A regulação da atividade cooperativa no Brasil, o enfrentamento aos gargalos da infraestrutura, a revisão da carga tributária e dos encargos trabalhistas e o fortalecimento do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), serão determinantes para o cooperativismo se consolidar como um importante vetor do desenvolvimento econômico e social do Brasil em 2020. Esta é uma das conclusões do recém-lançado estudo "Cenários do Ambiente de Atuação do Cooperativismo com foco na atuação do Sescoop", desenvolvido pela Macroplan como parte do processo de planejamento estratégico da instituição.
O projeto envolveu a participação de dezenas de técnicos ligados ao Sescoop e a realização de entrevistas e consultas junto a especialistas e resultou em quatro cenários distintos para o cooperativismo brasileiro e para a atuação do Sescoop para os próximos dez anos. Os cenários indicam tendências e hipóteses possíveis ligadas à economia brasileira e às políticas públicas com maior impacto sobre o cooperativismo, permitindo ao Sescoop identificar as oportunidades e os riscos do seu ambiente de atuação e melhorar seu processo de tomada de decisões. "O objetivo deste estudo é construir uma visão de futuro do contexto do cooperativismo e do ambiente que envolve o Sescoop, oferecendo subsídios ao seu processo de planejamento estratégico", disse o consultor da Macroplan e gerente do projeto, Hiroshi Ouchi.
Segundo o estudo, todos os cenários consideram um leve e moderado crescimento da cultura da cooperação na sociedade brasileira e a continuidade do processo de concentração produtiva na maioria dos ramos do cooperativismo. O cenário mais otimista combina um alto desempenho da economia brasileira, acima da média mundial, com o cooperativismo se ampliando em elevadas taxas de crescimento, alta capacidade competitiva no mercado, aumento substancial no número de empregados e de cooperados e do faturamento. Neste cenário, o crescimento do cooperativismo deve promover uma forte ampliação da demanda pelos serviços do Sescoop - especialmente formação profissional e monitoramento de gestão e governança - e um aumento significativo do fluxo de recursos para o Serviço.
O cenário mais crítico resulta de um macroambiente menos favorável, marcado principalmente pela persistência de estrangulamentos da infraestrutura, da elevada carga tributária e dos altos encargos trabalhistas. Na área do cooperativismo persistem restrições da regulação da atividade, o que leva o setor a um dinamismo moderado, um pouco abaixo da média nacional. Os espaços e a competitividade no mercado das cooperativas deverá se manter estável. Neste cenário, nos próximos dez anos, a demanda pelos serviços do Sescoop tende a permanecer inalterada, ao mesmo tempo em que se elevará a concorrência dos serviços públicos e privados de formação profissional.
"Os cenários indicam que o cooperativismo terá importantes oportunidades de crescimento até 2020, mas revelam também que ainda há um longo caminho a percorrer, em especial no que se refere a profissionalização", alerta Gustavo Morelli, diretor associado da Macroplan. As principais oportunidades para as cooperativas estão, segundo ele, nos serviços, especialmente nos ramos de crédito, saúde e transporte. Já na agricultura haverá um processo de concentração, pois neste ramo o crescimento está condicionado aos resultados do segmento agropecuário.