Inovação na gestão pública

Consórcio Brasil Central: meta é desenvolver novos nichos de mercado e produtos não tradicionais para exportar mais

Do Valor Econômico Especial – Brasil Central

Esforço maior para diversificar

Maior produtora de grãos do país, a região Centro-Oeste tem uma pauta de exportações centrada no agronegócio, com produtos básicos e semi-industrializados que alimentam, sobretudo, a Ásia e a Europa. No ano passado, as vendas externas somaram US$26,7 bilhões, valor que sobre para quase US$ 32 bilhões quando computadas as receitas cambiais geradas pelo Maranhão, Rondônia e Tocantins – que também integram o Brasil Central

Estes resultados podem crescer mais, dado o potencial de diversificação de produtos de exportação de uma região rica em biodiversidade. Muito conhecido pela exuberância de suas belezas naturais, o Centro-Oeste é também importante gerador de receitas como o turismo, que atrai visitantes do mundo todo e contribui para a balança de serviços do país. Para a diretora de planejamento e projetos do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento do Brasil Central (BrC), Gilsa Costa, é certo que a balança de bens e mercadorias do bloco pode e deve ser incrementada e diversificada.

O consórcio pretende, no médio prazo, transformar o bloco na segunda maior região exportadora do país, passando à frente da região Sul. Para isso, já definiu objetivos: até 2022 quer elevar para 23% a participação das vendas externas no total exportado pelo país. Hoje essa presença é de 14,6%. “ A meta é perfeitamente factível, uma vez que , entre 2005 e 2015, as exportações da região cresceram em média 13% ao ano, acima da média brasileira, que foi de 5% ao ano”, diz Gustavo Morelli, diretor da consultoria Macroplan.

A atuação se dará em duas linhas principais: identificar e trabalhar produtos não tradicionais na pauta de exportações do bloco, mas com potencial de crescimento; e construir uma agenda internacional que represente os interesses da região em negociações globais, entre governos e blocos econômicos, para acordos de comércio, serviços e investimentos; e também no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Nessas agendas estão temas prioritários como subsídios agrícolas, controles sanitários, barreiras ao comércio, serviços de transporte e logística, entre outros.

Segundo a diretora do BrC, já foram identificados os principais grupos não tradicionais que poderiam ingressar na pauta de vendas externas da região. A fase seguinte será mapear junto a empresários os gargalos no comércio desses bens. “esta etapa envolve levantamentos das barreiras tarifárias e não tarifárias adotadas pelos players do mercado internacional e que possam afetar as exportações”, explica Gilsa, observando que, nos países em desenvolvimento, as barreiras tarifárias são altíssimas; e nos países desenvolvidos predominam as barreiras não tarifárias

Pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) constata que a ausência de acordos comerciais com mercados de atuação é um dos itens apontados por exportadores como entrave ao aumento de vendas no exterior. E na União Europeia, segundomaior mercado das exportações do agronegócio do Centro-Oeste, é vista como um bloco econômico com o qual o Brasil deveria estreitar relação.

A Agência Brasileira de Promoções de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) também desenvolve trabalho para a expansão do comércio, com instalação este ano de núcleos operacionais em todos os Estados do Brasil Central, a exemplo do que já existe em Goiás e em mais 16 unidades da Federação. “O objetivo é estimular a competitividade e promover a cultura exportadora nas empresas, qualificando e ampliando os mercados para as indústrias iniciantes em comércio exterior”, explica Adriana Rodrigues, coordenadora de competitividade do órgão. O trabalho é desenvolvido em parcerias locais com universidades, parques tecnológicos e federações de indústrias. A fase atual é de preparação de diagnósticos sobre a capacidade produtiva das empresas, tipos de produtos, potenciais mercados para o conjunto dos Estados do Brasil Central.

“Esses Estados são grandes produtores de commodities, líderes mundiais em produtos agrícolas, mas vamos ajuda-los a desenvolver novas empresa, novos setores e trabalhar nichos de mercado, como a gastronomia, os produtos orgânicos, a piscicultura”, diz a especialista da Apex-Brasil, apontando alternativas de agregação de valor aos produtos. Ela acredita que neste segmento de mercado, haverá maior numero de pequenas empresas e cooperativas. Mas o trabalho de atração de exportações não faz restrição por porte empresarial.

De fato, a pesquisa da CNI sobre entraves às exportações brasileiras, constata grande interesse das empresas em serviços de apoio à internacionalização. Mais da metade dos exportadores ouvidos pela CNI valoriza ações de promoção de negócios e capacitação comercial, consideradas iniciativas positivas à competitividade

Para o superintendente de relações internacionais da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), Lígia Dutra Silva, um dos maiores desafios é a diversificação de produtos e de mercados, além, claro, das questões de logística de transporte. Ela vê novas oportunidades no setor de frutas, com a esperada entrada da China como importadora do melão brasileiro, o que poderá ocorrer em breve, quando equacionadas as autorizações sanitárias. Um dos focos da CNA é trabalhar também o desenvolvimento do mercado exportador da cadeia de produtos lácteos, ainda incipiente.

Segundo Adriana, da Apex- Brasil, entre as principais dificuldades para as empresas começarem a exportar, principalmente as pequenas e médias, está o acesso à informação sobre procedimentos e normas a serem cumpridas, inclusive normas técnicas se sanitárias dos países para os quais se pretende vender produtos. Outro impasse é preparar e adaptar o produto a outros mercados, o que implica, muitas vezes, mudar a produção e o modelo de negócios.

O processo de inserção internacional envolve desde o planejamento de estratégias de produção e desenvolvimento de produto até a entrada efetiva no mercado externo, que pode ser de forma direta ou por meio de uma comercial exportadora. “A finalidade é que a exportação passe a ser uma estratégia definida e permanente no plano de negócios da empresa”, diz a coordenadora da Apex-Brasil

Ela observa que, na esteira da expansão do agronegócio, a região central do país vem atraindo muito investimento e, quando isso acontece, acaba gerando capacidade exportadora, com novas empresas e novos setores. Em Goiás, por exemplo, onde já existe um núcleo do programa de qualificação da Apex, a meta é atingir 130 empresas. Para isso, foi feita parceria técnica com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) e estão sendo investidos R$950 mil.

Também o Distrito Federal é alvo do trabalho de ampliação e diversificação de exportações. Embora também tenha vocação para o agronegócio e a soja figure entre seus principais itens exportados, O DF tem grande potencial para a comercialização de novos produtos, segundo o diagnóstico de Adriana. O foco aí são os serviços ligados ao conhecimento, a novas tecnologias, à biotecnologia e à indústria criativa, que podem ser realizadas por empresas de menor porte. Para isso, os exportadores locais poderão contar com a expertise de instituições de ponta, como a Embrapa e a Universidade de Brasília. Os micro e pequenos negócios no DF envolvem hoje cerca de 245 mil empresas, total que deverá crescer para 270 mil este ano, segundo projeções da Receita Federal.

Vocação além dos grãos

Um forte impacto sobre a agroindústria e o turismo. É este o resultado que as estratégias de unificação das exportações propostas pelos Consórcio Brasil Central (BrC) ao governo federal deverão produzir no estado de Tocantins. Com orçamento previsto de R$10,7 bilhões para 2018, Produto Interno Bruto (PIB) que deve passar dos R$32 bilhões e participação de 1% no total das exportações do país, Tocantins espera potencializar áreas onde tem vocação natural, como soja, carne bovina e milho, e alavancar culturas favoráveis, como a piscicultura, se houver investimentos e apoio federal.

A expectativa é de que a força política criada pelo bloco, que representa 11,2% do PIB nacional, 14,4% das exportações e 31,4% do saldo da balança comercial do país, possa impulsionar não só o conjunto, mas cada Estado que compõe o Brasil Central – Tocantins, Maranhão, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, além do Distrito Federal. Amparada em amplo estudo que considera as características geográficas, econômicas e socioculturais de cada Estado, a proposta do BrC indica países-alvo para futuros acordos comerciais e, além de produtos tradicionais, inserção de outros com grande apelo no mercado externo.

O carro-chefe do estado nesse processo de exportação é o agronegócio. A iniciativa rumo ao mercado internacional reúne um conjunto de pequenas ações que já vêm sendo tomadas pelo governo, cujos resultados começam a aparecer. Uma delas é a primeira compra compartilhada de medicamentos e insumos para a saúde, que para Tocantins resultou em uma economia de R$60 milhões. Outra proposta levada pelo estado ao grupo e que está em execução é o roteiro integrado de turismo. Com base em pesquisas que apontam ecoturismo como um dos segmentos que mais cresce no mundo, o plano é dar prioridade a essa atividade, com foco no interior do Brasil, em busca de turistas internacionais. A discussão sobre uma política de exportação que beneficie o bloco como um todo terá de levar em conta peculiaridades geográficas, comerciais e socioculturais da região

Para a presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Tocantins (Faet), senadora Kátia Abreu, toda estratégia unificada de exportação tem de levar em conta as questõese diferenças trbutárias , logísticas e geográficas de cada Estado. “ É preciso unificar os tributos de exportação cobrados em cada um dos membros, o que hoje não existe. Em Goiás e Tocantins, a tarifa de exportação é zero. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul tributam parte da exportação”, exemplifica. Ela também questiona o impacto da variação das distâncias de cada Estado do BrC em relação a portos já existentes. “Campo Grande está a mil quilômetros do Porto de Santos e a 2,8 mil quilômetros do Porto de Itaqui. Já Tocantins está a 1,8 mil quilômetros de Santos e a 1,2 mil de Belém. Como vamos equacionar esta estratégia?”

Há também diferenças em relação à produção. Tocantins deve colher 4,5 milhões de toneladas de grãos. “Podemos fortalecer nossa produção, pois hoje plantamos só 18% da nossa área disponível. Temos 1,3 milhão de hectares de área cultivada em Tocantins e um potencial de 7 milhões de hectares não utilizados”, indica o secretário de Agricultura e Pecuária do Estado (Seagro), Clemente Barros Neto. Dados da secretaria mostram anda que 4 milhões de hectares estão dedicados a um processo de pastagem em degradação, que poderão ser revitalizados com investimentos em tecnologia e recuperação das condições atuais. O Estado tem ao todo 27 milhões de hectares, dos quais 14 milhões são de reserva ambiental. A implementação da agenda BrC traria, na visão do secretário, não só melhorias nas condições atuais, mas também mais investimentos para acentuar as exportações e a economia local.

Outra frente da agenda do estado prevê o desenvolvimento da industrialização. Hoje, Tocantins e Mato Grosso exportam matéria-prima in natura. “Queremos industrializar a matéria-prima para desenvolver outras culturas, como a piscicultura, onde nosso potencial é enorme, a avicultura e a suinocultura , que agregariam valor à cadeia e atenderia o médio e o pequeno produtor”, afirma o secretário. Ele acredita ainda que a negociação em bloco trará maior poder de barganha em relação a preços e abertura de novos mercados. “Na piscicultura, entraríamos como grande player internacional com os peixes tropicais da Amazônia”, acrescenta José Fernandes, assessor da presidência da Federação da Indústria do Estado de Tocantins (Fieto).

Levantamento da Seagro mostra que há 4,5 milhões de hectares de Lâmina de água disponíveis para a piscicultura no Estado, que passou a contar, no ano passado, com um centro de piscicultura da Embrapa, dedicado ao estudo e certificação dos peixes da região. “Além disso, o Estado concentra um rebanho de 8 milhões de animais. Temos condições de manufaturar carne e artigos de couro, que tem demanda crescente no mundo, e mesmo a soja, cuja produção cresce em dois dígitos, poderia ser processada”, defende Fernandes. A fatia da indústria no PIB de Tocantins no ano passado ficou em 14,5%. Temos potencial para muito mais se o bloco se viabilizar”, diz.

Para a diretora de planejamento e portfólio de projetos do BrC, Gilza Eva de Souza Costa, o estado pode explorar muito mais. “Tocantins é conhecido pela sua produção de abacaxis que pode entrar na pauta na categoria de sucos”, exemplifica. Em sua opinião, o bloco estabelece uma nova forma de cooperação entre os Estados e potencializa o que cada um tem a oferecer, o que eleva a competitividade geral. A executiva explica que de 2015 – quando o bloco foi formado – para cá, alguns avanços já foram identificados, como a aprovação da lei complementar 160 pelo Congresso Nacional, que regula a convalidação dos benefícios fiscais pelos sete Estados -membros do BrC.

Japão e Coréia doa Sul são países que Tocantins e os outros estados têm elevado interesse para futuros acordos comerciais, segundo a Confederação Nacional do Agronegócio (CNA). “ A Coréia do Sul é o nono maior importador de alimentos, mas aplica tarifas altas em alguns produtos, como milho e carne bovina”, explica Pedro Henrique de Souza Neto, assessor de relações internacionais da CNA. Do total de US$951 milhões exportados por Tocantins, em 2017, US$756 milhões vieram da soja, US$53,3 milhões do milho e US$ 154,8 milhões da carne bovina. “ A Coreia do Sul também aplica imposto de importação bem alto para a soja e Tocantins poderia se beneficiar de um acordo “diz Souza Neto.

Além do Japão e Coreia do Sul, a agenda aponta para oportunidades em negociações já em andamento. “O BrC tem de se conectar rapidamente com a União Europeia, o México e com a Associação de Livre Comércio da Europa”, indica Rodrigo Souza, consultor da Macroplan. Segundo ele, Tocantins se enquadraria em vários dos dez grupos de produtos mapeados para novas frentes de exportação, como medicamentos (tem três indústrias instaladas) e suco de frutas – é o maior exportador da região, concentrando 99,8% das vendas externas do produto no bloco.

 

Diário de Goiás

“Plano é sinalizador de um futuro próspero para Goiás”, diz Marconi no lançamento preliminar do Goiás 2038

O governador Marconi Perillo e o presidente da consultoria Macroplan, Claudio Porto, apresentaram, hoje, um estudo preliminar do Plano de Desenvolvimento Econômico Integrado de Goiás, o Goiás 2038, que traça ações de médio e longo prazos para o desenvolvimento do Estado nos próximos 20 anos, pautado em cinco eixos principais. “Este plano é um grande sinalizador de um futuro próspero para Goiás”, afirmou Marconi.

O plano tem 50 metas, e foi construído com o apoio de 120 técnicos e colaboradores. O estudo está pautado em cinco eixos, sendo que cada um deles tem um objetivo principal. O primeiro é a Prosperidade, cuja meta é dobrar a renda per capta dos goianos nos próximos 20 anos. Qualidade de vida é o segundo eixo, com a missão de posicionar Goiás como um dos cinco estados brasileiros com melhor qualidade de vida.

Em seguida, Setor Público Eficiente, com a meta de que Goiás alcance nível de performance entre os cinco melhores no Brasil. No quesito Confiança, o objetivo é consolidar a imagem externa de Goiás como um estado exemplar, que inspira confiança e respeito. Por último, Protagonismo Nacional, com metas para que Goiás se notabilize como Estado pró-reformas econômicas e institucionais modernizantes, e pró-viabilização de infraestrutura adequada à expansão competitiva de Goiás na economia global.

O estudo apresentado está disponível no site www.sed.go.gov.br/goias2038. Marconi ressaltou que em suas gestões muitas dessas metas já foram alcançadas e consolidadas. O desafio agora é continuar trabalhando para a superação cada vez maior de cada uma delas. “Goiás está no caminho certo. Consolidado como um estado próspero, com qualidade de vida, inovador em todas as áreas. Tenho a certeza de que o desenvolvimento que proporcionamos é um caminho sem volta”, disse.

Claudio Porto agradeceu pela generosidade com que a Macroplan foi recebida no Estado, e classificou a parceria com uma das melhores que a empresa já vivenciou nos últimos anos. “Para nós foi uma honra desenvolver esse  estudo em um Estado tão rico e repleto de oportunidades”, afirmou. O vice-governador Zé Eliton pontuou que o plano ratifica que Goiás está na vanguarda do desenvolvimento, graças às gestões de Marconi.

Cidades do Brasil

100 melhores cidades do Brasil

O que as 100 melhores cidades do Brasil têm em comum? Quais fatores são determinantes para o bom desempenho da gestão pública? Para responder estas questões, a Macroplan – consultoria especializada em administração estratégica – comparou as 100 maiores cidades do Brasil (população acima de 266 mil) usando um índice que agrega 16 indicadores nas áreas de educação, saúde, segurança e saneamento. Esses indicadores receberam diferentes pesos: 35,3% para educação e cultura; 35,3% para saúde; 20,6% para infraestrutura e sustentabilidade e 8,8% para segurança. Com isso, o ranking das 100 melhores cidades, analisados no período de uma década, foi formado por um índice que vai de 0 a 1, em que quanto mais próximo de 1, melhor é a condição de vida nessa cidade.

O estudo Desafios da Gestão Municipal (DGM) mostrou que as cem cidades mais populosas do país representam 39% da população brasileira, produzem 50% do PIB (Produto Interno Bruto) e respondem por 54% dos empregos formais do país. A região Sudeste é a que concentra a maior parte delas: 49 municípios, sendo 8 deles entre os dez melhores ranqueados.

De acordo com o levantamento da Macroplan, Maringá (PR) é a melhor cidade grande do País. A cidade subiu no ranking, assim como os outros cinco municípios que aparecem no topo do estudo: Piracicaba, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Franca e Campinas. Do ranking das dez primeiras, oito estão no estado de São Paulo. Apenas Maringá e Curitiba quebram essa hegemonia. Por outro lado, Ananindeua (PA), Belford Roxo (RJ) e Macapá (AP) estão entre os piores resultados entre as 100 maiores.

Adriana Fontes, economista sênior e coordenadora do núcleo de estudos da Macroplan, explica que a análise, que trabalhou com dados de 2015 (os mais recentes disponíveis), mostrou que há avanços nos indicadores do grupo das 100 maiores cidades em várias áreas com risco de retrocesso no atual contexto de crise, como tem ocorrido sobretudo na área de segurança. “Além disso, o estudo através do indicador sintético mostra situações e trajetórias muito distintas entre as cidades com destaque para três questões”, explica.

Disparidades regionais

Em primeiro lugar, as disparidades regionais. Os resultados confirmam as abismais disparidades entre as regiões do país: os municípios do Sul e do Sudeste dominam as 25 primeiras colocações do índice geral. Entre os 25 últimos, predominam representantes do Norte, Nordeste e da periferia da região metropolitana do Rio de Janeiro.

Em segundo lugar, o desempenho das cidades médias. Quatro das cinco melhores do ranking são cidades com até 500 mil habitantes: Maringá-PR, Piracicaba-SP, São José do Rio Preto-SP e Franca-SP. Além disso, as cidades médias foram as que registraram as maiores variações positivas no ranking.

Em terceiro lugar, destaca-se o desempenho positivo de São Paulo. Das 10 primeiras colocadas no ranking, 8 estão em São Paulo. Entre as 15 melhores posições, o Estado contribui com 12 cidades.

“O desempenho dos municípios está relacionado a uma série de fatores históricos, socioeconômicos e relacionados à gestão pública. Em geral, a conquista de bons resultados, no médio e longo prazos, está relacionado à continuidade de políticas públicas eficazes, independente dos ciclos políticos e, ainda, de responsabilidade fiscal”, explica a economista.

Desafios atuais

De acordo com Adriana Fontes, os governos convivem com acentuada escassez de recursos e pressões sociais para fazer mais e melhor, além da exigência de mais transparência na prestação de contas. Com o aumento da escolaridade e maior acesso à informação, as pressões por parte da população tendem a aumentar. “A percepção geral é que os recursos são mal utilizados e não são compatíveis com os impostos cobrados. A sociedade espera mais dos governantes e demanda melhores serviços públicos, hoje com elevadas carências e com risco de degradação. O desafio central é atender as demandas da população com restrições de recursos em um cenário econômico e político de instabilidade, com elevado desemprego e, portanto, maior pressão sobre os serviços públicos.  O primeiro ano de governo acabou e o momento de ‘arrumação da casa’ passou. Agora, o foco deve ser na entrega de melhores serviços para a população, com criatividade, parceria com o setor privado e maior produtividade”, defende. Para isso, é preciso ter um planejamento focado no desenvolvimento de médio e longo prazos para a cidade, buscando o envolvimento da sociedade, e com estratégias integradas e territorializadas. Para enfrentar tamanho desafio é fundamental trabalhar em parceria com os outros níveis de governo, com o setor privado e com a sociedade civil para mobilizar recursos e competências. “Dadas as restrições orçamentárias atuais é preciso ter foco e direcionar os esforços e recursos para ações que produzam resultado para a melhoria da qualidade de vida da população e aumento da competitividade. Para isso, monitoramento, avaliação e mapeamento de experiências exitosas são imprescindíveis”, ressalta Adriana.

A estagnação econômica impõe limites ao crescimento das receitas que precisam ser respeitados pelo lado da despesa. Mas não se trata apenas de aumentar a receita e reduzir despesas. “É preciso dar maior importância à qualidade e à produtividade do conjunto de políticas. Há um espaço menor para ineficiências na gestão e desperdícios de recursos. O estudo traz indícios de ineficiências na gestão por meio da comparação das trajetórias divergentes e dos descompassos entre gastos e resultados analisados. Há, por exemplo, municípios que gastam o dobro por aluno do Ensino Fundamental e têm um resultado inferior no IDEB”.

Principais déficits

O levantamento da Macroplan mostrou que ainda há déficits evidentes em várias áreas. Na área de saúde, por exemplo, mais de 80% dos municípios têm taxa de mortalidade infantil superior a 10 por mil nascidos vivos, nível, contudo, aceitável pela Organização Mundial da Saúde. Na Educação, dois terços dos municípios não haviam alcançado, em 2015, no IDEB do Ensino Fundamental I público o nível equivalente à média da OCDE em 2003. Na segurança, todas as cidades têm índices mais elevados que a média da OCDE (4,1 por 100 mil habitantes).

Algumas áreas são mais sensíveis a ações de curto prazo enquanto outras demoram mais a reagir. Importante é ter um planejamento que combine ações efetivas e eficazes de curto, médio e longo prazos e monitorar o impacto dessas ações. Há casos de municípios que estavam entre os 10 piores no ranking, em 2005, e passaram a figurar entre os 50 melhores, em 2015. “Ainda existem muitas demandas não atendidas em áreas importantes, principalmente educação e saúde. Reduzir a oferta

e/ou degradar ainda mais a qualidade, sob o argumento de recursos escassos, terá impacto oposto à expectativa da avaliação da população”, ressalta a economista.

Fazer diferente

Maringá, no Paraná, foi a primeira colocada no ranking do IDGM 2017. Com pouco mais de 400 mil habitantes, a cidade se posiciona melhor em saneamento e saúde, com uma taxa de mortalidade infantil abaixo de 10 por 1000/nascidos vivos e a 5ª maior cobertura do pré-natal. Mas a cidade possui também o maior IDEB do Ensino Fundamental I, com 7,1 da rede pública. “Foi a cidade que mais avançou neste indicador na última década. E esses avanços parecem ter sido alcançados com melhor uso de recursos, uma vez que a cidade possui o melhor resultado de gasto por aluno do Ensino Fundamental I”, avalia Adriana Fontes.

Entre as prioridades que devem estar no topo da agenda dos prefeitos destacam-se o aumento da produtividade dos gastos públicos (produzir mais com os mesmos recursos), priorizar os projetos no setor de educação e ter uma governança compartilhada com a sociedade. “Fazer diferente requer o uso intensivo de tecnologias, o estabelecimento de parcerias com outros entes da Federação e com o setor privado e maior direcionamento de recursos para as áreas finalistas com real impacto sobre a qualidade de vida da população”, conclui a economista.

Planejamento estratégico

Projetos precisam ser ajustados aos cenários econômicos

Da Tribunda do Norte
Ricardo Araujo – editor de economia
O ESTADO ENTROU EM SITUAÇÃO DE COLAPSO FINANCEIRO E OPERACIONAL , AFIRMA ECONOMISTA

A Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern) deu início ao processo de revisão do Plano de Desenvolvimento Econômico e Promoção e Investimentos do Rio grande do Norte, mais conhecido como Mais RN. O projeto que contempla ações nos campos da infraestrutura, empreendedorismo, capital humano e otimização da prestação de serviços do Estado será apresentado aos próximos candidatos ao Governo que disputarão as eleições no próximo mês de outubro.
O Plano, porém, não é novo. Foi elaborado ao longo de 2013 e apresentado à então governadora Rosalba Ciarlini e aos candidatos ao Poder Executivo à época., Quase quatro anos depois, a sensação do economista responsável pela elaboração do estudo, Claudio Porto, é de frustração. Quase nenhuma das ações elencadas no Mais RN foi posta em prática pelo atual governante, Robinson Faria, de acordo com o próprio Claudio Porto.
O principal reflexo é a situação econômico-social do Estado, que sucumbe diante da falta de recursos para investimentos e quitação da folha de pagamentos. “Uma das agendas importantes, desde aquela época, era a necessidade do ajuste fiscal-financeiro, sobretudo para que o os Poderes e o estado firmassem um pacto de solidariedade, e do setor público com os agentes privados para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Houve agravamento da situação. É necessário ajuste das agendas e inserção da visão empresarial de propostas para os candidatos ao governo do Rio Grande do Norte”, afirma o economista
Na entrevista a seguir, Claudio Porto analisa o atual cenário e aponta saídas para a crise.

O que mudou no Estado do Rio grande do Norte, quando da edição do primeiro Mais RN para a revisão em curso?
Houve, infelizmente, um agravamento muito significativo, não só na situação socioeconômica, mas também na situação fiscal e financeira doestado do Rio grande do Norte. Infelizmente o que aconteceu nesses quatro anos é o que estava previsto para o pior cenário quando estávamos trabalhando a concepção do Mais RN. Havia quatro cenários e o pior deles é o “Derrubando Elefantes”. Se você fizer uma leitura, há muitas semelhanças com o que está ocorrendo. Nós prevíamos estas possibilidades. Nós desenvolvemos o projeto visando o melhor cenário, mas para isso era preciso que algumas medidas de ajustes fiscais fossem tomadas. Tínhamos consciência, já em 2013, que aquela situação difícil já era evidente, não só por uma questão local, mas também pela deterioração da conjuntura econômica brasileira.

Em que fase está a atualização do projeto?
Estamos em fase de conversações. Mas a ideia principal é a seguinte: fazendo uma avaliação da agenda do Mais RN ela permanece válida em todas as suas direções e conceitos. O que muda é o que será preciso, independente de quem será o governador, ter um esforço concentrado em resgatar a capacidade do poder público em servir a população do rio Grande do Norte. Infelizmente, o poder Executivo entrou em colapso financeiro e operacional. Não foi o primeiro Estado a entrar. O Rio de Janeiro esta em uma situação pior. Mas o Rio Grande do Norte está no mesmo caminho. Então o mais urgente, nos próximos quatro anos, é resgatar essa capacidade de atuação do governo do Estado, mas também em solidariedade com os outros Poderes. Eles têm que entrar em um jogo de cooperação para que a gente possa reconquistar esta capacidade de recuperação e que o governo do estado consiga funcionar de uma maneira minimamente normal.

Por quais motivos os governos Rosalba Ciralini e Robinson Faria não conseguiram executar o Mais RN?
Em uma visão à meia distância, pois eu não acompanho diariamente, seguramente o conjunto das propostas do Mais RN restou subutilizado. Ele não foi levado em conta, não foi considerado com a atenção que seria desejada e mesmo necessária. Desde 2013, se destacava a importância e a urgência de um ajuste fiscal no caso do Rio Grande do Norte, que já se encontrava em uma situação de dificuldade. Esse era um ponto que se destacava. O objetivo era melhorar as contas do estado e aumentar a produtividade e capacidade de entrega do Estado e dos municípios. Eu penso que não só aqui no RN, mas boa parte dos governantes eleitos em 2014 subestimou o tamanho da crise na qual o País já estava mergulhado e que estourou em 2015. O ajuste aqui só aconteceu quando já era muito tarde e causando prejuízos à população.

Por que as presidências dos demais poderes ainda resistem em atuar em prol do bem público, reduzindo as folhas de pagamento, por exemplo?
Essa questão relacionada ao funcionalismo publico e ao custo dele é muito difícil de ser tratada, embora não seja impossível. Ela está se tornando cada vez mais necessária no caso do Brasil. Afeta não somente o Rio grande do Norte, mas vários Estados, prefeituras e o Governo Federal também. É uma questão importante, mas difícil politicamente aqui e em outros países. O que estamos vendo e que ou os ajustes se dão a partir de uma medida organizada, planejada entre os governantes, ou a situação se complicará.

Quais medidas precisam ser adotadas para que se reencontre o equilíbrio econômico-financeiro no Estado?
Na minha opinião, levando em conta a situação do RN, são três pontos fundamentais: o primeiro e que deve haver um pacto para a entrega dos serviços públicos essenciais à população. O mínimo que se pode esperar de um governo ou de um poder público é que as escolas funcionem, que os alunos tenham aula, que os postos de saúde e os hospitais e a rede de assistência funcionem, que a policia esteja na rua fazendo o seu trabalho, que o acesso à justiça esteja garantido. Ao invés de se pensar em obras mirabolantes e preciso fazer o feijão com arroz primeiro. Nós, cidadãos, pagamos impostos para, em primeiro lugar, o poder público nos restituir em serviços com um nível de qualidade razoável. Isso é o mínimo. O segundo ponto é que todos nós, pessoas físicas, passamos por algum aperto nos últimos anos e foi cuidando das finanças, cortando aqui e acolá. Está na hora do poder público fazer o dever de casa e ser mais eficiente, mais produtivo e entregar mais com os recursos que já tem. No Brasil já não há mais espaço para aumentar impostos para custear estas questões. É muito importante, inclusive, para manter a coesão social, que o poder público faça uma contenção de privilégios e regalias, segure custos e aumente a produtividade para poderem se manter como poderes legítimos dentro da sociedade. Em terceiro lugar, um ponto muito importante, é criar um ambiente mais amigável para os negócios. Quem faz o crescimento não é o governo, é o investimento privado, as empresas, os empreendedores. São pequenos, médios e grandes negócios que movem a economia. Precisamos ter instituições públicas para que elas cumpram a lei, mas que sejam amigáveis com o ambiente de negócios. Eu fiquei muito impressionado com o que aconteceu com as facções têxteis. Isso gerou excitação em outros estados, sobre o risco destas facções serem transferidas. É um ambiente hostil à criação de empregos. Temos que ter uma mudança de mentalidade no sentido de que o Rio Grande do Norte seja também um Estado amigo dos negócios. Negócios privados são bem-vindos para gerar riquezas, empregos, produtos de boa qualidade e prosperidade.

O senhor considera o Rio Grande do Norte um ambiente que não é atrativo às empresas?
Comparando com outros Estados, seguramente, não é dos mais atrativos. Por conta de dificuldades de licenciamento ambiental, entraves relacionados a contratos de trabalho e os níveis de segurança estão deteriorando muito. O Rio Grande do Norte é uma pérola do ponto de vista de atração turística, com projeção internacional, mas está perdendo atratividade porque os níveis de insegurança estão aumentando muito. Ou seja, o Rio grande do Norte está perdendo atratividade para outros Estados da região, em relação à atração de negócios e oportunidades de crescimento em razão do colapso da área pública

Diário da Região

Um dos melhores lugares para viver

Em 10 anos, Rio Preto subiu 10 posições no ranking dos municípios com melhor qualidade de vida
Rio Preto exibe indicadores de qualidade de vida que coloca a cidade entre as melhores do Brasil para se viver. São vários os critérios empregados em cada estudo, mas o conjunto deles coloca os rio-pretenses em posição privilegiada em diversos rankings criados.

É o caso do Índice dos Desafios da Gestão Municipal (IDGM), calculado pela consultoria Macroplan, que consolida 16 indicadores em quatro áreas de resultado (educação, saúde, segurança e saneamento) permitindo uma comparação dos 100 municípios no período de uma década. O estudo, divulgado em dezembro último, coloca Rio Preto como 3º melhor lugar para se viver no País.

Divulgado em dezembro último, o estudo tem por base dados de 2015, atribuindo a Rio Preto pontuação 0,719 (quanto mais perto de 1, melhor a qualificação) entre os 100 maiores municípios brasileiros. Perde apenas para Maringá (PR), com 0,731, e Piracicaba (SP), com 0,721. Na série histórica, em 10 anos o município subiu 10 posições neste ranking.

Adriana Fontes, economista senior da Macroplan destaca a evolução do município em 10 anos. Em 2005, Rio Preto ocupava a 13ª posição no ranking dos municípios mais desenvolvidos, com pontuação de 0,603. “Em dez anos a cidade ganhou dez posições”, disse. Está entre as 4 das 5 cidades de porte médio (até 500 mil habitantes) de melhor evolução. Nos critérios da pesquisa, Rio Preto mostra ser uma cidade muito dinâmica.
Na síntese dos indicadores, o quesito “educação” contém, a melhor pontuação da cidade, ocupando a segunda melhor posição entre todos os municípios brasileiros. Esta posição é mantida já há 10 anos. No item “saúde”, Rio Preto alcançou em 2015 a 14ª posição, oito posições acima do obtido em 2005 (22ª). Em “infraestrutura e sustentabilidade”, o município ostenta a 16ª melhor colocação, muito acima do verificado dez anos antes (30ª posição). E, finalmente, no quesito “segurança”, Rio Preto ficou na 29ª posição, recuando um degrau em relação a 2005 (28ª posição).

Adriana explica que este desempenho espelha a boa pontuação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que em 2015 ficou em 6,7, acima da meta de 6,4. Nos quesitos “saúde” e “saneamento”, a cidade avançou bastante e em “infraestrutura e sustentabilidade” também foram alcançados bons resultados.

A preocupação ficou por conta da segurança. Segundo Andriana, o município tem baixo número de homicídio em relação a outros centros, mas destoa em acidentes de trânsito, com elevado número com vítimas, ocupando a 22ª posição entre as cidades de mesmo porte, chegando a fazer com que Rio Preto perdesse uma posição no ranking geral de segurança.
Recomendações

Apesar de figurar na terceira melhor posição do ranking, a pontuação da cidade ainda está longe do nível máximo (1 ponto). A distância entre o alcançado até 2015 e o ideal é de 0,281 pontos, mais de um terço do já obtido.
Adriana explica que, para se aproximar do nível ideal, o município precisa elaborar um planejamento focado no desenvolvimento de médio e longo prazos. Ela defende a necessidade de definir parcerias para vencer a crise com foco em onde atuar na vida da cidade para fomentar seu progresso. O que poderia ajudar muito é estudar experiências bem sucedidas de outras cidades para aumentar a acertividade e acelerar o processo de desenvolvimento.

Notícias

CNI lança mapa da estratégia para a economia brasileira crescer. Estudo foi elaborado com o apoio da Macroplan

O Mapa Estratégico da Indústria 2018-2022  foi divulgado no último dia  5 de março pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) . Elaborado com o apoio da Macroplan, o estudo aponta metas que  podem fazer o País dobrar a velocidade de crescimento da economia. O documento estima que o Produto Interno Bruto (PIB) pode crescer em média 4% ao ano a partir de 2023, caso as iniciativas propostas sejam levadas adiante.

O estudo teve ampla repercussão na imprensa nacional e regional. Veja aqui, algumas das matérias publicadas em veículos de mídia de circulação nacional e regional:

Valor Econômico

http://www.valor.com.br/brasil/5365073/cni-propoe-mapa-com-60-metas-para-elevar-competitividade

O Estado de São Paulo

http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,cni-mapeia-desafios-para-pais-crescer-de-forma-sustentada,70002214349

O Globo

https://oglobo.globo.com/economia/cni-divulga-agenda-para-presidenciaveis-com-foco-em-reformas-22456783

Correio Braziliense

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2018/03/05/internas_economia,663918/cni-lanca-mapa-de-estrategia-para-economia-brasileira-crescer-ate-2022.shtml

 

Tribuna do Norte

Propostas são amargas e também indispensáveis, considera Claudio Porto

Para o economista e diretor da Macroplan Consultoria, Claudio Porto, as medidas propostas pelo governo do Estado no pacote do ajuste fiscal são indispensáveis e urgentes para evitar que o Estado afunde mais na crise e se transforme definitivamente em um” novo Rio de Janeiro”. “Só lamento que estas medidas de ajuste tenham vindo tão taridamente”, observa Porto. O Rio Grande do Norte está, analisa ele, em situação de emergência fiscal, financeira e operacional. Desde 2014, quando foi lançado o Mais RN já destacava que este ajuste é essencial para que o Estado retome o caminho do crescimento.

Além de vários documentos do Mais RN, ele lembra que especialistas e lideranças potiguares ressaltaram , desde 2014, a urgência de se buscar o equilíbiro fiscal do Estado. ” Não foi por omissão, por falta de aviso ou de propostas concretas por parte do empresariado, sob a liderança do presidente da Fiern, Amaro Sales, que o governo do Estado demorou tanto a agir”, avalia Claudio Porto.

Um dos pilares do Mais RN está na consolidação de um Estado eficiente e com instituições de qualidade. A agenda do documento é muito clara e enfática a respeito. Além de um amplo pacto pelo desenvolvimento do Rio Grande do Norte o plano propõe 18 metas indicativas e estratégias para a consolidação de um Estado eficiente e qualificação das insituições. Dessas, as oito primeiras referem-se ao ajuste fiscal e à melhoria da gestão pública no Estado.

O pacote é composto por 18 projetos que serão votados pela ALRN esta semana. O governo alega que precisa de uma redução de R$90 milhões na folha de pagamentos para ficar abaixo do limite da LRF. A folha bruta hoje é de R$455 milhões.

As propostas que tratam sobre o funcionalismo público são, na avaliação de Claudio Porto, “amargas e também indispensáveis” e sua aprovação dará um alívio na pressão sobre o caixa do Tesouro Estadual. “Sei que isso implica em certa perda para o os funcionários públicos, mas é vantajoso para eles: é trocar uma perda maior ( não receber salários ou, quando receber, só com grandes atrasos) por perder “algumas vantagens” ( que podem virar miragens com a falência do Estado)”, observa. O Estado do espírito Santo é um exemplo dde como essa política de pessoal funciona bem por lá.

Investimento e gasto público

Há cerca de uma década o governo do estado vive com as contas no limite prudencial e – apesar do crescimento na arrecadação tributária – destina um percentual ínfimo para investimento. Para aumentar esta capacidade de investimentos públicos, condição essencial é reduzir o custeio da máquina pública, em caráter estrutural. Neste sentido, além de alcançar e manter o  equilíbrio fiscal e financeiro do Estado, é fundamental melhorar a qualidade e a produtividade do gasto público potiguar.

Segundo Porto, há muito espaço para realizar economias.. Três breves exemplos: no ensino médio, o custo do aluno na rede pública potiguar subiu 90% entre 2009 e 2017, mas a nota do IDEB permanece estaganada em 2,8. “Ou seja, o custo quase que dobrou mas o desempenho não melhorou  nada”, observa.

Em 2016 , a despesa empenhada pelo Poder Legislativo, dividida pela população, foi de R$104,09, que foi 36% maior do que a média do Nordeste. E, por último, o Poder Judiciário do Rio Grande do Norte foi o mas caro per capta: custou R$223,38 a cada cidadão potiguar, enquanto cada cearense pagou pela Justiça de seu Estado uma média de R$117,00.

Um poder estadual pobre e falido como o do Rio Grande do Norte não pode mais sustentar custos tão elevados. Reduzir o custeio para investir no desenvolvimento e melhoria de vida dos potiguares não é so uma questão de eficiência econômica mas a essa altura é também um imperativo de equidade e justiça social”, enfatiza o economista Claudio Porto.

Repasse aos demais poderes

O plano de desenvolvimento estratégico para o RN 2015-2035, Mais RN, propõe um amplo pacto pelo desenvolvimento econômico e social do Estado. Para construir uma economia competitiva, diz o texto, “os poderes públicos Estaduais e Municipais e as principais lideranças e atores políticos, empresariais e da sociedade do RN precisarão realizar um grande esforço coordenado visando também um ambiente favorável ao ajustes fiscal, à melhoria da gestão, à redução de pressões corporativistas sobre os recursos públicos, à captação e alavancagem de recursos externos, à concretização de investimentos públicos e promoção dos privados”.

Para Claudio Porto é preciso construir uma solidariedade institucional e financeira entre todos os poderes e também com os agentes privados e o funcionalismo público. Caso contrário, adverte ele, o “Rio Grande do Norte não sai do buraco”>

Previdência

O Mais RN já sugeria, em 2014, uma estratégia específica para a Previdência Estadual – “Previdência, Preparação ativa para negociação ativa entre Estados e União ” – com base na constatação de que havia “crescente deterioração da Previdência estadual, sem possível solução em 20 anos pelo regime próprio da Previdência Social, criado em 2005.

As medidas agora propostas ( pelo governo do RN) são amargas mas indispensáveis e sua aprovação dará um alívio sobtre a pressão sobre o caixa do tesouro Estadual. Mas não são suficientes nem para o RN, nem para qualquer outro Estado da Federação”, pondera o economista, para quem é preciso equacionar o financiamento da transição do custo do regime previdenciário atual para o futuro. A interveniência do governo Federal neste campo não só é necessária, segundo ele, mas decisiva.

O Mais RN já havia diagnosticad, em 2014, ao recomendar : “consolidar informações robustas sobre o regime próprio da Previdência Social no Rio Grande do Norte, elaborar e viabilizar plano para promover seu equilíbiro atuarial”, para negociar com o governo Federal.

Venda de ativos e ações da Potigás

Sobre a venda de ativos e ações, o economista e diretor da Macroplan, Claudio Porto, porntua que o saldo líquido ( potencial) de vantagens é muito grande. “Manter um ativo econômico sem explorar direito, nem ter capacidade de investir é contratar prejuízo para o Estado e para os clientes e cidadãos”, afirma. esses ativos, nas mãos de empresas privadas vão gerar e distribuir muito mais riqueza”, acrescenta.

Além disso, explica Porto, “vão ficar livres de “uma praga” quase generalizada no setor público brasileiro: a ocupação política dessas empresas e instituições públicas. “Só vejo dois riscos. O primeiro, o de vender “na bacia das almas”, a preço vil, se houver grande pressa. Outro risco é o governo “torrar” o que foi arrecadado com novos custeios, pontua o economista

 

Época Negócios

Veja as melhores (e as piores) 100 grandes cidades do Brasil

Veja as melhores (e as piores) 100 grandes cidades do Brasil

Na lista, praticamente metade das cidades mais populosas estão na região Sudeste.

Maringá, no Paraná, é a melhor cidade grande do país, de acordo com estudo realizado pela consultoria Macroplan. A cidade subiu no ranking, assim como os outros cinco municípios que aparecem na sequência: Piracicaba, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Franca e Campinas. Do ranking das dez primeiras, oito estão no estado de São Paulo. Apenas Maringá e Curitiba quebram essa hegemonia.

O estudo aponta que as cem cidades mais populosas do país representam 39% da população brasileira. Elas também são responsáveis por 50% do PIB e 54% dos empregos formais (que tem carteira assinada). No ranking total, a região Sudeste aparece com destaque: são 49 municípios, ou seja, praticamente a metade das cidades analisadas.

Para o levantamento, a consultoria analisou municípios com mais de 266 mil habitantes em 16 indicadores, divididos em quatro áreas: saúde, educação e cultura, segurança e saneamento e sustentabilidade. Esses indicadores receberam diferentes pesos: 35,3% para educação e cultura; 35,3% para saúde; 20,6% para infraestrutura e sustentabilidade e 8,8% para segurança. Com isso, o ranking foi formado por um índice que vai de 0 a 1, em que quanto mais próximo de 1, melhor é a condição de vida nessa cidade.

Separando por categorias, no ranking de educação, Piracicaba, São José do Rio Preto (ambas em SP) e Vitória (ES) obtiveram a melhor pontuação. No ranking de saúde, os três primeiros lugares ficaram com Montes Claros (MG), Curitiba (PR) e Palmas (TO). Em saneamento e sustentabilidade, Santos (SP), Maringá e Franca (SP) se destacaram. E em segurança, as primeiras posições foram para Taboão da Serra, São Bernardo do Campo e Mauá, todos municípios do estado de São Paulo.

Veja abaixo a lista completa das 100 maiores cidades:

 

Época

Dinheiro do petróleo chega a mais municípios. Eles saberão usar ?

AA produção no pré-sal aumenta a verba de petróleo para prefeituras. Mas, por onde passou, esse dinheiro deixou mais contas a pagar do que desenvolvimento

Na escola municipal Guaratiba, num bairro à beira-mar de Maricá, região metropolitana do Rio de Janeiro, pequenos estudantes chegam aos grupos, entre 7 horas e 8 horas da manhã. Vestidas com o uniforme azul-turquesa onde se lê ‘Maricá’ bordado na gola, as crianças entram e rumam para as primeiras atividades do dia. Vê-se que elas perderam boa parte do espaço do pátio para uma estrutura em módulos, improvisada, dentro da qual ocorrem aulas e outras atividades. São contêineres, usados também em outras escolas. A prefeitura recorre a eles há pelo menos três anos para acomodar o crescimento no número de alunos na rede, de 80% desde 2010. O improviso nas instalações não é o único problema. A rede municipal não atingiu as metas do Ministério da Educação para o estado no Índice de Desempenho da Educação Básica para o ensino fundamental. “Temos alunos no 7º ano que não sabem dividir”, diz uma profissional da rede, que pede anonimato. “As escolas estão inchadas. O governo quer aumentar as matrículas e ampliar o turno integral, mas não constrói escolas. As crianças têm de se revezar entre as aulas e atividades no pátio por falta de espaço.” Na lógica tradicional da política pública brasileira, tais falhas seriam atribuídas à falta de verba. Não é o caso. A receita de Maricá deverá encerrar o ano 60% maior que a de 2016, o oposto da maioria das prefeituras brasileiras, sufocadas pela queda na arrecadação causada pela crise. O município se tornou, neste ano, o principal recebedor de receitas pela exploração de petróleo. Nos últimos 12 meses, R$ 726 milhões irrigaram os cofres da prefeitura.Entram nessa conta dois tipos de verba: royalties e participações especiais (PE). Os royalties compensam municípios com orla de frente para a área explorada – a ideia é pagá-los pela extração de recursos naturais e por danos à natureza, possíveis ou reais. Já as PE servem para distribuir o lucro de campos ultraprodutivos, como Lula e Sapinhoá, alinhados com Maricá. Por causa dos trabalhos 200 quilômetros mar adentro, os dois tipos de recursos fluem para a cidade. Representam uma dinheirama para um município de 153 mil habitantes. Esse dinheiro novo deveria ser gasto de forma a construir benefício duradouro e aumentar o dinamismo econômico futuro da área – uma ponderação crucial, já que o petróleo é um recurso finito. Podem entrar numa lista ideal de investimentos projetos em muitas áreas, como educação, treinamento profissional, proteção ambiental, infraestrutura e atração de turistas (Maricá tem orla bonita e seis lagoas exuberantes, mas não se destaca como destino nobre de turismo). O dinheiro do petróleo, porém, vem tomando outro rumo.

A prefeitura de Maricá afirma investir essa verba ‘com responsabilidade’, promete prestar contas mais detalhadas até o fim do ano e divulgar ’em breve’ um plano de investimentos para os próximos três anos. Três anos de horizonte é pouco e, até o momento, as realizações do poder municipal não inspiram.

As filhas do pedreiro Francisco Sales Santos estudam na escola Guaratiba. Ele não menciona como problemas o uso dos contêineres nem o ensino local fraco. Diz-se satisfeito com a prefeitura, sob gestões petistas há nove anos, porque as ruas estão sendo asfaltadas e a renda da família recebe reforço de R$ 130, graças ao programa de moeda social Mumbuca. “Compramos coisas para as meninas”, diz. Cidadãos e prefeitura seguem um roteiro já conhecido – e perigoso – em áreas sob efeito do petróleo. O dinheiro novo, além de não acarretar o benefício duradouro esperado, pode criar fontes de gastos permanentes, como inchaço do quadro de funcionários públicos.

O asfaltamento de ruas vem ocorrendo mesmo – completaram-se 500 quilômetros. Mas não faz parte de nenhum plano de longo prazo. “Não há rede de esgoto em vários bairros. Vamos ter de quebrar o asfalto novo na hora de trazer as tubulações?”, questiona outro morador, o aposentado Valdir Pacheco, de 63 anos, que vive em Maricá há 35. Uma em cada três casas não tem saneamento adequado, e as lagoas recebem esgoto sem tratamento. O promotor de justiça Leonardo Cuña atua em cidades campeãs de royalties há uma década e reconhece um padrão vicioso. “Há insistência em mostrar serviço, com obras que chamam a atenção, como asfalto e embelezamento da rua. Quando o dinheiro entra fácil, perde-se no planejamento deficiente.” O programa de renda mínima com a moeda social Mumbuca foi ampliado neste ano de 13 mil para 16 mil famílias, ou 40% da população, mais que os 33% enquadrados pelo IBGE abaixo da linha de pobreza. O pagamento mensal foi reajustado de R$ 90 para R$ 130. Custa R$ 25 milhões por ano. “É importante distribuir renda, mas seria melhor investir mais em saúde e educação”, diz o comerciante Marco Antônio Bandeira, dono de uma mercearia que aceita a moeda social.

Diário do Nordeste

Gestão: Ceará sobe 4 posições em ranking

O Ceará subiu quatro posições no Ìndice dos Desafios da Gestão Estadual (IDGE) em 10 anos e passou a ocupar, em 2015, a 13ª melhor colocação no País e a 2ª do Nordeste.

Em relação a 2005 quatro Estados não variaram suas posições , enquanto onze tiveram variações positivas e doze negativas. Outros saltos expressivos foram Pernambuco ( melhorou onze posições) e Paraíba ( conco posições). Os dados estão no Enfoque Econômico (Nº 165) – Performance do Ceará no Índice da Gestão Estadual 2015, publicado pelo Ipece.

Segundo o Informe, o avanço do Ceará é reflexo de melhoria da qualidade da educação e da saúde . O IDGE é calculado pela Macroplan Prospectiva Estratégia & Gestão, tendo por objetivo subsidiar a análise da gestão dos Estados brasileiros.

G-1 DF

Mesmo com maior potencial produtivo do país, DF tem desemprego acima da média

Último levantamento do Índice dos Desafios da Gestão Estadual mostra que jovem possui melhores condições de ensino no DF. Por outro lado, mercado não está absorvendo mão de obra na mesma proporção, diz especialista.Distrito Federal é a unidade da federação com o maior Índice dos Desafios da Gestão Estadual (IDGE) no critério juventude. Isso significa que a capital federal tem a maior proporção de jovens com alta capacidade de produção e participação no mercado de trabalho, acesso à saúde e nível de escolaridade. No entanto, a taxa de desemprego em Brasília é superior à média nacional. A pesquisa usa dados de 2015.

No ranking nacional, o DF aparece em primeiro lugar, com índice de 0,933 – a taxa varia de 0 (a pior) a 1 (a máxima). A capital tem a segunda menor concentração do país de jovens com idade entre 15 e 29 anos que não estudam, trabalham ou procuram emprego. O percentual é de 10,4%, sendo a média nacional 14,3%.

O acesso ao ensino superior em Brasília também é o mais significativo do Brasil. Enquanto a média do país é de 15,2%, na capital o percentual é de 30,9%. No ranking geral – que reúne todos os níveis de ensino, do básico ao superior – o DF figura em segundo lugar, com índice de 0,917, depois de São Paulo.

O secretário da Criança, Aurélio Araújo, disse ao G1 que este cenário se explica por uma maior consciência dos jovens quanto à importância da educação aliada a programas do governo de incentivo e inclusão. “Existe o entendimento dos jovens em geral de que o estudo é capaz de transformar a própria vida.”

Segundo ele, até o final deste ano, cerca de mil estudantes que passaram pelo programa “Bora Vencer” devem ingressar nas instituições de ensino superior do DF – a Universidade de Brasília (UnB), o Instituto Federal de Brasília (IFB) e a Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs).

“A nossa rede de ensino, com todas as suas dificuldades, é ainda uma das melhores do país.”

Araújo também atribui o índice positivo à ampliação física da UnB, com a criação de campi nas regiões administrativas de Ceilândia, Gama e Planaltina. Também menciona a ampliação do acesso à universidade pelo sistema de cotas, para estudantes de escolas públicas e pessoas negras.

Ainda segundo o IDGE, no critério gravidez precoce – em mulheres de 15 a 29 anos – o DF também tem o menor índice do país (5,9%), seguido por Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais – a média nacional é de 12,2%.

Além disso, o DF é a terceira unidade federativa do país com a maior expectativa de vida, de 77,8 anos, atrás de Santa Catarina e Espírito Santo. A média nacional é de 75,5 anos.