Especialistas analisam o mercado e mostram quais as oportunidades promissoras para esse ano

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01/02/2012 | Gestão & Negócios
O mercado de bens de consumo está expandindo menos por conta da desaceleração econômica no mundo e no Brasil. No entanto, de 2003 a 2010,32 milhões de pessoas foram incorporadas ao mercado consumidor
Um ano novo se inicia e, com ele, ainda várias incógnitas decorrentes de aspectos vividos em 2011. Afinal, o que o mundo dos negócios pode esperar de 2012? Qual é a previsão geral da economia para o ano que está começando? Onde investir? E a crise financeira, chegará por aqui? E, se chegar, de que forma poderá nos afetar? Que cuidados tomar com o mercado em 2012? Será um bom momento para investir na abertura de novas empresas? Quais os mercados mais promissores e os que despontaram no ano anterior? E sobre o capital humano? Será que teremos líderes e mão de obra qualificada em 2012? Quais as tendências para os gestores e profissionais de RH? Qual deve ser o futuro da comunicação nas organizações? As empresas deverão continuar inovando e implantando ações de sustentabilidade? Acompanhe a reportagem e veja o que disseram os especialistas sobre os assuntos em questão. Feliz ano novo e bons negócios!

Um panorama de 2011 no aspecto econômico no Brasil e no mundo

De acordo com o economista e consultor da empresa Sundfeld & Associados, João Sundfeld, até novembro de 2011, o panorama econômico em todo o mundo repercutiu a crise de 2008 e 2009, agravada por problemas surgidos na Grécia, Espanha e Itália. "Houve piora das expectativas, principalmente nos países da zona do euro, com aumento da inflação e possibilidade de calote da Grécia. As perdas dos bancos credores deverão ser cobertas por um Fundo Europeu, com emissão de moeda. A previsão é de aumento das taxas inflacionárias em toda Europa", avalia.

Para o Brasil, ainda segundo o economista, o ano de 2011 serviu de espelho e enfrentamos as consequências, antecipadas, de uma nova crise a partir dos acontecimentos na Europa. Todavia, a economia brasileira já está mais preparada para lutar contra novas investidas. "Tivemos o aumento dos índices nflacionários, mas a partir do Plano Real, o País está mais forte de maneira geral e preparado para oscilações da economia. O Banco Central prevê grande impacto no mundo, mas está armado para menores efeitos no Brasil. Em 2011, até setembro, tivemos crescimento industrial de 1,6 % e as receitas de exportações deverão superar US$ 260 bilhões em um momento de forte concorrência de produtos importados da China", analisa.

Para ele, o cenário de 2011 sugere a adoção de políticas que previnam afobações de pessimismo exagerado ou otimismo imponderado. "Em minha opinião, temos todas as condições para aproveitarmos os indicadores econômicos que nos são favoráveis. A imensa e diversa potencialidade de nosso território, o clima tropical que propicia o desenvolvimento da agricultura, utilizando recursos técnicos não disponíveis em outros países, e os indicadores econômicos favoráveis, mostram que as perspectivas para 2012 são adequadas para fazermos um bom Planejamento Estratégico Nacional", estima.

Previsão da economia brasileira em 2012

Quando pedimos para nos dar uma previsão de como será a economia brasileira em 2012, João Sundfeld foi enfático:"Todas as previsões poderão falhar, mas acreditamos que temos todas as condições para termos um ano novo favorável ao Brasil", e continuou: "As commodities deverão recuperar os preços de mercado, tanto nos produtos agrícolas quanto na mineração. Dentre os países com reserva internacionais importantes, o Brasil figura com 7% do total, considerando que a China tem 60% e o Japão 21%. Estamos adiante da Rússia (4,6%), da Europa na zona do euro (4%) e da Índia (3%).Considerando que China e Japão (81%) estão totalmente dependentes de que os Estados Unidos cumpram seus compromissos, cremos que nossa posição é invejável. Nossa taxa de desemprego médio é de 7%, enquanto que há países como a Espanha em que o desemprego já ultrapassa os 20%. Portanto, as previsões são de bom  desempenho". Mas ele ainda diz que há, contudo, algumas preocupações não desprezíveis nos setores governamentais, pois os três poderes têm demonstrado muitas fragilidades, especialmente no Executivo, com a queda de cinco ministros em dez meses do Governo Dilma. "Há também estimativas para os aspectos de consumo e sustentabilidade. O aumento do consumo já experimentado nos permite antever pequena queda no ritmo, mas manutenção da curva crescente. Quanto à sustentabilidade como um todo, a nosso ver, ainda dependemos de fortes investimentos em educação, para que a maioria dos brasileiros fique consciente da necessidade de refletir antes de agir. Assim sendo, nos próximos 20 anos, poderemos crescer mais e mais, igualando nosso nível de vida ao de países mais antigos, porém sem as reservas imensas de que o Brasil dispõe. A má distribuição da riqueza somente será diminuída com mais educação e crescimento econômico", salienta.

Como planejar sua empresa para 2012

Início de ano - o momento é para análises sobre quais foram os passos errados dados pela sua empresa em 2011 e o que não pode se repetir em 2012. O primeiro passo, segundo Sundfeld, é avaliar as vendas mensais previstas e as realizadas. "Pontuar porque as vendas estipuladas não se concretizaram já nos dá um panorama do que pode ter acontecido de errado ou que não tínhamos como prever, como a abertura de uma concorrente, ou o aumento no preço das commodities, por exemplo". É nesse momento, também, que se analisam os custos e as despesas pagas no ano, o que estava de acordo com o orçado para 2011, ou o que foi um gasto extra. "Nesse ponto, é possível mensurar outras possíveis falhas. Por que a empresa teve um gasto extra tão significativo?  As análises desses dados permitirão conhecer, em detalhes, todas as distorções ocorridas e que merecerão novas providências a serem adotadas para evitar que se repitam no ano de 2012".

Reorganizar a visão, a missão e os valores da empresa com foco no ano seguinte e nos próximos cinco anos dará ao gestor um panorama interno para que possa cumprir o próximo passo que, de acordo com Sundfeld, é analisar o atual e futuro ambientes de competição, os concorrentes, as variáveis importantes tanto externas quanto internas, verificando qual a capacitação existente em produtos, pessoal, tecnologia, produção e recursos financeiros disponíveis para enfrentar os desafios. "Ao fazer essa análise, a empresa consegue calcular a necessidade de investimento para se destacar no mercado entre seus concorrentes. E faz a projeção dos resultados previstos para os próximos anos, garantindo uma maior tranqüilidade para trabalhar e até mesmo para gerenciar os imprevistos", orienta.

Como gestor empresarial, João Sundfeld acrescenta que, quando uma empresa não souber como agir, o melhor a fazer é contratar profissionais que possam ajudá-la nas áreas de que mais precisam. Em geral, segundo ele, as maiores necessidades se apresentam em finanças, marketing, qualidade e produtividade, e recursos humanos. "As empresas precisam atentar para as mudanças constantes no mercado e adotar planejamentos estratégicos em suas atividades para prevenir surpresas. Existem várias técnicas para isso, conforme já citadas anteriormente e, uma delas, é se preguntar "What if?" - o que faremos se acontecer o pior?", dá a dica.

O mercado da Bolsa de Valores

Esse é o setor da economia em que mais dúvidas persistem, porque os investimentos em Bolsas de Valores dependem de diversos fatores, entre eles o longo prazo em que as ocorrências demonstram acertos e enganos nos investimentos,explica o economista. "Não assumir que não se pode investir com segurança e ter sempre ganhos favoráveis nas aplicações em Bolsas de Valores é uma ilusão desastrosa. O investidor consciente deverá estudar o mercado financeiro e nunca colocar todos os investimentos em uma mesma modalidade.O ideal é separar o todo em parcelas que serão aplicadas em fundos de rendafixa, fundos imobiliários, CDB's, letras do Tesouro Nacional e uma parcela aplicada em ações de empresas que apresentem bons resultados", sugere João Sundfeld.

Mercados mais e menos expressivos em 2011

Se traçarmos um panorama geral sobre os ramos e mercados que se mostraram mais e menos expressivos em 2011 aqui no Brasil, pode-se dizer que, em geral, o mercado foi fraco, comparado a 2010, que teve um crescimento artificial, principalmente fomentado pelas políticas governamentais do ano de eleição; explica vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças no Paraná - IBEF-PR e diretor de operações da Ibema - Cia Brasileira de Papel, Clecio Luiz Chiamulera.

Segundo ele, poucas atividades despontaram em 2011. "Não vejo grandes destaques, 2011 foi um ano de muita dificuldade, embora sem muita divulgação sobre o assunto. Mais uma vez houve privilégio para alguns segmentos como indústria automobilística e eletroeletrônicos, que têm mais poder de influência na esfera governamental. Foi muito forte a desindustrialização ocasionada pela baixa cotação do dólar, facilitando a importação de produtos fabricados no exterior e baixando a rentabilidade dos produtos exportados. O superávit da balança comercial é totalmente baseado na exportação de produtos sem valor agregado que gera poucos empregos internamente. Aliada a essas dificuldades, a crise mundial, principalmente nos Estados Unidos e Europa, também contribuiu para esta recessão", justifica.Chiamulera antecipa os ramos e mercados mais promissores para 2012. "Acho que a construção civil deve despontar em 2012 e a área de tecnologia também, haja vista os investimentos para a Copa do Mundo e a necessidade de melhorias de processos e competitividade. Esses setores podem elevar o número de empregos formais e movimentar a economia", acredita.

Diante desse cenário, a grande missão dos gestores está na busca permanente de organizar suas operações com a melhor eficiência tributária, implantando estratégias de redução desses custos, assegura o diretor da Pactum Consultoria Empresarial, Gilson Faust.

"Os tributos são os itens mais significativos na estrutura dos custos empresariais, sendo que qualquer medida de economia tributária pode se constituir em um importante diferencial competitivo, proporcionando oportunidade de conquista de mercado. Medidas como repensar as atividades, a estrutura societária, sistema de distribuição e logística e identificação de incentivos fiscais, são medidas que se impõem nas atividades do gestor moderno?, indica.

Faust alerta, ainda, que as empresas devem estar atentas se quiserem manter em ascensão o posicionamento em 2012. "Deve-se acompanhar diariamente a evolução dos movimentos de política econômica e tributária que serão tomadas pelos governos federal, estadual e municipal, como forma de enfrentar os desdobramentos da crise mundial que, de alguma forma, tendem a se refletir no ambiente econômico brasileiro. Geralmente, diante desses cenários de crises, os governos adotam medidas de aumento de carga tributária, restringem o crédito, aumentam os juros e olham atentamente o comportamento da inflação e do câmbio", enfatiza o diretor.

Tendências para 2012

De acordo com o presidente da Macroplan - empresa especializada em prospectiva, estratégias e gestão - , Claudio Porto, 2012 será, no Brasil, uma continuação do ano anterior, ou seja, na sua visão, o consumo das classes C e D continuará expandindo mais do que as outras classes, mas não tão intensamente como nos últimos cinco anos. "O mercado de bens de consumo está expandindo menos por conta da desaceleração econômica no mundo e no Brasil. No entanto, não podemos esquecer que, entre 2003 e 2010, 32 milhões de pessoas foram incorporadas ao mercado consumidor brasileiro; e nos próximos 12 anos, pelo menos, mais 10 milhões de brasileiros ascenderão à classe C", evidencia Porto.

Mas, em sua opinião, as tendências de mercado no que diz respeito à cliente, consumo, social, sustentável, econômico, tecnológico, entre outros, não haverá grandes  novidades. "De um modo geral, teremos um mercado 'morno' por conta da conjuntura de desaceleração da economia, que deve crescer em torno  de 3,5%. No entanto, nos segmentos de bens e serviços para as classes C e D, a expansão será mais expressiva. Outro setor que tende a crescer forte é o de educação profissional e ensino superior, pois ainda há fortes demandas represadas e o Brasil enfrenta uma espécie de 'apagão' de mão de obra qualificada.

Por outro lado, como as famílias já estão muito endividadas - estima-se em 43% da renda comprometida com prestações e juros -, seu consumo tende a ser mais seletivo", avalia.

Devido a essa instabilidade, ele recomenda que as empresas brasileiras planejem o ano de 2012 com mais cautela e seletividade, e, que trabalhem com dois cenários em mente: um de continuidade de 2011 e outro de deterioração das demandas e menor crescimento dos negócios.

"Melhorar sua eficiência operacional e revisar os planos de expansão, essa deve ser a postura das empresas, embora não se aplique a todos os setores. Há segmentos com bom potencial de expansão ainda. Empresas bem geridas conseguem se adaptar muito mais rapidamente às mudanças de mercado e, por isso, protegem melhor suas margens de lucro", avalia.

Ele conta, porém, que aspectos positivos que podem acontecer esse ano são os juros reais caírem, o que pode viabilizar vários projetos. Mas acredita que o cenário de 2012 pode ser problemático para empresas que atuam de forma improvisada e conduzem suas operações apenas com base na intuição dos seus proprietários, pois a concorrência aumentou bastante nos últimos anos.

"Além disso, a perda de dinamismo de alguns mercados pode implicar em ociosidade para muitas organizações. Um aspecto negativo que afeta a todos, é que o 'custo Brasil', por exemplo, é muito mais elevado do que em outros países. Temos a carga tributária mais alta entre os países em desenvolvimento, vivemos um apagão logístico, nossas empresas gastam quase o dobro em logística se comparadas com as americanas, e nossos serviços públicos em geral custam caro e  são de má qualidade", afirma.

Por isso, Claudio Porto garante que a experiência mostra que fazer planejamento estratégico com base em cenários é um investimento de alto retorno, pois prepara as empresas e suas equipes para navegar em ambientes econômicos diferentes, o que reduz as chances de elas serem pegas de surpresa.

O empreendedorismoem 2012

Em linhas gerais, o ano de 2011 foi muito bom para os empreendedores brasileiros, bem como para os investidores. Como o Brasil está em franco crescimento, uma parcela significativa dos investimentos está direcionada para o nosso País. Está é a visão do sócio-diretor da empresa Macro Auditoria e Consultoria, Marcelo Lico. Mas, segundo ele, estimar se 2012 continuará sendo um ano favorável ao empreendedorismo pode ser uma questão difícil de responder. "É muito complicado termos essa resposta dado o quadro econômico internacional, no qual a Europa e os Estados Unidos atravessam um momento preocupante.

Neste contexto, o Brasil ocupa um espaço relevante em razão da sua estabilidade econômica e política. Não obstante, alguns pontos preocupam para que o Brasil navegue de uma forma mais tranqüila nesse mar revolto - o nível de corrupção da administração pública e os elevados gastos da máquina do governo. Por outro lado, o Brasil deverá se transformar cada vez mais em um canteiro de obras, em função dos eventos como a Copa e as Olimpíadas. Portanto, considero que, se o empreendedor tiver um bom projeto e estiver preparado financeiramente para assumir riscos, 2012 será favorável para empreender", aposta.

Porém, os futuros empreendedores devem se preparar e se planejar para abrir suas empresas com muita cautela, em função desses aspectos. "Conhecer bem o mercado em que está entrando e o produto que pretende fornecer, são dois detalhes fundamentais aos quais os futuros empreendedores devem estar atentos antes de abrir suas empresas. É importante também ter uma projeção de resultados com cenários conservadores e mais arrojados, para não ter surpresas desagradáveis", aconselha.

Escassez de lideres  e mão de obra qualificada

A escassez de líderes e mão de obra qualificada são alguns dos perigos que chegarão ao mercado de trabalho nesse ano de 2012 e devem perdurar pelos próximos três anos. Foi o que apontou a pesquisa 'Sonhos e Pesadelos dos profissionais de RH', realizada com 379 pessoas pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Nacional), em parceria com a Empreenda e a SPHINX Brasil.De acordo com o estudo, 63,6% dos participantes acreditam que as empresas não têm líderes suficientes para suprir as necessidades dos próximos três anos -  fato que pode limitar o crescimento das empresas em um momento de expansão do País. "Existe uma consciência muito grande da importância dos líderes. Se, antigamente, esse título era apenas do diretor da empresa, hoje isso vai do diretor ao chefe de turno. É uma cadeia. No entanto, há pessoas que têm muita qualidade técnica, mas não têm qualidade para liderar", explica o diretor de pesquisa da ABRH-Nacional, Eugenio Mussak. Ainda de acordo com ele, atualmente, a falta de profissionais qualificados é o que mais preocupa as empresas em todo o mundo. No entanto, para as companhias que estão com os quadros de colaboradores preenchidos, é importante entender que a empresa é construída a partir de três pilares: capital, conhecimento e pessoas."Diferentemente dos outros recursos, as pessoas não podem ser controladas, mas devem ser lideradas", aponta Mussak. Outro problema detectado pela pesquisa é a retenção de talentos, haja vista que 83,6% dos pesquisados acham que será mais difícil reter talentos em 2012 e 31% não sabem o que fazer para retê-los.

"Os setores de RH deveriam pensar 'por que alguém teria vontade de trabalhar aqui?' e, com a resposta, seria fácil descobrir como reter esses talentos. Mas, basicamente, o profissional precisa de reconhecimento - também, monetário -  oportunidade de se desenvolver e ter orgulho da empresa em que trabalha", exemplifica o diretor da ABRH.

Sobre esse aspecto, o diretor geral da Business Partners Consulting, Luis Saverio, faz uma retrospectiva de como foi o ano de 2011. "Para alguns setores da economia e para algumas regiões do País em grande expansão, 2011 apresentou grandes desafios para empresas quanto à atração e retenção de líderes. Até então, a necessidade por líderes e talentos, de forma geral, tem sido suprida pelas movimentações entre as empresas e mercados que vivem diferentes situações quanto ao crescimento e desenvolvimento (atratividade). Esse suprimento, no entanto, não é sustentável e o maior reflexo disso, no curto prazo, tem sido o aumento expressivo no tempo de preenchimento de algumas posições dentro das empresas. A escassez de líderes já ocorre em maior escala e será ainda maior nos próximos anos, pois algumas empresas não avaliaram corretamente, do ponto de vista de Capital Humano - o impacto do crescimento da economia e de suas operações no País em sua força de trabalho. Essa preparação contemplaria programas de recrutamento e formação de jovens talentos, além da identificação, desenvolvimento e retenção dos atuais líderes da empresa. Vale ressaltar que as empresas mais preparadas para esse cenário começaram a agir há pelo menos cinco anos", destaca o diretor.

As interferências da escassez no mercado corporativo e nos resultados das empresas

Luis Saverio garante, ainda, que essa escassez pode interferir nos resultados das empresas, uma vez que, para implementação de qualquer estratégia, as organizações necessitam tanto de líderes que trabalhem na elaboração de estratégias quanto de líderes que garantam a execução do que foi planejado. "Assim, caso a empresa não tenha líderes suficientes em posições-chave, o processo de planejamento e de execução podem ser comprometidos. Além disso, a competição pelo recrutamento dos melhores profissionais também aumentará os custos operacionais e do processo de atração para empresas, seja pela contra tação de consultorias especializadas para o recrutamento e seleção, seja pelos maiores salários que estão sendo pagos", demonstra. Outra questão que, segundo ele, também impactará nos resultados das empresas é que o retorno sobre investimento (ROI) dos projetos de RH poderá ser menor. "Os investimentos demandados serão maiores e o tempo de permanência dos profissionais nas organizações diminuiu bastante nos últimos anos, tempo necessário para garantir que investimentos em recrutamento,  treinamento e desenvolvimento tenham o retorno esperado", atenta.

Sabendo disso, "as empresas devem desenvolver programas de atração de jovens talentos, visando o médio-prazo, de pelo menos três anos, e de novos talentos/líderes, além de atuar ativamente na retenção dos atuais líderes. A atração e contratação de novos líderes deve ser realizada, mesmo que não exista necessidade imediata a ser preenchida", recomenda Saverio.

Retenção de talentos

A dificuldade para retenção de talentos é resultado da forte competição por capital humano estabelecida entre as empresas, que têm aumentado salários, estabelecido programas de remuneração variável mais agressivos e benefícios mais atraentes. Por outro lado, algumas empresas não conseguirão reter seus talentos por não serem capazes de criar um ambiente de trabalho voltado ao desenvolvimento contínuo de carreira e novos desafios, esses também alinhados aos valores e objetivos dos profissionais,estima Luis Saverio. Na opinião dele, primeiramente, as empresas devem ter identificado todos os talentos, em todos os níveis, que deseja reter e desenvolver.

Após essa identificação, a empresa deve entender profundamente seus valores e objetivos profissionais, analisando, em seguida, se os objetivos da organização e seus valores atendem ao que esses profissionais almejam. "Caso exista um desalinhamento e a empresa não seja capaz de revertê-lo, a perda de profissionais é inevitável, considerando que outras empresas poderão atender a esses anseios de forma mais completa. Por outro lado, esse diagnóstico é fundamental para que a empresa possa atuar de forma pró ativa na busca por novos talentos em áreas de maior dificuldade de atração ou retenção e também no desenvolvimento de projetos de difusão de sua cultura e comunicação de seus valores", opina.

A perspectiva do apagão de mão de obra

Em primeira análise, o diretor geral da Business Partners Consulting, Luis Saverio, acredita que tal estimativa pode ser originada pelo crescimento das organizações, pelo respectivo aumento da necessidade por mais mão de obra e pelos baixíssimos investimentos, por parte do poder público, em educação de qualidade nas últimas décadas, reforçados, por sua vez, negativamente por dois fatores: a falta de investimento por parte das empresas em programas de contratação de jovens talentos e desenvolvimento de futuros líderes; e pelo desalinhamento, do ponto de vista de qualificação, entre o perfil dos profissionais que estão entrando no mercado de trabalho e o que as organizações irão demandar nos próximos anos. Diante desse cenário, "as empresas devem redesenhar processos de trabalho e funções, com o objetivo de obter sinergias e buscar maior eficiência e escala. Além disso, o outsourcing de algumas atividades também poderá se fazer  necessário", sugere. Ele enfatiza que tais tendências podem interferir negativamente nas empresas que não se prepararam para esse novo cenário e, positivamente, para aquelas que estão bem posicionadas para essa competição por talentos. "Esse preparo deve ter sido iniciado há pelo menos cinco anos", reforça e complementa: "Empresas de todos os portes serão afetadas. As maiores pela maior necessidade de mão de obra e as menores pela baixa capacidade de oferecer condições diferenciadas para competir pelos profissionais".

Tendências em recursos humanos e gestão de pessoas

De acordo com Saverio, o ano de 2012 será muito desafiador para os gestores, pois encontrarão desafios aparentemente antagônicos, tendo por um lado, a potencial crise econômica global e a desaceleração da economia local e, de outro, a necessidade crescente por mais mão de obra e a competição pelos melhores profissionais para suportar o crescimento de suas organizações. "Sem dúvida, como resultado dessa ambiguidade vivida pelos atuais líderes, teremos organizações e líderes muito mais preparados e consistentes para encarar os futuros desafios da gestão", estima o diretor da Business Partners Consulting.

Diante dessas perspectivas, ele aponta as tendências para os setores de recursos humanos e gestão de pessoas. "Para 2012, as principais tendências estão relacionadas a uma participação mais ativa da área de RH na elaboração da estratégia das organizações, assim como na sua implementação. Essa participação mais estratégica contemplará o outsourcing de algumas atividades de RH, como recrutamento e seleção, e o maior envolvimento do RH com as áreas de negócios da empresa. Outra tendência será a estruturação de programas de captação de jovens talentos e programas de desenvolvimento de líderes. Quanto à captação de profissionais experientes, uma forte tendência será a 'importação' de mão de obra, vinda de países da Europa e da América Latina", aposta e finaliza.



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