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| Sérgio Besserman |
O mundo passa por um momento de grande transformação climática, que impactará fortemente o ambiente de negócios. É esta a expectativa do ambientalista Sérgio Besserman. Ele acredita que a economia do planeta está em transição para um modelo de baixo carbono e que este cenário provocará mudanças significativas para as empresas.
"As alterações no clima e a emissão de gases de efeito estufa provocarão uma acelerada transformação tecnológica, nos próximos 20 anos. Isso afetará preços e padrões de consumo", afirma Besserman, que realizou uma palestra para a equipe de consultores da Macroplan.
Apesar das previsões, o especialista ressalta que o momento atual é de muitas incertezas, especialmente em função da indecisão das lideranças mundiais com relação à questão do aquecimento global. Besserman afirma que a mudança climática é o problema mais grave que o planeta enfrenta, porque é a principal causa de muitos outros. "Existe uma deficiência de governança global que seja capaz de tomar uma decisão em relação a esta questão. Isso só deve acontecer quando as mudanças começarem a afetar os preços das coisas. O que não sabemos é quanto tempo isso vai levar", analisa ele.
Segundo o ambientalista, para maximizar chances de sobrevivência neste ambiente, as empresas devem seguir três diretrizes. A primeira é conscientizar-se de que o problema existe e que vai impactar os seus negócios, independentemente do setor de atuação. Depois, é importante coletar informações para acompanhar os movimentos de transformação. Por fim, é necessária uma capacidade analítica para identificar e aproveitar oportunidades.
Brasil pode se beneficiar
O ambiente que é incerto para as empresas pode ser um momento de grande projeção para o Brasil. Sérgio Besserman acredita que alguns fatores contribuem para que o país torne-se uma potência ambiental. "Pela primeira vez, temos a chance de descobrir uma forma de desenvolvimento sustentável. Nossa matriz energética é mais limpa, por conta da hidroeletricidade, e podemos ainda transformar a infraestrutura num modelo limpo, que vai retornar em investimentos", afirma.
No entanto, o país deve superar alguns desafios para consolidar essa posição. Besserman aponta, por exemplo, a atuação do Estado em questões mais estratégicas, como as fontes renováveis de energia. Já para as cidades, o especialista afirma que é necessário um planejamento de longo prazo que contemple a questão ambiental. "Até 2020, todas as capitais brasileiras precisariam ter um plano de adaptação às mudanças climáticas", projeta.