou os municípios em oito grupos de acordo com as afinidades entre as cidades. A ideia é evitar distorções e facilitar a leitura dos dados apresentados. “É possível avaliar a performance de cada cidade comparando municípios semelhantes em termos de complexidade de gestão e disponibilidade de recursos, além de identificar um potencial de melhoria dos indicadores mais factível com a realidade de cada local”, analisa Glaucio Neves.
Em seu grupo, Franca alcançou o segundo lugar. Perdeu apenas para Limeira. No grupo ainda estão: Uberlândia (MG), Uberaba (MG), Guarulhos (SP) e Porto Velho (RO), entre outras.
Cenário econômico

Reforma da Previdência é um dos desafios da economia para o próximo governo

Reforma sem detalhes

De Hamilton Ferrari, do Correio Braziliense

Duas propostas de reforma da Previdência estão postas à mesa. Ambas ainda precisam ser explicadas, segundo especialistas. Tanto o mercado quanto o setor produtivo cobram esclarecimentos sobre como serão implementadas. Com mais chances de ser eleito, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, defende um modelo de capitalização que se baseia na criação de poupanças individuais para cada contribuinte. Já Fernando Hadad (PT) defende que o déficit pode ser superado, via combate à sonegação, com crescimento da economia e a criação de empregos. Analistas defendem que ambas as propostas têm problemas e que será necessário um detalhamento maior para que o texto possa ser aprovado ainda em 2018.

O principal trabalho será convencer o Congresso Nacional. O tema é polêmico mas a discussão é essencial para equilibrar as contas públicas que estão deficitárias há quase cinco anos. Dos 23 deputados considerados “reformistas” na Comissão Especial criada em 2017 para realizar a reforma da Previdência, 16 não estarão mais na Câmara. A maior parte desses parlamentares, 11, não conseguiu se reeleger. Além disso, cinco não disputaram vaga na casa. Apenas sete se reelegeram.

Ainda é preciso avaliar se a nova composição do Congresso está disposta a aprovar reformas. Para Bolsonaro a tarefa é teoricamente mais fácil, por conta da entrada de apoiadores do candidato do PSL e a maior bancada do partido. Apesar disso, os benefícios previdenciários envolvem várias particularidades defendidas pelos parlamentares, o que dificulta o processo.

O modelo de capitalização defendido pelo assessor econômico de Bolsonaro, Paulo Guedes, é aplicado em alguns países. O Chile foi a primeira nação  a implementar esta regra e passa por problemas. Cerca de 91% dos aposentados recebem menos que um salário mínimo, segundo a Fundação Sol.

Além disso, analistas afirmam que o modelo prejudica os mais pobres, que são beneficiados hoje com a transferência de renda dos mais ricos, por meio dos benefícios previdenciários. No modelo brasileiro, porém, a conta não fecha mais. O déficit aumentará por conta do envelhecimento da população. O candidato do PT ainda não explicou como será a mudança nas regras. Hadad sofrerá pressão do próprio partido e de sindicalistas que são contrários à reforma.

De acordo com Claudio Porto, presidente da Macroplan, da forma como as propostas estão colocadas pelos dois candidatos, não há elementos suficientes para se fazer uma avaliação. ” São muito genéricas. É um tema que está amadurecido no Brasil e já passou por um amplo processo de discussão, pois já existe uma proposta em tramitação no Congresso”, disse.

Cenário econômico

Propostas para estatais não podem ser implantadas como estão sendo apresentadas por candidatos, alerta Claudio Porto

Projeto antagônico sobre o futuro das estatais

Por Simone Kafuri, do Correio Braziliense

O país fechou o ano passado com 144 empresas estatais federais, das quais 18 totalmente dependentes de recursos do Tesouro Nacional, e mais de 500 mil funcionários públicos. Além de sofrerem com ingerência política e servirem como cabide de empregos, companhias como Petrobras, Eletrobras, Correios, Caixa Econômica Federal e Valec, entre outras, já foram ou são alvo de escândalos de corrupção. Os programas de governo dos dois candidatos à Presidência da República — Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) — são antagônicos no que diz respeito ao futuro das estatais. Para especialistas, no entanto, as propostas de ambos são extremistas e não poderão ser implementadas da forma como foram apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Bolsonaro promete reduzir em 20% a dívida pública por meio de privatizações de estatais, além de concessões e venda de propriedades imobiliárias da União. No plano, não fica claro quais serão extintas, quais serão vendidas e quais são consideradas estratégicas e permanecerão sob o controle do Estado. Sobre a Petrobras, propõe a venda de “parcela substancial de sua capacidade de refino, varejo, transporte e outras atividades”. Sobre a política de preços de combustíveis, o plano diz que a paridade com o mercado internacional será mantida, com “suavização de flutuações de curto prazo”.

Haddad, ao contrário, promete revogar todas as privatizações em curso, inclusive as do setor elétrico. O PT considera a Petrobras uma empresa “estratégica para o desenvolvimento” e quer a companhia verticalizada, com atuação em exploração, produção, transporte, refino, distribuição e revenda de combustíveis. O programa propõe reverter o plano de desinvestimentos em curso, é contra a paridade de preços internacionais e a favor do regime de partilha no pré-sal.

Para Sérgio Lazzarini, professor de estratégia do Insper, o histórico de interferência política e cabide de empregos das estatais fez com que a “turma liberal queira acabar com tudo”. “O PT tem um discurso de que estatal tem objetivo social”, afirmou. No entanto, ressaltou Lazzarini, nenhum dos dois planos são exequíveis. “Há limites para o que se consegue privatizar. Não dá para vender a Embrapa, por exemplo. A Infraero, ao lidar com aeroportos menores, ficará sem receita própria e não vai despertar interesse”, estimou. Já a privatização do setor elétrico poderia ser mantida. Sobre a Petrobras, o especialista observou que a atividade de refino pode ser feita pelo setor privado, sem prejuízo para o setor considerado estratégico. “A questão é que nada disso pode ser feito a toque de caixa”, ressaltou. O programa de Bolsonaro prevê acabar com a dívida pública em um ano com as privatizações.

Na opinião do especialista em finanças públicas da Tendências Fabio Klein, os governos petistas criaram muitas estatais. “Bolsonaro tem uma agenda mais liberal e privatizante, ainda que não esteja claro quais serão vendidas. Ele fala em manter uma ‘golden share’ nos setores estratégicos”, assinalou. Klein destacou que há muitas empresas dependentes do Tesouro, que está em situação complicada. “Por outro lado, é por meio das estatais que ocorre a maior parte dos investimentos públicos”, ponderou.

O economista Bruno Lavieri, da 4E Consultoria, afirmou que os dois planos de governo não sinalizam nada de concreto. “Não são peças a serem levadas 100% a sério, mas há uma diferença muito grande entre os dois. O Paulo Guedes (criador do plano de Bolsonaro) quer privatizar a maior parte das estatais, mas isso depende do interesse do setor privado. O PT tem uma característica estatizante, mas o Haddad tem uma formação em economia mais esclarecida nessa área. Com a necessidade de formar alianças, os planos podem mudar”, alertou.

Relevância

A privatização ganhou relevância, segundo o ex-ministro de Infraestrutura do governo Collor João Eduardo Santana, porque o Estado está quebrado. “Todas as estatais pesam aos cofres públicos. Nas deficitárias, é dinheiro na veia. Mesmo as que geram receita precisam de injeção de capital”, lembrou. O especialista disse que o diagnóstico de Bolsonaro é mais claro, com venda, extinção e manutenção de estratégicas. “O PT fala em rever a posição sobre algumas estatais, mas também não diz quais”, pontuou.

O presidente da InterB, Claudio Frischtak, criticou a ideia de Bolsonaro de fazer as privatizações de forma rápida. “O processo de desestatização demora de cinco a 10 anos. São muitas estatais, cada uma com sua peculiaridade. Algumas sequer têm valor”, sublinhou. O especialista considerou “muito difícil Haddad embarcar num cronograma de desestatização”. “A verdade é que nenhuma das campanhas teve tempo para estruturar um programa com começo, meio e fim.

Dois extremos

Nem uma coisa nem outra. É a opinião de Claudio Porto, diretor da Macroplan Consultoria, sobre os projetos de governo dos dois candidatos à Presidência para as estatais. “Seguramente reestatizar é um retrocesso e não tem sentido econômico. O caminho adequado é o da privatização. Mas isso tem que ser feito com método e com tempo. É inadequado vender a toque de caixa, porque sinaliza pressa ao mercado e deprecia o preço dos ativos”, alertou. Além disso, segundo Porto, existe uma barreira operacional muito grande. ” Uma coisa é vender uma empresa privada, outra é privatizar dentro do marco legal brasileiro. A estratégia correta é desenvolver um programa plurianual de privatizações”, defendeu.

IDGE

Considerado referência de gestão pública, IDGE contribui para o fact checking no País

O ranking do estudo Desafios da Gestão Estadual 2017, da Macroplan, considerado a principal referência de gestão pública do País, foi a fonte utilizada para o fact checking  pela imprensa  que acompanhou os debates para o governo de Santa Catarina.

Veja, abaixo, o trecho da reportagem do Diário Catarinense, com a  correção feita à declaração de candidato ao governo estadual

Gelson Merisio

“Nós temos um estado que é primeiro lugar em quase todos os indicadores de qualidade de vida”.

Santa Catarina ocupa o primeiro lugar em apenas 3 das 9 áreas do IDGE – Índice dos Desafios da Gestão Estadual, divulgado em 2017. Nas demais, varia entre o 2º e o 12º lugar, chegando a ocupar posição distante da primeira colocação em áreas relevantes como Segurança e Condições de Vida. Na classificação geral, o estado também não ocupa a primeira colocação, embora tenha alcançado a segunda, ao obter índice 0,827, na variação de 0 a 1, sendo melhor o desempenho quanto mais próximo for de 1.

As nove áreas de resultados reúnem 28 indicadores consolidados por órgãos oficiais, como IBGE, DataSus, INEP/MEC, analisados pelo Macroplan Consultoria. O ranking é considerado a principal referência na área de gestão pública.

Confira abaixo o resultado completo:

SAÚDE: 1º lugar
DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO: 1º lugar
DESENVOLVIMENTO SOCIAL: 1º lugar
JUVENTUDE: 2º lugar
EDUCAÇÃO: 3º lugar
INFRAESTRUTURA: 5º lugar
SEGURANÇA: 8º lugar
CONDIÇÕES DE VIDA: 8º lugar
INSTITUCIONAL: 12º lugar

Notícias

Cenários da Macroplan apontam crescimento fraco e ambiente desfavorável aos negócios no médio e longo prazos

Do Correio Braziliense

Instabilidade econômica leva empresas estrangeiras a deixarem o Brasil.

Companhias com marcas consagradas em todo o mundo, como Fnac, Lush e Nikon não conseguem viabilizar operações no Brasil. Causas são cenário político conturbado, crescimento fraco, sistema tributário complexo e ambiente desfavorável aos negócios

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou ontem que, em 2016, o número de empresas existentes no país caiu pelo terceiro ano consecutivo. O total diminuiu 1,6% no ano, o que correspondeu a 70,8 mil companhias a menos. De lá para cá, mesmo com a melhora da economia, várias companhias nacionais e estrangeiras fecharam fábricas e encerram as atividades no Brasil. As incertezas políticas, o sistema tributário complexo e o ambiente de negócios desfavorável ao empreendimento são fatores decisivos para as decisões drásticas. Segundo especialistas, o país se recupera da recessão, mas num ritmo fraco, o que não dá segurança para os negócios. Ainda de acordo com o IBGE, somente 38% dos empreendimentos que haviam nascido em 2011 ainda estavam ativos cinco anos depois.

O grupo Priority, que é dono das marcas de calçados West Coast e Cravo&Canela, anunciou, no mês passado, o fechamento de uma fábrica em Sobradinho, no Rio Grande do Sul. “A decisão foi tomada com base no atual ambiente de incertezas políticas e econômicas que afetam o desempenho do setor varejista”, informou nota divulgada pela companhia. Várias outras marcas de calçados também encerraram as atividades.
Devido aos altos custos, carga tributária elevada e insegurança econômica, a Locomotiva, empresa que fabrica laminados, filmes de PVC e lonas para caminhões, fechou as portas da fábrica em Pouso Alegre (MG). A unidade funcionava havia 19 anos e tinha 200 funcionários. Em agosto de 2017, a L’Oréal Brasil anunciou que, até o fim do ano, fechará a fábrica na Pavuna, na zona norte do Rio de Janeiro. A companhia explicou que precisa adequar as operações ao ambiente econômico adverso.
De acordo com Mauro Rochlin, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), enquanto não houver um cenário definido para os próximos anos, as incertezas devem perdurar. “Todo esse movimento de baixa nos investimentos reflete o desânimo dos empresários. O país tem uma taxa de investimento de 16% do Produto Interno Bruto (segundo o IBGE), que é horrorosa, comparada com o nosso passado e com outros países. Não há garantia de que serão feitas as reformas econômicas. As empresas querem um governo adimplente e, enquanto isso não estiver claro, adia investimentos”, disse.
Levantamento mensal da FGV mostrou que o Índice de Confiança Empresarial (ICE) — que leva em consideração empreendedores de indústria, serviços, comércio e construção — ficou em 89,5 pontos em setembro, em uma escala que vai até 200. A taxa caiu pelo sexto mês consecutivo. A percepção dos empresários é a de que tanto o cenário atual quanto as perspectivas futuras estão piores.
Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o saldo entre abertura e fechamento de estabelecimentos comerciais, que havia ficado praticamente zerado na segunda metade do ano passado — com criação de 218 unidades —, voltou a crescer entre janeiro e junho de 2018, ao contabilizar um incremento de 2.252 lojas. Apesar disso, a CNC apontou que o ritmo de expansão é “frustrante”. “Tão frustrante quanto a percepção de desaceleração no ritmo da atividade econômica”, apontou.
Debandada
Accessorize, Fnac, Kirin, Lush e Nikon. Todas essas empresas internacionais tomaram a decisão de encerrar as atividades no Brasil. A debandada decorre de alguns fatores particulares de mercado, mas também das incertezas que envolvem o país. Um dos casos mais curiosos é o da loja de cosmético inglesa Lush, que saiu do Brasil depois da segunda tentativa de viabilizar o negócio. A companhia já havia deixado o país em 2005, mas tinha voltado em 2014. Em comunicado, a Lush destacou que, apesar do aumento das vendas, a alta carga tributária, a prolongada recessão econômica e a instabilidade política tornaram “impossível” o investimento no país.
No ano passado, a cervejaria japonesa Kirin foi vendida no Brasil após se tornar a primeira filial do grupo a causar prejuízos na história. O grupo varejista Walmart, dos Estados Unidos, passou 80% de sua operação ao fundo de investimento Advent International, ficando apenas com 20%. É a terceira maior companhia no Brasil, com faturamento de R$ 28,187 bilhões em 2017. A gigante de livros e eletrônicos francesa Fnac, que estava no país desde 1998, tinha 12 lojas em sete estados. Em 2017, vendeu o direito de uso à Livraria Cultura. Hoje, há apenas um estabelecimento, em Goiânia.
O mais recente anúncio foi o da gigante japonesa de equipamentos fotográficos Nikon. Em setembro, a empresa informou que está de saída do Brasil, mas não explicitou os motivos. Há uma mescla de falta de clareza no cenário econômico com a redução do mercado de máquinas fotográficas, dada a crescente oferta de smartphones. O Campari Group, fabricante de bebidas de origem italiana, anunciou o fechamento de sua fábrica em Sorocaba, no interior de São Paulo, para adequar suas operações à realidade do mercado. A sorveteria Häagen-Dazs não tem mais lojas próprias no Brasil.
O economista e presidente da Macroplan, Cláudio Porto, ressaltou que faltam demanda e perspectivas positivas. De acordo com ele, a saída de empresas do Brasil é um fenômeno triste, mas não surpreendente. “Isso me preocupa, porque, em momentos de adversidade, as empresas diminuem o volume e o tamanho, mas mantêm os ativos. Algumas estão se mandando. Isso significa que, a médio e longo prazos, as companhias não veem que vale a pena dar continuidade ao negócio”, ressaltou.
Cenário econômico

Como o Brasil será governado de 2019 a 2022?

Eleição universal, com diversidade de opções e liberdade de escolha é uma das etapas essenciais das transições democráticas de poder. Mas o  exercício do governo nem sempre corresponde ao que foi escolhido no processo  eleitoral. A Macroplan antecipou as cinco opções mais plausíveis para os próximos 4 anos. Confira a seguir.

https://www.macroplan.com.br/wp-content/uploads/2018/10/Cinco-Cenários-para-o-Brasil-2019-2022-Resumo_português_web.pdf

Educação

Principais problemas e soluções para a educação no Brasil

Esta semana tivemos a oportunidade de receber na Macroplan, o especialista em educação Simon Schwartzman, PhD em Ciência Política pela Universidade da Califórnia. Discutimos sobre os principais problemas e soluções para a educação no Brasil. Foram destacadas medidas como: 1) Atrair os melhores profissionais para a carreira docente, em especial na educação básica 2) Diversificar o sistema de educação 3) Aproximar o mercado de trabalho ao mundo educacional. Confira a apresentação completa aqui.

https://www.macroplan.com.br/wp-content/uploads/2018/09/2018-CpE-Schwartzman.pdf

DGM

Análise dos indicadores nos clusters municipais posssibilita comparações equilibradas e a construção de metas realistas

Feira é 4ª do Nordeste em pesquisa sobre gestão municipal da Macroplan

Da Folha do Estado ( Feira de Santana, BA)

Os indicadores selecionados buscam captar serviços sob influência das prefeituras, mesmo que fornecidos por outros entes da federação e a iniciativa privada.

O Índice de Desafios da Gestão Municipal (IDGM), estudo realizado pela Macroplan, uma das maiores empresas de consultoria do país, envolvendo os 100 maiores municípios brasileiros, indica Feira de Santana na liderança como a melhor classificação, na Bahia. No Nordeste, tem a quarta posição – está à frente de sete das nove capitais da região. O período da análise é de 2006 a 2016. Um “índice sintético” com 15 indicadores nas áreas de Educação, Saúde, Segurança e Saneamento/Sustentabilidade balizam o ranking do IDGM, que varia de 0 a 1 – quanto mais próximo de 1, melhor o desempenho do município.

De acordo com a Macroplan, são priorizados “indicadores finalísticos com dados atualizáveis de fontes oficiais de informação e disponíveis para todos os municípios brasileiros”. O objetivo é fornecer uma visão comparativa e evolutiva da situação do município, sempre que possível, ao longo da última década. Os indicadores selecionados buscam captar serviços sob influência das prefeituras, mesmo que fornecidos por outros entes da federação e a iniciativa privada.

Classificada na 66ª posição, dentre os 100 municípios avaliados, Feira de Santana supera, no ranking, as seguintes capitais nordestinas: Salvador (70ª), Recife (73ª), Teresina (79ª), Aracaju (80ª), Natal (81ª), São Luiz (83ª) e Maceió (87ª). Na Bahia, tem um IDGM melhor que Salvador, Vitória da Conquista e Camaçari – os outros municípios considerados de grande porte, no Estado, e parte da pesquisa.

Divididos em grupos, chamados de “cluster”, os 100 maiores municípios do Brasil são assim distribuídos devido as suas peculiaridades, nas diversas regiões. Tais características, conforme a Macroplan, podem afetar a capacidade da gestão pública de “entregar resultados e melhorar indicadores”. Agrupados de acordo com algumas de suas características, como disponibilidade de receita per capita, densidade populacional e desigualdade de renda, a análise por cluster permite à consultoria reduzir as diferenças e chegar a uma coleta de dados mais próxima da realidade.

Com essa organização dos municípios, agrupando-os de acordo com a similaridade de suas características, a Macroplan consegue avaliar a performance de cada um em sua complexidade de gestão e disponibilidade de recursos. Além de comparar de forma mais adequada os resultados alcançados por cada município, assim é possível identificar o potencial de melhoria dos indicadores mais factível com a realidade de cada local.

O cluster em que Feira de Santana se encontra envolve os municípios de Montes Claros (MG), Campina Grande (PB), Boa Vista (RR), Petrolina (PE), Vitória da Conquista (BA), Teresina (PI), Campos dos Goytacazes (RJ), Mossoró (RN), Rio Branco (AC), Caruaru (PE), Santarém (PA), Jaboatão dos Guararapes (PE), Macapá (AP) e Ananindeua (PA). A maior cidade do interior da Bahia ocupa a 5ª posição neste grupo de 15 grandes cidades de diversas regiões do Brasil.

Notícias

Melhorar indicadores é desafio dos municipios

Maringá está em 83º colocação no ranking das cem maiores cidades do país quando o assunto é trânsito. São 19,8 mortes por 100 mil habitantes. Melhorar este indicador é um dos desafios para manter a cidade no topo. A consultoria Macroplan divulgou em agosto um estudo em que  Maringá aparece pela 2ª vez consecutiva como a melhor cidade entre as cem maiores do país. O líder sênior da área de governos da Macroplan, Éber Gonçalves, está nesta terça-feira (4) em Maringá para falar sobre o estudo. Gonçalves explica que a cidade não alcançou primeiro lugar em nenhuma das quatro áreas avaliadaa, mas conseguiu algo difícil que é o equilíbrio nas áreas mais sensíveis. Para avançar  é preciso melhorar indicadores que não estão bons, e o trânsito é um exemplo.

Ouça aqui  a  matéria e a entrevista na CBN – Maringá,  com Éber Gonçalves,  consultor senior da Macroplan http://www.cbnmaringa.com.br/noticia/transito-e-um-indicador-que-pode-melhorar

Cenário setorial Energia

Armazenamento terá um papel revolucionário no setor elétrico

Armazenamento terá um crescimento forte

Do Valor Econômico, por Roberto Rockman

O avanço do sol e do vento, fontes intermitentes ,na matriz elétrica deve resultas no crescimento de tecnologias de armazenamento de energia elétrica, um segmento ainda incipiente no Brasil. Desde junho, a AES Tietê iniciou o maior projeto piloto no segmento, ao instalar na usina hidrelétrica de Bariri (SP) uma bateria de lítio para armazenamento de 200 kW de energia. A bateria ficará conectada ao gerador auxiliar, que trabalha com a iluminação de hidrelétrica e bombeamento de máquinas. O Operador Nacional do Sistema (NOS), que busca avaliar os impactos do sistema na rede básica, acompanhará o teste, cujo investimento está em cerca de R$2,5 milhões.

“Essa tecnologia de armazenamento é uma tendência forte para o Brasil, principalmente com a interligação mais complexa com linhas de transmissão do Norte para o Sudeste. Ela pode ser usada como backup na transmissão ou na geração na ponta como alternativa para o consumidor reduzir a conta ou como alternativa a investimentos em linha de transmissão ou distribuição”, diz Ítalo Freitas, presidente da AES Tietê.

Para Freitas, em três a cinco anos, este nicho deverá ter um forte crescimento por conta dos múltiplos usos. Também pode ser usado para dar maior qualidade ao abastecimento para indústrias que têm necessidade de que as linhas operem sempre na mesma frequência e não sejam perturbadas com oscilações de redes.

Essas múltiplas funções permitem que a inovação seja oferecida a uma ampla gama de clientes, de comercializadoras a grandes consumidores e distribuidoras. “No caso do Brasil, essa expansão do segmento vai acontecer. Já foi estimada uma capacidade potencial de armazenamento de 95 GW, o suficiente para abastecer o País por uma hora; e a capacidade instalada já era 1 GW em 2016”, afirma Gilberto Figueira, líder empresarial da consultoria Macroplan.

Grandes empresas dos Estados Unidos e da Europa que fabricam os equipamentos já sondam o mercado brasileiro buscando entender a regulação. Atualmente não há regras sobre o segmento nem como seu custo seria repartido. “Esse é um mercado com grande potencial de crescimento”, diz Fabiano Brito, sócio da área de infraestrutura do Mattos Filho Advogados.

O interesse atrai comercializadoras também. A Comerc montou uma parceria com a MicroPower Energy, fundada pelo ex-vice-presidente da Tesla Energy, Marco Krapels. A empresa está trazendo ao Brasil um serviço de armazenamento de energia elétrica em baterias sem a necessidade de investimento pelo cliente. A ideia é que a solução possa ser aplicada como alternativa à geração na ponta – quando o custo é mas alto na rede básica -; para redução da demanda, permitindo reduzir o consumo ou para funcionar em caso de apagão.

„Esse segmento , eficência e armazenamento poderão responder por 20% da receita em cinco anos”, diz Cristopher Vlavianos, presidente da Comerc, comercializadora que estria nessa área.

Na área de distribuição, a tecnologia pode criar novas maneiras de operar a rede. A CPFL Energia está executando seu maior programa de investimentos em pesquisa e inovação, com o objetivo de entender mais da tecnologia. A concessionária irá investir R$60 milhões em três projetos de armazenamento de energia ligados ao programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Aneel. Um projeto se refere a armazenamento em um parque eólico, outro está ligado à usina solar de Tanquinho, primeiro investimento da empresa do setor, e o terceiro à geração distribuída e aos impactos sobre a rede de distribuição. “Com a maior intermitência das fontes na matriz, as baterias podem ser usadas para melhorar a qualidade do abastecimento das redes de distribuição, para reduzir a oscilação de tensão”, diz Kari Luchesi, vice-presidente de Operações de Mercado.

A Enel também investe na área. Cerca de 300 residências de um condomínio de alto padrão próximo a Fortaleza (CE) terão sua estrutura elétrica interna transformada em uma microrede autônoma, capaz de funcionar conectada ou não à rede elétrica da distribuidora. O projeto une três principais conceitos tecnológicos: geração distribuída, com a presença de plantas fotovoltaicas e um parque eólico já existente na região; armazenamento da energia para uso quando necessário; e redes inteligentes, com a automação da rede elétrica, automação de cargas prioritárias das unidades consumidoras do condomínio e softwares de gestão. “O objetivo do projeto é transformar a estrutura elétrica interna de um condomínio de casas numa microrede autônoma, capaz de funcionar conectada ou não à rede elétrica da Enel Distribuição Ceará, graças ao armazenamento de energia, diz o presidente da empresa, Carlo Zorzoli

Cenário setorial Energia, Notícias

Setor elétrico: concessionárias precisarão se adpatar ao novo mercado não regulado

Sistema Inteligente

Do Valor Econômico, por Roberto Rockman

Em junho e julho, pesquisadores saíram às ruas de Cataguases, sul de Minas Gerais, para conversar com a população e a prefeitura e iniciar um estudo sobre a implementação do conceito de cidade inteligente novo município de 70 mil pessoas.

Além de avaliar a possibilidade de instalação de medidores e iluminação pública inteligentes, microgeração distribuída solar, sistemas de armazenamento e mobilidade urbana com bicicletas e veículos elétricos, o projeto, com conclusão prevista para setembro, busca analisa as oportunidades com o avanço da tecnologia.

A ideia é que a partir do próximo ano, sejam colocadas em prática na cidade os primeiros projetos pela Energisa, concessionária local, afirma o gerente de inovação da empresa, Gilson Paulillo.

As novas tecnologias, que prometem revolucionar o setor elétrico, estão na pauta prioritária do setor. O consumidor deixará de ser uma figura passiva: com os medidores inteligente e a instalação de painéis fotovoltaicos, ganha novo poder no sistema, como microgerador.

As concessionárias terão de se adaptar a esse novo mundo, em que uma parcela crescente da receita virá do mercado não regulado. O desafio do País será criar uma regulação que incentive essas tecnologias, mas não onere ainda mais as tarifas. “A equação se tornaria mais fácil com a redução de tributos, mas a crise fiscal, que deve continuar apertando as contas da União e Estados nos próximos quatro anos, dificulta isso”, destaca Daniel Martins, sócio da consultoria Roland Berger

Parte mais visível da revolução, os mediadores inteligentes ainda ensaiam os primeiros passos no Brasil, com projetos baseados no programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Aneel. A CPFL Energia decidiu, em março, que seu projeto piloto de medidores inteligentes para baixa tensão será em Jaguariúna (SP). Para que a inovação ganhe escala, o setor demanda incentivos. “Será preciso resolver questões regulatórias, o reconhecimento na tarifa é dado apenas na revisão periódica, que ocorre a cada quatro a cinco anos, com uma tecnologia que demanda investimento intensivo em dez anos ou mais. É preciso reconhecer que elas podem acelerar a adoção de carros elétricos ou de microgeração distribuída”, diz Caio Malagoli, diretor de engenharia da empresa.

A reforma do setor elétrico não trata do tema, mas a Aneel poderá rever, em 2019, a metodologia do custo de capital das concessionárias para as rodadas de revisões periódicas de tarifas da próxima década. As empresas discutem como criar mecanismos que incentivem em novas tecnologias.

Para Carlo Zorzoli, presidente da Ennel, que recentemente adquiriu o controle da AFS no Brasil, a digitalização ocorre em três movimentos. Primeiro, é feita a instalação de alguns elementos digitais na rede, o que permite um conhecimento mais preciso do estado da rede, em comparação ao padrão histórico. O segundo movimento é obtido com as redes inteligentes e a instalação dos medidores que leem o consumo e podem mostrar quanto o consumidor gera de energia. O terceiro nível está ligado à existência de uma série de sensores na rede que, junto aos medidores eletrônicos e aos equipamentos da digitalização básica, permitem acompanhar a condição dos equipamentos, como a temperatura dos transformadores, alinhado à análise de dados. “O que separa o Brasil desta segunda etapa de digitalização é a questão regulatória, já que não se reconhece o valor investido pelas empresas na adoção de medidores eletrônicos”, afirma Zorzoli.

Uma parte da regulação também está sendo tratada no Projeto de Lei 1917, que tramita no Congresso e prevê ampliação do mercado livre e alguns aperfeiçoamentos que podem incentivar novas tecnologias. “O projeto traz alguns direcionadores importantes para maximizar o valor de ativos como as hidrelétricas. A  precificação da eletricidade em base horária e da capacidade de atendimento à ponta e rampa devem trazer novas oportunidades, observa Eduardo Sattamini, presidente da Energie Brasil Energia

A operação do sistema será mais complexa, o que exigirá mais tecnologia. O horário de maior consumo migrou da novela das 21 horas para o meio da tarde, quando o acionamento do ar condicionado é intenso nos escritórios. As hidrelétricas, que há 25 anos respondiam por 90% da geração, hoje respondem por cerca de 60%. Em 19 de agosto, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrou novo recorde horário de geração eólica, atendendo 98% da demanda do Nordeste.

A geração distribuída será mais presente. “Haverá incertezas climáticas, necessidade de previsões sobre temperaturas, irradiação, ventos, chuvas e uma tendência de que o mercado livre aumente e o consumidor ganhe mais poder, com as distribuidoras ganhando mais autonomia e tendo novas funções nesse contexto”, destaca Gilberto Figueira, líder empresarial da Macroplan, que recentemente entregou estudo de planejamento estratégico para o ONS.

No Brasil, estima-se crescimento de 3,7% ao ano do consumo de energia elétrica até 2026, de acordo com dados da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE). Geração distribuída com painéis fotovoltaicos deve ganhar espaço na matriz. Segundo projeções do governo, a capacidade instalada do setor pode crescer mais de dez vezes nos próximos dez anos, para 3 GW de potência instalada.

Redes de farmácias, escolas, hospitais, agências bancárias estão começando a analisar investimentos no setor, de olho na redução da conta de energia. A recente onda de reajustes de concessionárias, acima de dois dígitos, aqueceu o segmento, diz o presidente da AES Tietê, Ítalo Freitas. “Contatos que foram feitos há um ano, agora voltaram a ser discutidos pela alta de custos”, relata.

Sistemas de armazenamento também ganharão escala, seja em grandes consumidores, interessados em melhorar a qualidade do abastecimento e reduzir oscilações na rede, seja em distribuidoras. “Claramente, o armazenamento terá um papel importante e poderá se de forma concentrada, com usinas de armazenamento, ou de forma distribuída , em que, por exemplo, dezenas de milhares de carros elétricas poderão fornecer serviços de armazenamento e balanceamento quando conectados a uma rede de distribuição inteligente. No último caso, o mesmo consumidor residencial poderá atuar dessa forma quando possuir um medidor inteligente”, diz Zarzoli, da Enel

 

Cenário econômico

“O livre mercado, o respeito à democracia e às liberdades individuais e a garantia de igualdade de oportunidades são os fundamentos de uma agenda contemporânea”, analisa Claudio Porto

Do Estadão, por José Neumanne

Fim da crise depende da certeza do fim da impunidade, diz economista

Para Claudio Porto, da Macroplan, somente punição exemplar de corruptos trará verdadeira economia do mercado e a saída da crise em longo processo de maturação

“As operações anticorrupção desmantelaram em parte essa engrenagem que gerou mensalão e petrolão, mas como ela não é  uma máquina, e sim uma construção social, rapidamente se reorganizou, adaptou e criou vários mecanismos de sobrevivência que passam desde o Congresso e o Poder Judiciário até boa parte das candidaturas que hoje (2018) estão postas ao eleitor”, disse o economista Claudio Porto, fundador e operador da Macroplan. Nesta edição semanal de Nêumanne entrevista no Blog do Nêumanne, Politica, Estadão, ele disse ainda que “não será nada fácil trazer a corrupção brasileira para os patamares ‘normais’ de uma democracia madura”. Nesse campo a aposta do especialista em planejamento “é de longo prazo: a abertura de nossa economia e a nossa exposição à competição global,  quando  vierem, nos revelarão que a corrupção não é um bom negócio para o desenvolvimento de um capitalismo competitivo e inclusivo no Brasil.” Porto se baseia num exemplo próximo, o Plano Real, que “só se viabilizou depois que (quase) chegamos à hiperinflação e de dois ou três planos econômicos anteriores fracassados. A seu ver, talvez tenhamos de aturar mais quatro anos de recessão e de políticas erradas para acertar o passo mais adiante.”

Claudio Porto nasceu, cresceu e estudou Economia em Campina Grande, na Paraíba. Lá fez política estudantil, primeiro como secundarista, depois na universidade. Na época era de esquerda, integrante da Ação Popular (AP). Foi preso no Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Ibiúna, em 1968. Desejava ser político, sua geração era diferente de hoje – a maioria tinha princípios e ideais. A ditadura militar bloqueou esse caminho. Mudou o foco para consultoria em organização, planejamento e estratégia.  E também de lugar: trabalhou e empreendeu por 20 anos em Recife. Redirecionou sua energia da política para a prática profissional e empresarial, associada a muito estudo: mergulhou fundo, primeiro nas teorias de sistemas e da complexidade e depois na economia política. Foi pioneiro na construção e aplicação, no Brasil, do método de construção de cenários e prospecção de futuros. Por isso o mercado, em 1989, via Petrobrás, o levou para o Rio de Janeiro e o projetou para o Brasil. No Rio (cidade que divide seu coração com aquela onde nasceu) fundou a Macroplan, empresa especializada em análise prospectiva, estratégia e gestão, que no próximo ano fará 30 anos de mercado, entregando resultados com visão de futuro. E integridade total.

A seguir Nêumanne entrevista Cláudio Porto:

Nêumanne – Quando li o estudo Cinco Cenários para o Governo do Brasil 2019-2023 e me deparei com a conclusão de que 77% da população adulta brasileira se dispõe a marchar para o abismo como um bando de ovelhas tresmalhadas e seguindo pastores destrambelhados, me assustei muito. Sou jejuno em matemática, mas me parece óbvio que 23 é melhor do que zero, mas 77 está mais próximo de 100. Estamos enfrentando uma crônica sobre o suicídio anunciado?

Claudio Porto – Espero que não. Não há dúvida de que hoje são muito altas as chances de esse desastre acontecer (ou melhor, se repetir mais uma vez, em 2014 já tínhamos uma situação complicada e deu no que deu…). Mas ainda há tempo para uma reversão, o jogo político ainda está sendo jogado e hoje em dia, com a “compressão” ou encurtamento dos tempos de decisão, esse jogo ainda pode ser virado e revirado algumas vezes até outubro ou novembro.

N – Até há bem pouco tempo ninguém, incluído o autor destas perguntas, levava a sério a eventualidade de o Brasil atingir o paroxismo de desgoverno alcançado pela vizinha Venezuela, que de próspera produtora de petróleo passou a figurar entre as sociedades miseráveis do planeta. Essa distância de 77% a 23% não faria do contágio venezuelano uma perspectiva real e até relativamente próxima?

C – Em curto e médio prazos, creio que não. No longo prazo é possível, mas muito pouco provável. Nossa economia é muito mais complexa, diversificada e integrada ao mundo (embora ainda sejamos uma economia muito fechada). Nossas instituições, apesar de todas as “lambanças” recentes, ainda têm certa funcionalidade. Se o Brasil continuar nessa toada dos últimos 12 anos, o cenário que me parece mais provável é o de uma “argentinização à brasileira”, uma trajetória de decadência secular (ver o special report The tragedy of Argentina – A century of decline – One hundred years ago Argentina was the future. What went wrong?feb 17th 2014). Afinal, após meio século crescendo bem acima da média mundial (entre 1930 e 1980), nos últimos 38 anos – incluindo este –  estamos crescendo menos que o mundo: em média 2,3%, ante 3,5% ao ano. E o pior: segundo análise de meu colega Armando Castelar, mantido o ritmo de nosso aumento de produtividade só daqui a cem anos, repito, cem anos, teremos um padrão de vida semelhante ao de Portugal hoje!

N – Desde que os revolucionários franceses decapitaram a nobreza e instalaram a democracia no século 18, as políticas de governo do povo passaram a se dividir entre os que, à esquerda, lutam por mudanças radicais na sociedade e os opostos, à direita nos assentos da Assembleia Nacional, que defendem a manutenção do status quo. O que fez a Macroplan mudar o plano de referência e dividir os métodos de governança entre populistas, que apelam para o assistencialismo, e não populistas, que pregam austeridade fiscal e rigor monetário. Não seria essa uma versão contemporânea da velha dialética metafórica de esquerda e direita?

C -Talvez, mas com sinais trocados. Do que sei da nossa História, fomos de esquerda 50 anos atrás. Naquela época a esquerda tinha uma agenda progressista, humanista, um projeto de sociedade mais equitativa, embora acreditasse na virtude da ditadura do proletariado – que a História provou ser um “erro fatal”. Já a maior parte da direita daquele tempo – pelo menos no Brasil – destilava um elitismo retrógrado e conservador do atraso; os verdadeiros liberais eram minoria. Hoje, creio que nós ambos temos um viés predominantemente liberal e é aqui que estão os melhores fundamentos para uma agenda contemporânea: o livre mercado, o respeito à democracia e às liberdades individuais e, sobretudo, a garantia de igualdade de oportunidades. A chamada “esquerda brasileira” envelheceu, é refém e porta-voz das corporações (sindicais, de funcionários públicos e de empresários de compadrio que se penduraram nas tetas do Estado e o estão exaurindo). Quer agenda mais retrógrada e elitista do que defender universidade pública e gratuita para todos, até mesmo para os ricos, num país que não tem recursos públicos para oferecer creche a uma mãe de periferia que precisa trabalhar longe de casa?

N – O seu mais recente estudo de cenários, entretanto, põe no mesmo prato, digamos assim, populistas de esquerda e de direita, de certa forma reeditando o velhoPacto Molotov-Ribbentrop, que pôs do mesmo lado nazistas alemães e comunistas soviéticos, antes de estes se matarem no vasto território da mãe Rússia e na guerra fria. Quais são os pontos comuns identificados no estudo entre devotos do petismo do nada esquerdista Lula e adoradores do mito da ordem militar sob o comando do deputado Bolsonaro?

C – O principal traço característico do populismo, seja de direita, de esquerda ou até “de ocasião” (nesta eleição está surgindo essa espécie metamórfica) é a emergência de um líder carismático que encarna o sentimento popular, apresenta-se como o “salvador da pátria” e faz uma comunicação direta com a população. Tempos de crise são propícios ao surgimento desses “messias” e nossa sociedade tem certa propensão “salvacionista” em suas escolhas políticas. O líder populista nomeia inimigos, geralmente genéricos (as elites, os comunistas, os rentistas, a grande mídia, os banqueiros, os malandros, até o imperialismo americano!). Promete soluções simples e rápidas, que são impossíveis na vida real. Suas ferramentas políticas usuais são o confronto, a divisão e o ressentimento. E revela forte propensão ao intervencionismo estatal, ao autoritarismo, à indisciplina fiscal e ao assistencialismo. O maior risco do populismo é o das “canetadas” que são feitas apesar da lei (ou quase). Três casos  de nossa História recente: 1) populismo de ocasião, José Sarney, 1986, Plano Cruzado; 2) populismo de direita, Fernando Collor, 1990, congelamento da poupança; e 3) populismo de esquerda, Dilma Rousseff, 2012, Medida Provisória 579 de 11 de setembro, que alterou as concessões de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica e reduziu as  tarifas de energia elétrica, o  que praticamente “quebrou” o nosso setor elétrico.

Para ver vídeo de entrevista ao Panorama da Gestão Pública na TV Cultura clique aqui

N – Na Realpolitik de Pindorama, populistas e não populistas terminam se misturando em políticas de governo propostas não apenas por populistas de esquerda, direita e oportunistas, mas também quando se misturam com os não populistas que pedem votos para a manutenção do status quo e até mesmo os 23% que investem no “reformismo modernizante”, tendo como exemplo desse panorama – de que falava a música-ícone do tropicalismo, Geleia Geral, de Gilberto Gil e Torquato Neto –favoritos como Bolsonaro e pigmeus políticos como Henrique Meirelles. Como situar isso nas dicotomias expostas no estudo da Macroplan?

C – Embora estejamos num momento histórico de crescente indignação das sociedades em relação aos políticos (em geral) e de forte polarização política, historicamente no Brasil temos uma propensão acomodatícia. O diplomata Marcos Azambuja, em memorável entrevista a Roberto d’Ávila este ano, destacou que somos um povo de conciliação… e até mesmo de acomodação (com a mediocridade, interpretação minha). A “geleia geral” combina bem com nosso cenário de conservação do status quo – mudar as aparências e adjacências para manter o essencial como está. Não me surpreenderei se um eventual populista, vencedor nas eleições de 2018, seja, logo adiante, cooptado ou “sequestrado” por uma grande aliança “modo Centrão” que termine dando as cartas, tudo em nome da governabilidade e da preservação dos privilégios, dos “direitos adquiridos”. Como você, Nêumanne, escreveu em no seu artigo A farsa da pagologia’, “a distribuição do Fundo Partidário reelegerá este Congresso corrupto: (…) dos seis pretendentes à Presidência da República com chance, nenhum se compromete com o que de fato importa: o combate a privilégios, política econômica para pôr um fim  à crise e ao desemprego e o basta à impunidade de criminosos armados e de colarinho branco”. Confesso que às vezes perco o ânimo com tanto atraso…

N – Outro ponto polêmico a reunir as várias bandas desse desconcerto seria a corrupção, um elemento vital na economia e na política brasileiras. Parece claro que só a Nação vitimada se entusiasma com a guerra à rapina, enquanto o Estado algoz a defende com unhas e dentes, argumentando até que operações policiais e judiciárias como a Lava Jato terminam sendo prejudiciais à produção, ao consumo e à economia. Qual o papel que o furto deslavado e seu antídoto vigoroso desempenham em seus cenários?

C – Temos uma cultura de corrupção e clientelismo enraizada na nossa formação histórica. Concordo com o ex-presidente Fernando Henrique quando ele destaca (em Crise e Reinvenção da Política do Brasil, 2018) que “corrupção não é coisa nova no Brasil. (…) Mas, num passado não tão longínquo, não era geral, sistêmica (…) e sim um ato individual de conduta ou uma prática isolada de grupos políticos. (…) A mudança de patamar na (nossa) corrupção decorreu de dois fenômenos: o ressurgimento de um Estado desenvolvimentista (…) e o crescimento dos gastos com o sistema político-partidário, sobretudo no financiamento eleitoral”. A partir do mensalão e depois com o petrolão e  derivados, montou-se um sofisticado sistema de drenagem de recursos públicos e de estatais, “que transitava por grandes  empresas privadas  e pela coalizão de partidos dominantes…” As operações anticorrupção desmantelaram em parte essa engrenagem, mas como ela não é  uma máquina, e sim uma construção social, rapidamente ela se reorganizou, adaptou e criou vários mecanismos de sobrevivência que passam desde o Congresso e o Poder Judiciário até boa parte das candidaturas que hoje (2018) estão postas ao eleitor. Não será nada fácil trazer a corrupção brasileira para os patamares “normais” de uma democracia madura. Minha aposta nesse campo é de longo prazo: a abertura de nossa economia e a nossa exposição à competição global,  quando  vierem, nos revelarão que a corrupção não é um bom negócio para o desenvolvimento de um capitalismo competitivo e inclusivo no Brasil.

N – A única saída que dá para enxergar do túnel percorrido por um trem, por enquanto de luzes apagadas, é a capacidade de agentes do chamado “reformismo modernizante” conseguirem mostrar a realidade à maioria do eleitorado. A que argumentos seria possível recorrer? Como desconstruir a farsa populista dos pacotes de bondade da demagogia vil e fácil?

C – Com dados, fatos e pequenas vitórias rápidas. Com um discurso competente (no sentido do uso de argumentos sólidos expostos de  um modo de todos entendam) e uma prática exemplar. Tivemos um grande caso de sucesso em nossa História recente: o Plano Real. Seguir o exemplo da estratégia técnica e política, repito, técnica e política, que foi empregada no Plano Real. Apesar das imensas resistências, o Plano Real foi sendo viabilizado e consolidado ano após ano, com a maior parte dos ajustes feitos em tempo hábil. O Real só se viabilizou depois que (quase) chegamos à hiperinflação e de dois ou três planos econômicos anteriores fracassados. Talvez tenhamos de aturar mais quatro anos de recessão e de políticas erradas para acertar o passo mais adiante.

N – Dois males viciam o panorama eleitoral brasileiro hoje: de um lado, a lembrança do pleno emprego e dos tempos de bonança das gestões de Lula, em contraponto à dificuldade de encontrar nelas as causas, origens e raízes da crise ética, política, econômica e financeira que assola o Brasil, produzindo uma massa de 26 milhões de trabalhadores sem emprego nem esperança ou ânimo sequer para procurar uma colocação. Como explicar o óbvio difícil a milhões de almas viciadas pela ilusão do facilitário?

N – O cenário recessivo alimenta a nostalgia dos bons tempos do Lula. Que teve até a sorte de ter sua sucessora (que acelerou a produção desta crise, semeada desde 2010) impedida dois anos antes de terminar o mandato.  Com isso, Temer herdou não só o governo, como o “carrego” da crise. Pelo menos para a base da população, o PT soube apagar com maestria as suas digitais da autoria desta crise. Mas essa versão fake da história da crise pode ser contestada com argumentos racionais, falando a verdade, mostrando dados, fatos, bons exemplos de ajustes e também contraexemplos, como o colapso do Estado do Rio de Janeiro. Mas isso tem de ser feito numa linguagem de fácil entendimento pelo povo. Não no modo professoral como alguns candidatos têm falado por aqui. E não há solução mágica e fácil nesse campo. Um exemplo recente de caso de sucesso é Portugal, que hoje é “sonho de consumo” de muitos brasileiros. Depois que entrou na União Europeia, deu uma de “novo-rico” com os juros baixos e uma grande onda de investimentos em infraestrutura. Mas aumentou o gasto público de custeio – o que elevou sua dívida – e o país foi perdendo competitividade. Mergulhou numa crise severa a partir de 2008, quando estourou a crise financeira global. Portugal foi afundando numa grande dívida pública, que ficou cada vez mais difícil de ser financiada. Sem saída, Portugal seguiu o exemplo da Grécia e da Irlanda e em 2011 pediu ajuda financeira à União Europeia. Entre 2011 e 2012 o gasto público português caiu mais do que o PIB, indo de 51,8% do PIB em 2010 para 48,5% do PIB em 2012 mesmo com a economia em recessão. Houve até mesmo uma redução de salários do setor público, incluídos os juízes. E mesmo com a volta do crescimento o gasto retomou a trajetória de queda em relação ao PIB. A política expansionista do atual governo português tem tido sucesso até aqui porque está respaldada num forte ajuste fiscal prévio. O conjunto da obra mudou as expectativas dos investidores e da população e criou um ambiente propício  ao crescimento.

N – A outra moléstia que degenera o organismo político brasileiro nestas eleições gerais, e em particular a presidencial e a de parlamentares, é a contaminação indiscriminada de praticamente todos os agentes e realmente todos os partidos políticos da cumplicidade com a corrupção e com os crimes de facções armadas ou de quadrilhas de colarinho-branco. O que fazer para romper esse paradigma dentro das normas vigentes de nosso Estado de Direito, que torna a República refém dos malfeitores que a dirigem e mamam em suas “tretas”?

C – Creio que, depois dos resultados das operações anticorrupção, especialmente da Lava Jato, o Brasil não retornará aos mesmos níveis de impunidade de antes. Claro que os corruptos e corruptores não abandonaram o jogo e agora só temos relações virtuosas. O establishment é muito competente, criativo e adaptativo. Muda as regras a seu favor – vide o caso do financiamento público da campanha eleitoral deste ano, um mecanismo poderoso de conservação do status quo. Mas com a sucessão de prisões e condenações de empresários e políticos poderosos (um deles, ex-presidente da República) e operações, acabou a certeza de impunidade em nosso país e isso joga a favor da verdadeira economia de mercado. Só que, infelizmente, esse processo de depuração é de longa maturação. Repito: talvez a gente ainda tenha de amargar um aprofundamento do crise atual para a sociedade descobrir que soluções fáceis, jeitinhos e salvadores da pátria  não funcionam.

N – No panorama desolador de candidatos incapazes de formular uma política séria de equilíbrio das contas públicas, combate ao desemprego, elevação sustentável da renda per capita, fim dos privilégios do baronato dos chefões políticos e dos marajás da máquina “pública”, guerra à violência urbana e rural e combate à rapina do erário, o que pode ser feito pragmaticamente para evitar a bancarrota nacional, que parece iminente?

C –  Manter a indignação, ter visão de longo prazo e persistir. Pode demorar um pouco mais. Mas nossas chances de um dia dar certo são muito boas. Apesar de tudo, não somos um país qualquer. Temos ativos estratégicos muito valiosos no século 21 que sustentam uma atratividade diferenciada do Brasil neste mundo globalizado: 1) ampla disponibilidade de recursos naturais valiosos no século 21 – terras agricultáveis, água potável, belezas naturais, florestas, recursos minerais e energéticos, biodiversidade; 2) mercado nacional integrado e de grande porte; 3) setores produtivos mundialmente competitivos – agronegócio, mineração, indústria aeronáutica, alimentos; 4) solidez, agilidade e elevado desempenho do sistema financeiro nacional, embora seja fortemente oligopolizado e pratique juros e margens astronômicos; 5) continuidade democrática e instituições que funcionam, mesmo com alguns problemas; 6) fronteiras “em paz” – relações pacíficas com os países vizinhos (o problema com os refugiados venezuelanos em Roraima é uma exceção vergonhosa); e  7) uma sociedade que, quando adequadamente mobilizada e liderada, tem alta propensão à  cooperação, com capacidade, flexibilidade e adaptabilidade para lidar com situações difíceis e complexas. O Brasil tem jeito. Mas só com muito trabalho e visão de longo prazo.

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