No dia 9 de fevereiro,
Claudio Porto conduzirá a capacitação em Análise de Cenários no seminário "Cenários 2012 - A volatilidade do ambiente econômico e o impacto nas organizações", realizado pela revista HBR Brasil (
saiba mais). O presidente da
Macroplan, no entanto, antecipa suas expectativas para o país neste ano.
Porto acredita em continuidade na geração de empregos, pequena ampliação de investimentos públicos e crescimento da economia maior do que em 2011. O economista, no entanto, alerta para desafios de curto prazo que podem ser determinantes para o desenvolvimento do país nos próximos anos e sugere estratégias para superá-los.
1) O que podemos esperar do Brasil em 2012?
Se o cenário externo se mantiver estável, ou seja, sem agravamento da crise financeira, será um ano melhor do que 2011. Neste cenário, a taxa de crescimento do país deve ficar um pouco acima de 3% e continuaremos a gerar empregos. A ampliação de investimentos públicos, que é comum em anos eleitorais, deve ocorrer também em função do prazo para Copa do Mundo e Olimpíadas. O maior benefício desses investimentos deve ser em áreas urbanas, especialmente das cidades que receberão os eventos. Também esperamos uma ampliação do programa "Minha Casa, Minha Vida", que oferece espaço para participação do setor privado e atende uma grande demanda da população. O aumento do salário mínimo deve fazer crescer o salário médio do brasileiro, mas sem grande impacto na inflação por conta do cenário externo semirecessivo que facilita importações a menor custo e equilibra os preços no mercado interno.
2) A facilidade de importações pode afetar de alguma forma a indústria nacional?
O setor industrial do Brasil tem problemas estruturais de competitividade e não pode querer se refugiar no protecionismo, porque isso nos levaria de volta ao passado. Nossa indústria precisa passar por um novo ajuste competitivo. As empresas precisam ampliar a eficiência produtiva e a capacidade de inovação. Mas é preciso urgentemente aumentar nossa competitividade sistêmica. O papel do governo é reduzir a burocracia do ambiente de negócios, superar gargalos de infraestrutura e ampliar a oferta de educação profissional. O setor de serviços também precisa ficar atento para ampliar sua competitividade, pois já começa a ser ameaçado por empresas internacionais que enxergam oportunidades no Brasil.
3) Quais seriam, então, os principais desafios ao crescimento competitivo e sustentável do Brasil?
Embora sejamos hoje a sexta maior economia do mundo, ainda temos baixa produtividade e grande distância dos níveis de qualidade de vida dos países de primeiro mundo. Isto por conta de três grandes gargalos: baixa qualificação do capital humano, o que nos remete a um grande desafio de acelerar a melhoria da educação e ampliar dramaticamente as oportunidades de educação profissional; insuficiência e má qualidade da infraestrutura física, especialmente nos sistemas de transportes e logística; e forte deficiência no nosso capital institucional, no qual se destaca a má qualidade da gestão pública tanto no executivo e legislativo como no judiciário, em todos os níveis. Infelizmente ainda somos um país imediatista, sem visão de longo prazo que desperdiça as melhores oportunidades.
4) O Brasil tem problemas crônicos em educação, saúde e segurança. Você vê o país um momento mais favorável para combatê-los?
Hoje, existem soluções tecnológicas, inovações sociais e de gestão que podem melhorar muito a entrega desses serviços. Por exemplo, governos que fazem parceria com redes privadas para ministrar cursos de inglês para alunos da rede pública; câmeras de vigilância conectadas à internet e acessadas por smartphones que podem agir na prevenção à violência; no campo da saúde, já existem experiências de centrais telefônicas com pediatras de plantão para orientar os pais e reduzir as demandas presenciais em postos de atendimento. As possibilidades são muitas e as engenharias financeiras modernas podem auxiliar na captação de recursos para a realização desses investimentos. A restrição para acelerar a melhoria dos serviços e da gestão pública no Brasil existe mais por conta de uma acomodação do governo e da sociedade do que por falta de recursos ou de meios. É preciso, principalmente, haver uma mudança de atitude de governantes, lideranças e dos cidadãos. Mais cobrança e mais ação.