Sem asfalto, país gasta 12% do PIB em logística

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24/08/2010 | Brasil Econômico
Para Porto, da Macroplan,o próximo governo precisa de agenda prioritária para a infraestrutura
Infraestrutura precisa de R$ 120 bilhões da iniciativa privada. A notícia é manchete no Brasil Econômico.
Os investimentos em obras de base, que dobraram de 2003 até o ano passado, quando chegaram a R$ 122 bilhões, ainda precisariam de uma injeção imediata de capital privado para reverter problemas que emperram o desenvolvimento do país.

Para empresários do setor, o aumento da participação do governo na oferta de recursos, que já beira os 65% do total, não é suficiente para suprir o déficit anual de R$ 39 bilhões em áreas como energia, portos, estradas e saneamento básico. 

DESTAQUE INFRAESTRUTURA

Sem asfalto, país gasta 12% do PIB  em logística.

O olhar do futuro presidente da República precisa voltar-se para o processo de retirada dos gargalos de infraestrutura do país sob o risco de gerar uma crise produtiva, com efeitos que vão da limitação dos percentuais de crescimento da economia ao aumento da inflação no médio prazo. O economista Claudio Porto, diretor-presidente da Macroplan Prospectiva, Estratégia e Gestão, afirma que, em uma análise conservadora, o Brasil já deixa atualmente de ganhar 1 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) ao ano por conta dos problemas enfrentados para fazer as mercadorias chegarem ao seu destino. “Se neste ano estamos crescendo 7%, esse percentual poderia ser de 8%, caso as condições de infraestrutura fossem melhores,” afirma.

Para ele, a seguir nessa situação, certamente haverá perda de oportunidades de negócios no exterior, saturação do mercado de entrega de mercadorias — o que se reflete nos custos dos fretes e eleva a inflação doméstica — culminando com a limitação de expansão do PIB. “Simplesmente porque não houve como dar vazão à produção”.

Em estudo, a consultoria mostra que os custos logísticos no Brasil equivalem a 11,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Desse total,7%do produto está relacionado ao transporte. Nos Estados Unidos esses gastos são de, respectivamente, 8,7% e 5,4% do PIB. O baixo uso de rodovias explica uma parte desse resultado. De toda a carga em circulação em território americano, 26% vão pelas estradas. O frete rodoviário é de 24% na Austrália e 8% na China. No Brasil, atinge 60%.

Essa marca leva a uma questão no mínimo contraditória: ao mesmo tempo em que as empresas são muito dependentes do modal rodoviário, o índice de pavimentação é de apenas 12%, bem distante da vizinha Argentina (81%). Do total brasileiro, 24% são estradas classificadas como ruins ou péssimas,45%regulares. e 31% boas ou ótimas. Por conta das más condições, se gasta 28% a mais com transporte. “Em regiões mais distantes, o frete chega a ser o principal elemento do custo”, ressalta Porto, lembrando que o estado de Mato Grosso é o mais competitivo do mundo na produção de soja. Entretanto, o produto chega ao porto custando 40% a mais.

Deficiência geral

O executivo ressalta que, apesar do meio rodoviário ter maior importância dado o volume transportado, os outros modais precisam de atenção. O executivo elenca como segundo lugar em problemas de infraestrutura o sistema aeroportuário. “É um dos mais vulneráveis atualmente. Estamos sempre prestes a ter um apagão”, disse, complementando que a movimentação nos aeroportos entre 2003 e 2009 registrou alta de cerca de 30% na quantidade de aeronaves e de 80% na de passageiros transportados.

Segundo ele, a situação não é tão grave nas ferrovias — apesar da necessidade de ampliação da malha em 40% até 2020 — e portos, modal que passou por importantes melhorias nos últimos 15 anos.

 LUZ NO FIM DO TÚNEL

Economia mais aquecida vai pressionar por melhoras.

Mesmo que o diagnóstico seja preocupante pela grande quantidade de gargalos, o diretor-presidente da Macroplan, Claudio Porto, consegue ver uma oportunidade na conjuntura atual que pode, definitivamente, mudar esse quadro para o futuro. Na sua avaliação, ao alçar um novo patamar médio de crescimento econômico, algumas questões vieram à tona e necessitam de solução rápida. “A pressão econômica sobre os gargalos será tão intensa que vai obrigar o próximo governo a entrar com uma agenda prioritária para infraestrutura”, afirmou, complementando que, juntamente com o aumento da demanda, cada vez mais empresários estão se conscientizando das perdas de recursos por conta da precariedade dos modais. Aliado a isso, há mais dinheiro para esse tipo de investimento do que há dez anos. Para aproveitar o momento, Porto sugere que haja um choque de gestão do setor público (União, estados e municípios) para acelerar e melhorar os processos de investimento. Acompanhando isso, a modernização da legislação e um impulso nas Parcerias Público-Privadas e no sistema de concessões. “O setor privado precisa entrar. E isso não é por ideologia, mas por pura necessidade”. Segundo ele, as rodovias pedagiadas do estado de São Paulo são exemplo de pavimentação e serviços, mas são muito caras para transitar. Ao mesmo tempo, as estradas federais serão mais baratas, mas o processo até a melhoria efetiva das vias ainda é muito lento. Para o executivo, é preciso encontrar o meio-termo entre esses dois processos rapidamente. (S.C)

Para Porto, da Macroplan,o próximo governo precisa de agenda prioritária para a infraestrutura.


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