Cidades médias do Brasil inovam para crescer

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18/01/2017 | Macroplan
Niterói (RJ)

Os prefeitos que assumirão o controle das cidades médias brasileiras terão pela frente um importante desafio: como manter-se na posição de polos de desenvolvimento do país em um cenário de crise? A resposta para essa questão está num caminho que o setor privado conhece muito bem: a inovação da gestão.

O trabalho para encarar esse desafio é intenso e demanda disciplina. É preciso entender as reais necessidades das cidades médias, desenvolver ações estratégicas que atendam a essas necessidades e encontrar novas formas de não apenas aumentar a capacidade de arrecadação da administração pública, mas também melhorar a gestão e a aplicação de recursos que já se encontrem disponíveis. Tudo isso com o objetivo de garantir um crescimento sustentável no longo prazo e resultados tangíveis em curto e médio prazos.

Conhecer a fundo os desafios da cidade permitiu que Niterói (RJ) adotasse um planejamento estratégico focado no desenvolvimento a longo prazo. Buscando insumos junto a população e ao setor privado na hora de delimitar seu pacote estratégico, a cidade criou um plano de ação, traduzido em uma carteira de projetos, focado em entregas que tragam efeitos positivos ao seu desenvolvimento. De 32 projetos estratégicos traçados em 2013, 31 foram entregues antes do fim da atual gestão.

"Por meio de um trabalho de diagnóstico detalhado e regionalizado, pudemos aumentar a precisão da ação gerencial e identificar os postos-chave a serem abordados  no momento de construção da carteira de projetos estratégicos", afirmou Glaucio Neves, diretor da Macroplan que apoiou o trabalho de planejamento estratégico em Niterói. "Assim, foi possível racionalizar o uso dos recursos disponíveis e estruturar uma carteira de projetos sólida, focada em ações estratégicas capazes de garantir um desenvolvimento sustentável no médio e longo prazo para a cidade."

Campina Grande (PB)

Para garantir a continuidade de investimentos num cenário de crise é preciso buscar formas mais eficientes de captar e gerir os recursos financeiros. Dessa forma, é preciso pensar em maneiras diferentes de mitigar a escassez de recursos. Melhorias na estrutura de gestão e monitoramento de resultados, junto com o aumento da capacidades de cobrança, renegociação de isenções e subsídios e a gestão de ativos reais são estratégias chaves nessa empreitada. A cidade de Contagem (MG), por exemplo, estruturou uma unidade especial voltada para o monitoramento de projetos e captação de recursos com a perspectiva de ampliar a capacidade da gestão municipal mesmo em um cenário de crise. A cidade criou um núcleo de monitoramento, uma célula de inteligência formada por quatro integrantes capacitados para acompanhar os projetos desenvolvidos na cidade, que serviu de apoio aos gerentes de projeto responsáveis pela coordenação dos investimentos prioritários.

Parcerias com o setor privado também se mostram fundamentais no atual cenário econômico. Tradicionalmente, isso se dá através de privatizações e concessões, mas a experiência mostra que é possível inovar até mesmo na relação entre empresas e governo. Projetos públicos desenvolvidos em parceria com o setor privado podem reunir o melhor que ambos têm a oferecer. Um exemplo de sucesso é o de Campina Grande (PB), que contou com a participação do empresariado local e de entidades de classe em todas as fases de criação seu novo projeto estratégico, desde a captação de recursos junto a empresários locais até a criação de um comitê de gestão multisetorial que acompanhou a sua elaboração.

O atual cenário de escassez levará a gestão das cidades médias a repensar o tamanho da administração pública e seu papel na sociedade. No entanto, esta é uma excelente oportunidade para aumentar a eficiência e a produtividade das gestões municipais, reduzir os desperdícios de recursos e reinventar a forma que a prestação de serviços é percebida no Brasil. Em tempos de crise, é fundamental conciliar a eficiência técnica com a política. 

"Não é possível fazer 'mais do mesmo' em um cenário de crise que não deve se alterar no curto prazo", afirmou o diretor da Macroplan Gustavo Morelli. "Fazer o que precisa ser feito, mas otimizando e priorizando a utilização de recursos sempre em sintonia com os desejos da sociedade. Precisamos fazer mais e, acima de tudo, precisamos fazer diferente".