Gestão pública é posta à prova

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03/11/2009 | Brasil Econômico
O Brasil depende muito mais da capacidade de gestão do governo do que da elevação do Produto Interno Bruto (PIB) para avançar na solução de seus problemas ambientais. Alexandre Mattos de Andrade, diretor da consultoria Macroplan, vê nisso uma dificuldade, porque será necessário um empenho muito maior do governo para mudar questões complexas envolvendo elementos culturais, históricos e em diversos segmentos da sociedade.

Atualmente cerca de 70% das emissões de gás nocivo à camada de Ozônio do país estão relacionados ao desmatamento e à queima das florestas, situação oposta à de economias como a chinesa e a norte-americana, onde o lançamento de CO2 está atrelado à matriz energética e, conseqüentemente, à produção. Esse problema florestal e do mau uso do solo faz com que o Brasil desponte como um dos cinco maiores emissores per capita do mundo.

Para o especialista é preciso fazer uma escolha política. Mas, ressalva que, ao mesmo tempo, da vontade política à ação o caminho é mais difícil. "O divisor de águas para o montante das emissões futuras de gases de efeito estufa são a qualidade do programa de redução do desmatamento e a disposição e capacidade do Brasil de fazê-lo acontecer na prática", afirma, ressaltando que a mudança para o bom uso dos recursos florestais dependerá exclusivamente da capacidade de realização dos programas que forem criados.

Para Andrade, é mais barato para o mundo pagar para que o Brasil conserve suas florestas. Nesse sentido, sugere, seria interessante atrair fundos de investimentos de não-residentes para "comprar" florestas, ou seja, financiar o não desmatamento. "É preciso aprender a ganhar dinheiro com a floresta em pé, senão ela continuará sendo derrubada", afirma, ressalvando que um dos empecilhos no ramo florestal é dar a segurança ao comprador que o grupo que receber os recursos vá desmatar em outro área.

Outra idéia é a criação de serviços ambientais no país, a exemplo da cidade norte-americana de Nova Iorque, onde a água não é tratada, pois os proprietáriaso de terras onde existem as nascentes são financiados para cuidar e não as deixar poluir. "O Brasil tem grande oportunidade de ser um país diferenciado neste século pela dimensão de seus recursos naturais, não pode perdê-la".

O consultor julga adequada a política de estímulos fiscais atrelados à melhoria ambiental, como a do IPI na linha branca, anunciada semana passada pelo governo ou ainda a criação do ICMS ecológico. "Para mudar comportamentos em escala é preciso mexer no bolso das pessoas".


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