O setor de energia está retomando o ciclo de expansão que foi interrompido pela crise mundial de 2009 e promete ser o principal motor do crescimento econômico do país nos próximos anos, concluiu um estudo de possíveis cenários da Macroplan focados no setor energético brasileiro para os próximos 20 anos. A consultoria analisou os impactos para o setor de energia no Brasil, em quatro cenários econômicos e destacou que em qualquer cenário haverá expansão de investimentos tanto em energia elétrica quanto em petróleo e gás. Segundo o estudo, o aumento da aversão ao risco decorrente da crise econômica estimulará o investimento em ativos reais. "O futuro do setor de energia brasileiro não é totalmente incerto. O Brasil está emergindo como uma das principais fronteiras de oportunidades em investimentos de baixo risco: infraestrutura, energia, habitação e saneamento. Qualquer que seja o cenário predominante nos próximos anos haverá expansão de investimentos em energia", antecipou o presidente da Macroplan, Claudio Porto. A obtenção do investment grade e a percepção positiva do posicionamento do Brasil ampliarão os investimentos externos diretos de longo prazo no País e tendem a reduzir o custo de captação de recursos, em comparação com outros países, revela o estudo. E com o ambiente mundial favorável à expansão da geração hidroelétrica, em função das baixas emissões de GEE e também à energia nuclear, as oportunidades de diversificação para outras fontes de geração de energia tornam-se ainda mais atraentes, especialmente os biocombustíveis. Haverá, assim, segundo o estudo da Macroplan, uma aceleração das inovações tecnológicas especialmente nos domínios da eficiência energética e da "energia limpa" . O estudo também prevê o fortalecimento dos instrumentos e das práticas de proteção ao meio ambiente e a consolidação do consumidor como ator social relevante. Em seus cenários a Macroplan aponta quatro tendências possíveis para o ano de 2030. No cenário 1 - Um salto para o primeiro mundo - a variação anual do PIB chega a 6,5%, e a taxa de investimento é de 26% do PIB. O investimento estrangeiro direto alcança 7,5% do fluxo mundial de capitais. Neste cenário a demanda de energia elétrica no Brasil é de 1.243,8 TWh. No cenário 2 - Mudança de patamar - a variação do PIB também é alta, e chega a 5%, enquanto a taxa de investimento é de 23% do PIB. O investimento estrangeiro direto alcança 6,5% do fluxo mundial de capitais. E a demanda de energia elétrica no país gira em torno de 1.044,3 TWh. No cenário 3, menos otimista, denominado pela consultoria como - Um emergente retardatário - a variação anual do PIB é de 4% e a taxa de investimento é de 18% do PIB. O investimento estrangeiro direto alcança 1,8% do fluxo mundial de capitais e a demanda de energia elétrica é igual a 941,2 TWh. No mais pessimista dos cenários - Crescimento inercial - a variação anual do PIB é de 3%, a taxa de investimento é de 16% do PIB e o investimento estrangeiro direto é de somente 1,5% do fluxo mundial de capitais. Neste cenário a demanda de energia elétrica é de 847,0 TWh.