Gestão municipal frente à crises

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30/06/2010 | Assessoria de Imprensa
As fortes chuvas que caíram em parte do Nordeste recentemente produziram cenas em Alagoas e Pernambuco semelhantes às assistidas nas capitais e em cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais e em Santa Catarina: infraestrutura em frangalhos e muito trabalho de reconstrução, além de danos econômicos, humanos e ambientais. Todas essas catástrofes devem, segundo o diretor da Macroplan, Glaucio Neves, ser abordadas pelo ângulo do planejamento e da gestão. A falta de ações preventivas e proativas por parte dos governos são apontadas por ele como os principais motivos para o agravamento dos momentos de anormalidade provocados por desastres naturais ou epidemias.


Leia a seguir a entrevista com o diretor:

1- Falta planejamento por parte dos governantes para agir preventivamente e evitar catástrofes que se repetem há décadas nas cidades brasileiras?

Glaucio Neves - Realmente, faltam planejamento e atuação preventiva para evitar as grandes catástrofes causadas pelas chuvas e crises decorrentes de grandes epidemias, como a dengue. Identificamos como parte da dificuldade a falta de conhecimento dos governantes municipais em relação aos métodos de gestão disponíveis e já utilizados em grandes metrópoles no mundo. E mais. As grandes adversidades climáticas que ocorreram recentemente no Rio e agora no Nordeste do País são uma luz amarela que se acende para os gestores das cidades. Precisamos ter em mente que , com a mudança climática, isso tende a se agravar no Brasil. As cidades brasileiras devem estar cada vez mais preparadas para enfrentar situações de risco.

2 - Não dá mais para gerir as cidades como antigamente? É isso?

Glaucio Neves - Exato. Não podemos mais gerir as cidades como antigamente. É preciso ter planejamento de longo prazo e projetos que sejam estruturadores no campo da mobilidade urbana, habitação e outras áreas. E os projetos tem que ser gerenciados e monitorados em tempo real. Em relação aos riscos das chuvas, a ação imediata é retirar as pessoas das áreas consideradas de alto risco ambiental, como encostas de morros, beira de rios, várzeas e outros tipos de áreas onde não deveriam existir residências.

3 - No que consistem as técnicas para a identificação de ameaças e mitigação de riscos?

Glaucio Neves - Em primeiro lugar é preciso ter indicadores com monitoramento sistemático e equipe preparada para identificar e análisar as informações e tomar decisões rápidas. Em relação aos riscos trazidos pelas chuvas, existem tecnologias disponíveis, como sensores de subida brusca de rios, alarmes e o monitoramento via satélite. Outra medida importante é ter prontos planos de evacuação da população. Tem a questão do planejamento e da prevenção, mas também da atuação durante a crise. No momento da crise, há vários aspectos que merecem atenção, além das medidas reativas que buscam a estabilização do quadro de anormalidade, como a questão da comunicação, por exemplo. É preciso pensar no que deve ser divulgado para orientar a população, principalmente para evitar as doenças pós-chuvas. A cidade precisa de um plano de emergência para atuação rápida e coordenada nos momentos de crise.

4 - Os desafios da gestão pública estão relacionados à falta de recursos para aplicabilidade. Como pode agir preventivamente o administrador de uma cidade cujos recursos para este fim são escassos ?

Glaucio Neves - Quanto mais escassos forem os recursos maior se torna a importância de um planejamento estratégico. O grande desafio é fazer mais com menos. Para isso, é preciso fazer escolhas, ter projetos, ajustar o orçamento e aumentar a eficiência da máquina, além de mobilizar novos recursos extra-orçamentários. Encontramos hoje em algumas cidades bons exemplos, como em Belo Horizonte, que está finalizando o Plano Estratégico para a cidade para os próximos 20 anos. Além de uma estrutura para monitoramento dos projetos estratégicos e prioritários, está sendo criada uma "sala de situação" que reúne uma equipe dedicada e onde se concentram as informações em tempo real sobre os serviços da cidade. A falta de recursos é uma restrição, mas não pode ser motivo de paralisia, é possível inovar e achar formas alternativas e criativas para implementar as mudanças.