Como projetar o futuro do país

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27/10/2011 | Blog Luis Nassif Online - Agência Dinheiro Vivo
Há anos a Macroplan tem consolidado enorme competência no desenho de cenários para o país. Seu proprietário, Cláudio Porto, foi responsável pela implantação do pensamento estratégico em inúmeras organizações públicas e privadas em um período em que o país começava a sair da armadilha da hiperinflação.

Por seu lado, o economista Fábio Giambiagi é dos mais competentes especialistas nos números da economia - quando se dispõe a calcular e não a atuar como pregador.

Juntando a visão prospectiva de Claudio Porto e de Andrea Belfort, com o entendimento de modelos econométricos de Giambiagi, chegou-se a um estudo de cenários para 2022 a ser apresentado no início de novembro em seminário da revista The Economist.

De acordo com sua técnica, a Macroplan define um conjunto de fatores-chaves e, através da combinação deles, monta alguns cenários alternativos. Fica-se, assim, com um conjunto de possibilidades, que permite uma visão mais sofisticada sobre os rumos do país, ao contrário dos cenários com conclusão única e taxativa de alguns macroeconomistas.

Para o estudo foram montados quatro cenários, em cima de dez variáveis econômicas, entre as quais o contexto internacional, a inserção externa do Brasil, o crescimento econômico e a presença do Estado na economia.

Cenário 1 - "De Volta aos Anos 70". Nele, ocorrem ajustes na economia com forte presença do Estado, em vista de um cenário externo desfavorável e volta do protecionismo. Haverá prioridade para o mercado interno permitindo ao país uma trajetória de crescimento entre 3% a 4% ao ano.

Cenário 2 - "Capitalismo Chinês à Brasileira", no qual o país se aproveita das amplas possibilidades abertas pela economia global para alguns países emergentes. O cenário não prescinde de uma presença ampla do Estado na economia. Consegue-se um crescimento sustentado de 4% a 5% ao ano.

Cenário 3 -  "Um Choque Ortodoxo de Capitalismo". Considera-se pouco provável do ponto de vista político. O país faz fortes ajustes no seu modelo econômico, o Estado mantém uma posição discreta e seletiva, para garantir a inserção econômica global ampla. Nesse cenário, o país consegue trajetória de crescimento entre 4,5% e 5,5%. Esse cenário foi claramente influenciado pela posição ideológica de Giambiagi. Um "capitalismo chinês" no Brasil é improvável. Se fosse possível, o potencial de crescimento jamais seria inferior ao do tal "choque ortodoxo", que o bom senso de Porto classifica como "pouco provável. Neste cenário inverteu-se a lógica: Giambiagi traçou o cenário e Cláudio Porto fez as contas.

Cenário 4 -"Um Novo Recolhimento". Dificuldades internacionais crescentes pressionam o país, o Estado passa a ter uma presença moderada na economia e o país tem inserção econômica global limitada. O crescimento cai para algo entre 2% e 3% ao ano.

Na verdade, esses modelos não levam em consideração fatores dinâmicos na economia, eventos extraordinários - como o próprio pré-sal ou a mudança na dinâmica de desenvolvimento. Um câmbio competitivo, por exemplo, muda totalmente a dinâmica do crescimento.

Os cenários da Macroplan ajudam a identificar alguns fatores relevantes. Mas, com a complexidade crescente da economia brasileira, podem ter se tornado insuficientes para projetar o futuro.


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