Oportunidades de desenvolvimento para a Bacia de Santos

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08/12/2009 | Assessoria de Imprensa
Quando saírem do papel, os investimentos da Petrobras e de suas parceiras estrangeiras na exploração e na produção do pré-sal devem se propagar em ondas por muitos setores da economia. A exploração do pré-sal, contudo, só proporcionará um salto econômico às regiões produtoras e ao País se seguir uma gestão estratégica de desenvolvimento, com ampliação do capital social e institucional. A afirmação, do diretor presidente da Macroplan, Claudio Porto, está apoiada em estudos comparativos sobre o desenvolvimento de cidades que hospedaram a indústria petrolífera no Brasil e em outros países. "Sem uma estratégia consistente de desenvolvimento, o petróleo, riqueza finita, passará pela região sem que resulte em melhoria da qualidade de vida e em oportunidades duradouras para a população local", analisa Porto.

As oportunidades de um desenvolvimento sustentável de "cidades petroleiras" foram debatidas dia 10 /12 em São José dos Campos durante o seminário "Pensa Cone Leste - Desafios do pré-sal. Organizado pelo Centro para a Competitividade e Inovação do Cone Leste Paulista (Cecompi), Petrobras, Sebrae-SP e Macroplan, o seminário reuniu prefeitos e empresários de municípios do Cone Leste paulista para um debate em torno das oportunidades que a exploração do pré-sal vai gerar .

Durante o evento foram analisados casos de países e regiões que souberam aproveitar muito bem seus recursos naturais para se desenvolver, como a Noruega, onde tem destaque cidade de Stavanger: 31,3% da população de 120 mil habitantes têm educação superior e se registra a menor taxa de homicídios do país. "A estratégia de desenvolvimento baseou-se na atuação integrada dos governos local, regional e nacional. O desenvolvimento da cidade foi também estimulado pelas políticas nacionais dirigidas à indústria do petróleo, tais como: o desenvolvimento industrial e tecnológico e a adoção de regras rigorosas quanto à conservação ambiental e à segurança", analisa Porto.

O caso da cidade de Aberdeen, no Reino Unido, é outro bom exemplo. Com 212 mil habitantes, tem a menor taxa de desemprego da Europa ( cerca de 2%). Com a exploração do petróleo a cidade fez fortes investimentos em infra estrutura econômica e social e exigiu a utilização de mão de obra local para as empresas instaladas na cidade. Parte da arrecadação oriunda do petróleo foi aplicada em infra estrutura e educação e no desenvolvimento de áreas deprimidas da cidade.

Para Claudio Porto, as dimensões de uma estratégia de desenvolvimento se resumem na educação e formação profissional de qualidade, em PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação), no planejamento urbano, na infra-estrutura social ( saneamento, saúde, habitação e segurança pública) , logística, sustentabilidade ambiental, competitividade sistêmica e atração de investimentos de fornecedores de bens e serviços.

O caso de Macaé, no Rio de Janeiro é um exemplo negativo da gestão dos recursos oriundos da exploração do petróleo e que deve servir de lição para o pré-sal, analisa Porto. Antes do petróleo, nos anos 70, a população do município somava 30.000 habitantes e, atualmente, a cidade conta com mais de 170.000 habitantes. Desde 1970, quatro mil empresas se instalaram no município, contribuindo para um crescimento de 700% do PIB, atingindo um PIB per capita de R$36.000,00. Apesar deste exponencial crescimento, somente 10% da população têm acesso a saneamento básico e o aproveitamento das oportunidades de emprego pela população local original continua em patamares muito baixos. E mais. Houve um aumento de 322% na taxa de homicídios. No ranking dos municípios quanto à razão entre a renda dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres Macaé está na 35º posição no estado do Rio de Janeiro.

Como contraponto, o presidente da Macroplan cita como exemplo positivo no Brasil o caso do Espírito Santo, que tem uma estratégia para 2025 orientada para o desenvolvimento da logística, interiorização do desenvolvimento, recuperação de recursos naturais, desenvolvimento do capital humano e projetos orientados para a erradicação da pobreza a diversificação econômica, interiorização do desenvolvimento, logística e a conservação ambiental. "O Espírito Santo é um estado petroleiro do pós e pré-sal, onde lideranças públicas e privadas estabeleceram uma estratégia de desenvolvimento com visão de longo prazo e cujos resultados começam aparecer", afirma Porto.

Clique no link para o download da apresentação da Macroplan no seminário "Pensa Cone Leste - Desafios do pré-sal'.