Recuperação da economia expõe a falta de mão de obra qualificada

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13/05/2010 | Assessoria de Imprensa
A Macroplan revelou, esta semana, em seu monitoramento mensal dos cenários econômicos para o Brasil para período 2010-2030, que a escassez do trabalho qualificado no Brasil já se tornou um dos principais gargalos ao crescimento econômico ao lado da deficiência do ambiente de negócios e de infraestrutura. "A educação precisa ser colocada no centro da agenda estratégica de desenvolvimento do Brasil ao longo dos próximos 20 anos para que o País possa efetivamente dar um salto para o primeiro mundo", afirmou o presidente da Macroplan, Claudio Porto, em referência ao cenário mais otimista delineado pela consultoria para as próximas duas décadas. "Do contrário, por melhor que evolua o ambiente internacional e interno neste período, o País não passará de 'um emergente retardatário' " , alertou Porto, citando cenário oposto da consultoria. O estudo da Macroplan pressupõe quatro cenários para o ambiente econômico nacional. No primeiro (Salto para o Primeiro Mundo) - o mais otimista -, o Brasil mantém elevada taxa de expansão média do PIB (entre 4% e 6% ao ano nas próximas duas décadas). No cenário 2 (Um Emergente Retardatário), o crescimento econômico do país se estabiliza entre 3% e 4% ao ano até 2030. No cenário 3 (Mudança de Patamar: bem perto do 1º mundo), após registrar taxa média de variação do PIB moderada entre 2010 e 2020 (entre 2,5% e 4% ao ano), o Brasil consolidaria um crescimento após 2020 acima de 5% ao ano. E no cenário 4 (Crescimento Inercial: a "baleia" volta a encalhar), com a persistência dos gargalos econômicos, o crescimento brasileiro até 2030 voltaria a cair, situando-se entre 1% e 3% anuais. Segundo o relatório de monitoramento dos cenários da Macroplan, o Brasil está entre as economias emergentes (ao lado da China e da Índia ) que registram forte recuperação da crise econômica mundial. O Brasil cresce a uma taxa anualizada próxima a 7% e, para o ano, a Macroplan projeta um crescimento econômico entre 5% e 6%. Contudo, esta expansão, na visão dos dirigentes da consultoria, pode ser severamente ameaçada pela escassez de trabalhadores qualificados. As áreas de maior escassez, segundo o relatório, são a construção civil (com falta de 71 mil trabalhadores, entre engenheiros, técnicos e operadores de máquinas), o comércio, (escassez de 204 mil pessoas qualificadas somente nas regiões Sul e Sudeste), e tecnologia da informação, (carência de 100 mil profissionais /podendo chegar a 200 mil em 2013). No atual cenário, o Brasil revela, de um lado, um grande contingente de desempregados com deficiências em sua formação do ponto de vista educacional e profissional, e, de outro, uma sobra de postos de trabalho para profissionais qualificados. Cerca de 6 milhões de trabalhadores de baixa qualificação não conseguirão um lugar no mercado de trabalho em 2010, alerta a consultoria. "O quadro é crescentemente grave na medida em que, em todos os setores da economia, a tendência de incorporação de novas tecnologias aos processos produtivos exigirá trabalhadores cada vez mais treinados e qualificados para o seu manuseio. Essas evidências ilustram o enorme desafio que o Brasil tem pela frente na área educacional", ressaltou Porto. Em seu novo monitoramento dos cenários, a Macroplan destaca que, durante o período de explosão demográfica no século XX, o País não deu prioridade à educação e, atualmente, possui uma defasagem de cinco a sete anos na escolaridade de sua população adulta em relação às nações mais ricas e desenvolvidas. Os brasileiros têm hoje uma escolaridade média de sete anos, enquanto nos países desenvolvidos, a população tem uma escolaridade entre 12 e 14 anos. Além disso, o acesso ao Ensino Superior nos países desenvolvidos é três vezes maior do que no Brasil. "Melhorias incrementais na educação não serão suficientes para alterar este cenário. Não basta melhorar. Será preciso melhorar mais rápido. Mantida a tendência dos últimos 20 anos, o Brasil não alcançará, antes de 2040, os níveis de escolaridade que as nações da OCDE possuem atualmente", alertou o presidente da Macroplan.