Rio de Janeiro e Macroplan perdem um grande parceiro

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14/12/2011 | Claudio Porto
Lançamento da pesquisa "O Rio tem Futuro ?!", em 2006
André Urani foi  um  grande amigo e parceiro instigante da Macroplan.  Este "carioca" apaixonado pela cidade, sem contudo  negar suas raízes e la lallllallços com a Itália, foi, sem sombra de dúvida, um dos mais bem preparados e inovadores  economistas do País.  Doutor e mestre em Economia, foi um incansável pesquisador, tanto no Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), que ele fundou, quanto no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).  Publicou inúmeros artigos e organizou vários livros sobre mercado de trabalho, desigualdade, pobreza e políticas públicas.

André Urani negava radicalmente a ideia de que estaríamos presos ao atraso e ao subdesenvolvimento. Colocou muita gente para pensar. Identificava potencialidades e vocações econômicas, assim como bons ventos em várias esquinas do País.  Foi nosso parceiro no desenvolvimento do  Plano Estratégico para o Espírito Santo no horizonte de 2025,  na Agenda de Melhorias de Minas Gerais para 2030, e  em projetos desenvolvidos para o Sebrae. Em todos estes trabalhos compartilhamos com André Urani  a convicção  da necessidade de um olhar de longo prazo e de um plano estratégico construído em parceria com agentes públicos e a  iniciativa privada que pudesse ultrapassar vários mandatos de governos.

Em parceria também realizamos a pesquisa  "O Rio tem Futuro?!", em 2006 e , novamente, em 2010.  Neste intervalo houve uma guinada positiva na percepção da população do Rio de Janeiro  em relação ao  seu futuro, um otimismo que André sempre se entusiasmava em narrar.  Nunca é demais repetir que André Urani foi um dos que mais cedo e  melhor percebeu as oportunidades que os eventos esportivos e  a onda de investimentos em torno do  petróleo estão trazendo para o Rio de Janeiro.   No  seu mais recente livro "Trilhas do Rio - do Reconhecimento da Queda à Reinvenção do Futuro",  reforça sua visão  sobre a volta por cima que o Rio irá concretizar. E também  em outro livro "2022: propostas para um Brasil Melhor no Ano do Bicentenário", organizado pela Macroplan em parceria com Fábio Giambiagi,  escreveu com Glaucio Neves e Michel Gutnik o capítulo "Cidades brasileiras: integração dos esforços públicos e privados para a melhoria do ambiente urbano", que trata  justamente do  desafio  de repensar as grandes metrópoles.

André Urani foi um exemplo de generosidade e capacidade de agregação. Era senhor de uma inteligência viva e criativa, afetos expansivos e que nunca se curvou às adversidades. Duelou dois anos contra um câncer que, por final, o venceu, mas não sem enfrentar sua intensa resistência. Merece nossa  admiração, respeito e nos lega um bom exemplo e uma dolorosa saudade.

Veja mais fotos de André Urani no lançamento da pesquisa "O Rio Tem Futuro!?"