André Urani foi um grande amigo e parceiro instigante da
Macroplan. Este "carioca" apaixonado pela cidade, sem contudo negar suas raízes e la
lallllallços com a Itália, foi, sem sombra de dúvida, um dos mais bem preparados e inovadores economistas do País. Doutor e mestre em Economia, foi um incansável pesquisador, tanto no Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), que ele fundou, quanto no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Publicou inúmeros artigos e organizou vários livros sobre mercado de trabalho, desigualdade, pobreza e políticas públicas.
André Urani negava radicalmente a ideia de que estaríamos presos ao atraso e ao subdesenvolvimento. Colocou muita gente para pensar. Identificava potencialidades e vocações econômicas, assim como bons ventos em várias esquinas do País. Foi nosso parceiro no desenvolvimento do Plano Estratégico para o Espírito Santo no horizonte de 2025, na Agenda de Melhorias de Minas Gerais para 2030, e em projetos desenvolvidos para o Sebrae. Em todos estes trabalhos compartilhamos com André Urani a convicção da necessidade de um olhar de longo prazo e de um plano estratégico construído em parceria com agentes públicos e a iniciativa privada que pudesse ultrapassar vários mandatos de governos.
Em parceria também realizamos a pesquisa
"O Rio tem Futuro?!", em 2006 e , novamente,
em 2010. Neste intervalo houve uma guinada positiva na percepção da população do Rio de Janeiro em relação ao seu futuro, um otimismo que André sempre se entusiasmava em narrar. Nunca é demais repetir que André Urani foi um dos que mais cedo e melhor percebeu as oportunidades que os eventos esportivos e a onda de investimentos em torno do petróleo estão trazendo para o Rio de Janeiro. No seu mais recente livro "Trilhas do Rio - do Reconhecimento da Queda à Reinvenção do Futuro", reforça sua visão sobre a volta por cima que o Rio irá concretizar. E também em outro
livro "2022: propostas para um Brasil Melhor no Ano do Bicentenário", organizado pela
Macroplan em parceria com Fábio Giambiagi, escreveu com
Glaucio Neves e Michel Gutnik o capítulo "Cidades brasileiras: integração dos esforços públicos e privados para a melhoria do ambiente urbano", que trata justamente do desafio de repensar as grandes metrópoles.
André Urani foi um exemplo de generosidade e capacidade de agregação. Era senhor de uma inteligência viva e criativa, afetos expansivos e que nunca se curvou às adversidades. Duelou dois anos contra um câncer que, por final, o venceu, mas não sem enfrentar sua intensa resistência. Merece nossa admiração, respeito e nos lega um bom exemplo e uma dolorosa saudade.
Veja mais fotos de André Urani no lançamento da pesquisa "O Rio Tem Futuro!?"