Mobilidade exige soluções integradas

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23/07/2010 | Assessoria de Imprensa
Priorizar o transporte público, aumentando o número de vias expressas para ônibus e melhorando a qualidade do transporte coletivo. Essas políticas vêm sendo refletidas em Belo Horizonte, como resultado do Plano Estratégico da BHTRANS, empresa responsável pelo transporte urbano da capital mineira, uma das cinco cidades brasileiras com mais de um milhão de veículos circulando nas ruas. A consultora e gerente de projetos Betania Dumoulin que esteve à frente da elaboração do Plano Estratégico da BHTRANS fala nesta entrevista sobre soluções para o intrincado problema da mobilidade urbana que afeta todos os grandes centros do pais.


1)Transitar pela cidade é um desafio cada vez maior. Superlotação, excesso de carros... Sua experiência no planejamento da empresa de transporte e trânsito urbano em Belo Horizonte revela que é possível superar estes problemas?

Betânia Dumoulin - Não é algo simples, mas o governo municipal de Belo Horizonte acertou ao buscar no planejamento estratégico alternativas para este problema. A prefeitura em seu Plano Estratégico enfatizou o tema da mobilidade, com foco na integração das redes, no gerenciamento da demanda e no aumento da qualidade e diversidade dos serviços de transporte público. A BHTRANS, alinhada com as diretrizes estabelecidas para o futuro da cidade seguiu o mesmo caminho e decidiu se planejar para encarar de frente os problemas da mobilidade urbana em Belo Horizonte. Esse é o ponto de partida: orientar as ações para objetivos e resultados que estão pautadas por indicadores de desempenho e metas.

2) O que se destaca neste planejamento?

Betânia Dumoulin- O processo de planejamento na BHTRANS envolveu mais de uma centena de pessoas de várias áreas de conhecimento - diretores e gestores da empresa, especialistas em mobilidade urbana, jornalistas, usuários do transporte público e membros do Judiciário, Legislativo e do Executivo - que forneceram uma visão abrangente sobre o problema. Neste trabalho, a questão foi muito além do problema do deslocamento. Os projetos da Bhtrans estão sustentados em seis grandes objetivos: o desenvolvimento de transportes públicos mais atrativos, o foco na qualidade, a segurança no trânsito, a garantia de intervenções positivas para o meio-ambiente, a contribuição da mobilidade para a inclusão social e sua relevância para o ambiente de negócios.

3) Mas são programas emergenciais ou preventivos?

Betânia Dumoulin - São projetos transformadores. Do ponto de vista da gestão, a idéia foi colocar a BHTRANS em outro patamar de desempenho e transformá-la em uma empresa mais ágil e inovadora e de fato orientada para resultados. Com relação à mobilidade urbana, entre as mudanças mais significativas, se destaca a decisão de explicitar o direcionamento da empresa para as pessoas e não para os carros. A idéia do plano é contribuir para a melhoria da qualidade de vida em Belo Horizonte.

4) E como fazer isto acontecer na prática?

Betânia Dumoulin - A solução é a oferta de serviços de transporte coletivo de qualidade para aumentar a sua competitividade. Enfrentamos hoje um paradoxo que são os diversos incentivos para a compra do automóvel, e, ao mesmo tempo, o estímulo de políticas governamentais para o transporte coletivo. Mas promover a fluidez dos veículos privados não pode mais ser o objetivo das políticas nas cidades desenvolvidas. A ideia é dar mais espaço aos corredores exclusivos de ônibus, conhecidos pela sigla em inglês BRT (Bus Rappid Traffic). Esta é a saída que as cidades têm adotado no Brasil - por ser mais simples e mais barato. Contudo, as BRTs não resolvem sozinhas o problema. É preciso adotar também medidas que restrinjam o uso do carro particular. Também é necessário investir em um sistema de transporte inteligente que permita a melhoria do fluxo de circulação, com informação em tempo real sobre a situação do trânsito, painéis eletrônicos com horários e tempos de chegada e saída dos transportes coletivos e controle inteligente de semáforos. E, claro, não se pode fazer isso oferecendo como alternativa um transporte público de baixa qualidade. O investimento, no transporte coletivo é fundamental. Agora, a cidade estará enxugando gelo se o olhar estiver voltado apenas para o município. Nesta questão é preciso olhar também para o entorno e pensar em soluções integradas com as cidades vizinhas.

5) O que dificulta a integração?

Betânia Dumoulin - Hoje em dia a gestão da mobilidade é uma obrigação do município. Só que as empresas de transporte têm linhas municipais e intermunicipais. A integração dos modos e o bilhete único são um desafio, pois se lida com empresas e interesses diferentes. O planejamento exige uma comunicação entre governo do estado, municípios e empresas. Em Belo Horizonte esta visão pode ajudar a melhorar a mitigar os problemas enfrentados. A boa gestão da BHTRANS terá impactos diretos na vida do cidadão metropolitano.